DP - Execução
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DP - Execução

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ao credor a possibilidade de acionar o Estado-juiz para que a execução se aperfeiçoe.
Nesta semana estudaremos a execução por quantia certa contra devedor solvente fundada em título extrajudicial, prosseguindo, na próxima semana, com o estudo destas execuções fundadas em título judicial.
 
       Execução por quantia certa contra devedor solvente fundada em título extrajudicial
Nesta espécie, por força do art. 646 do CPC, a forma de satisfazer o direito do credor se dá pela expropriação dos bens do devedor.
Expropriar, de modo amplo, significa privar alguém de sua propriedade.
Nos termos do art. 647 do CPC consiste na adjudicação, na alienação por iniciativa particular e na alienação por hasta pública e também no usufruto de bem móvel ou imóvel.
A execução baseada em título extrajudicial forma uma nova relação processual, o que exige a citação do devedor.
O procedimento, tratando-se de título extrajudicial, está disposto nos artigos 621 e seguintes do CPC.
 
2. Procedimento
O credor deverá requerer a execução por meio de petição inicial, obedecendo aos requisitos gerais do art. 282 do CPC.
Deverá ainda, cumprir as determinações contidas nos artigos 614 e 615, requisitos estes específicos da execução e comuns às diversas espécies.
O artigo 614 estipula que cabe ao credor, no requerimento da execução, pedir a citação do devedor, instruir a petição inicial com o título executivo extrajudicial, com o demonstrativo do débito atualizado até data da propositura da ação e com a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo.
Sabe-se que o devedor responde com seus bens pelo cumprimento de suas obrigações. É a chamada responsabilidade patrimonial do devedor. Porém a lei especifica quais são os bens passiveis de penhora e suas particularidades serão estudadas em tópico próprio. 
Tratando-se desta espécie de execução destacam-se algumas peculiaridades.
O credor, ao requerer a execução, poderá indicar na petição inicial quais bens deverão ser penhorados, segundo o expresso no art. 652, §2°, seguindo-se preferencialmente a ordem estabelecida no art. 655, ambos do CPC.
O executado é citado para que, no prazo de três dias, efetue o pagamento da dívida, sob pena de serem seus bens penhorados pelo oficial de justiça. É o que determina o art. 652, caput e § 1° do CPC. Trata-se de mandado onde consta a ordem de citação (caput) e também a ordem para penhora e avaliação (§ 1°).
Efetuado o pagamento tem-se a extinção da execução, pois seu objetivo foi atingido e nesta hipótese de pagamento integral dentro dos 3 dias, a verba honorária será reduzida pela metade, como consta no § único do art. 652 - A do CPC.
Caso o executado não efetue pagamento e o credor não tenha indicado bens à penhora, conforme lhe faculta o art. 652, §2° do CPC, o oficial de justiça, após os três dias previstos na lei, deverá lavrar o auto da penhora dos bens e respectiva avaliação, intimando o executado.
Poderá ainda o devedor não ser encontrado, mas seus bens sim. Isto ocorrendo o oficial de justiça deverá efetuar o arresto, alicerçado pelo art. 653 do CPC.
Este arresto, que não se confunde com a medida cautelar, tem por finalidade garantir a execução. É medida executiva que se realiza pelo oficial de justiça, independentemente de mandado. É chamado de pré-penhora, cujos requisitos são a não localização do devedor para que seja citado, mas sim a localização de seus bens.
Mas o arresto executivo não afasta a necessidade de citação porque o § único do art. 653 do CPC manda o oficial de justiça, nos 10 dias seguintes à efetivação do arresto, procurar o devedor por 3vezes em dias distintos e se ainda assim não o encontrar certifcará o ocorrido. Tem-se então a citação ficta. E compete ao credor em 10 dias contados da intimação do arresto, solicitar a citação do devedor por edital, sob pena de perda da eficácia do arresto executivo.
O executado, após o prazo fixado no edital, deverá providenciar o pagamento da dívida e não o fazendo, o arresto será convertido em penhora, consoante art. 654 do CPC.
 
3. DA PENHORA
A lei 11. 382/06 retirou do executado a faculdade de, quando citado, indicar os bens a serem penhorados.
Atualmente, com a redação do art. 652, §2° do CPC o credor poderá indicar, já na petição inicial, os bens passíveis de penhora, observando preferencialmente a ordem contida no art. 655 e seus incisos, bem como as restrições estabelecidas em lei no tocante à impenhorabilidade e inalienabilidade.
Já vimos que se a obrigação não foi cumprida espontaneamente pelo devedor, cabe ao credor o direito de promover atos executivos para obtenção do fim almejado, atos estes que serão próprios a cada título.
Uma das formas de satisfação do crédito, tratando-se de execução por quantia certa, é a expropriação e justamente é a penhora o ato que permite expropriar os bens do devedor.
Penhora é ato característico do processo de execução por quantia que assegura o credor alcançar o resultado pretendido. Por ela são apreendidos tantos bens quanto bastem para o pagamento da execução, incluindo-se juros, custas e honorários advocatícios.
 
 
       Bens sujeitos à penhora
O art. 648 do CPC veda a execução de bens considerados pela lei como impenhoráveis ou inalienáveis e o art. 649 lista quais os bens absolutamente impenhoráveis, citando-se como exemplos, o seguro de vida, os vestuários e os pertences de uso pessoal do executado, etc.
E na falta de outros bens poderão ser penhorados os rendimentos e os frutos dos bens inalienáveis, exceção feita se destinados à satisfação de prestação alimentícia, sendo estes bens considerados como relativamente impenhoráveis.
A inalienabilidade alcança tanto os bens públicos como os particulares.
Por força do art. 100 do Código Civil os bens públicos de uso comum do povo e de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem sua qualificação e observadas as exigências legais.
As regras para a inalienabilidade dos bens particulares encontram-se esparsas no CC como em leis especiais.
Utilizando-se do CC pode-se destacar o art. 1911 que cuida da cláusula de inalienabilidade, imposta por ato de liberalidade. Como lei especial destaca-se a lei 8.009/90 (Bem de Família) que trata da regras sobre a impenhorabilidade do bem de família.
 
       Efetivação da penhora
Conforme o art. 659, §2° e §3° do CPC a penhora se efetuará onde se achem os bens, mas não será realizada se for evidente que o produto de sua arrecadação será absorvido pelas custas do processo.
Se a penhora recair sobre em imóvel será lavrado o termo de penhora e o exequente deverá providenciar a averbação no registro imobiliário para que seja dado conhecimento a terceiros. Este registro será feito mediante a apresentação do auto de penhora, não sendo necessário o mandado judicial, por força do §4° do referido artigo.
Caso o devedor feche as portas da casa para impedir a penhora dos bens o oficial de justiça não poderá arrombá-las sem ordem judicial. Deverá comunicar a atitude do devedor, solicitando a ordem de arrombamento e se deferido o pedido dois oficias de justiça deverão cumprir a ordem, sendo todo o ocorrido lavrado e presenciado por duas testemunhas, que deverão assinar o auto circunstanciado, de acordo com os artigos 660 e 661, ambos do CPC.
O art. 664, caput do CPC estabelece: “considerar-se-á feita a penhora mediante a apreensão e depósito dos bens, lavrando-se em um só auto se as diligências forem concluídas no mesmo dia”.E seu § único determina que havendo mais de uma penhora para cada uma haverá de ter um auto.
O teor do auto de penhora deverá obedecer às regras do art. 665 do CPC e após serão s bens penhorados depositados preferencialmente nos locais indicados pelo art. 666.
 
       Sobre o depositário
Após a penhora, os bens deverão ser depositados o que acarreta a nomeação de um depositário e sua responsabilização, porém somente nas situações em que a penhora ocorre por oficial de justiça, que embora seja a regra, não é seu único meio de realização, uma vez que a penhora de bens imóveis
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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