Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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em sua manutenção (art.300). Do mesmo modo, mudando o devedor, o fiador não é obrigado a garantir quem não conhece.
Espécies de assunção de dívidas
	A assunção de dívida pode efetivar-se por dois modos: a)mediante contrato entre o terceiro e o credor, sem a participação ou anuência do devedor; e b) mediante acordo entre terceiro e o devedor, com a concordância do credor. A primeira hipótese é denominada expromissão, e a segunda, delegação.
	Na forma expromissória não haveria que se falar em consentimento do credor, uma vez que é este quem celebra o negócio com o terceiro que vai assumir a posição do primitivo devedor. A expromissão é o negócio jurídico pelo qual uma pessoa assume espontaneamente a dívida de outra. São partes desse contrato: a pessoa que se compromete a pagar, chamada expromitente, e o credor. O devedor originário não participa dessa estipulação contratual. É o caso, por exemplo, do pai que assume a dívida do filho, independente da anuência deste.
	Assim como a delegação, a expromissão pode ser liberatória ou cumulativa. Será da primeira espécie se houver integral sucessão do débito, pela substituição do devedor na relação obrigacional pelo expromitente, ficando exonerado o devedor primitivo, exceto se o terceiro que assumiu a sua dívida era insolvente e o credor o ignorava. (art.299, segunda parte).
	A expromissão será cumulativa quando o expromitente ingressar na obrigação como novo devedor, ao lado do devedor primitivo, passando a ser devedor solidário, mediante declaração expressa nesse sentido (art.265), podendo o credor, nesse caso, reclamar o pagamento de qualquer deles.
	Como já mencionado, a delegação pode ser também liberatória ou cumulativa, conforme o devedor originário permaneça ou não vinculado. É considerada imperfeita quando não exclui totalmente a responsabilidade do primitivo devedor.
Efeitos da assunção de dívidas
	O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. Pode arguir vícios concernentes ao vínculo obrigacional existente entre credor e primitivo devedor, não podendo, todavia, alegar, por exemplo, o direito de compensação que este possuía em face do credor.
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação.
	Para o credor hipotecário, a segurança de seu crédito reside muito mais na garantia em si do que na pessoa do devedor. Se a assunção do débito pelo terceiro adquirente do imóvel possibilita a permanência da garantia real, pouca ou nenhuma diferença fará ao credor se o devedor será este ou aquele, nos casos em que o valor da hipoteca for superior ao débito.
Da cessão de contrato
Conceito. Cessão de contrato e cessão de posição contratual
	Essa cessão tem grande aplicação nos contratos de cessão de locação, fornecimento, empreitada, financiamento e no mútuo hipotecário para aquisição da casa própria.
	O contrato, como bem jurídico, possui valor material e integra o patrimônio dos contratantes, podendo por isso ser objeto de negócio. Esse complexo, que inclui os direitos e as obrigações, os créditos e os débitos emergentes da avença, denomina-se posição contratual, de valor econômico autônomo, passível, portanto, de circular como qualquer outro bem econômico.
	A cessão de contrato, ou melhor, a cessão de posições contratuais, consiste na transferência da inteira posição ativa e passiva do conjunto de direitos e obrigações de que é titular uma pessoa, derivados de um contrato bilateral já ultimado, mas de execução ainda não concluída. Ceder o contrato significa ceder a posição de um contraente no contrato bilateral.
	A cessão de contrato ou da posição contratual envolve três personagens: o cedente (que transfere sua posição contratual), o cessionário (que adquire a posição cedida) e o cedido (o outro contraente, que consente na cessão feita pelo cedente).
Características da cessão da posição contratual
	Como a cessão da posição contratual implica, concomitantemente, uma cessão de crédito e uma cessão de débito, tem importância para o cedido a pessoa do cessionário, que passa a ser seu devedor. Por essa razão, será indispensável a concordância do cedido, para a eficácia do negócio em relação a ele.
	O contrato transferido há de ter natureza bilateral, isto é, deve gerar obrigações recíprocas, pois, se for unilateral, a hipótese será de cessão de crédito ou de débito.
	A cessão do contrato não se confunde com o contrato derivado ou subcontrato, porque neste o contraente mantém a sua posição contratual, limitando-se a criar um novo contrato da mesma natureza com terceiro. Na primeira o cedente demite-se da sua posição contratual, transmitindo-a a terceiro.
	Distingue-se da sub-rogação legal do contrato, pois esta nasce diretamente da lei, sem necessidade do consentimento do contraente cedido.
Efeitos da cessão da posição contratual
Efeitos entre o cedente e o contraente cedido
	A cessão da posição contratual pode efetuar-se com ou sem liberação do cedente perante o contraente cedido. A liberação do cedente é a consequência normal do negócio realizado. A anuência pode, pois, ser externada ao tempo do negócio da cessão, quando o credor, após conhecer a pessoa do cessionário, concorda em que ele assuma os direitos e deveres do cedente; ou previamente, em cláusula contratual expressa.
	Embora não seja comum, pode o contraente cedido dar o seu consentimento à cessão, mas sem liberação do cedente. Somente a interpretação da cláusula imposta pelo cedido poderá esclarecer a exata dimensão e extensão da nova responsabilidade do cedente.
Efeitos entre o cedente e o cessionário
	A transferência da posição contratual acarreta para o cedente a perda dos créditos e das expectativas integrados na posição contratual cedida e, por outro lado, a exoneração dos deveres e obrigações em geral compreendidos na mesma posição contratual.
	O cedente responde, na cessão por título oneroso, pela existência da relação contratual cedida, e, na realizada por título gratuito, se tiver procedido de má fé, mas não pela solvência do contraente cedido, salvo, neste caso, estipulação em contrário, expressa ou tácita das partes.
Efeitos entre o cessionário e o contraente cedido
	A cessão contratual acarreta a substituição do cedente pelo cessionário na relação contratual. Não se transmitem, porém, ao cessionário, os direitos potestativos de que o cedente seja titular. Se o originário contraente foi vítima de erro, dolo ou coação, por exemplo, e o vício só for descoberto depois da cessão, mas dentro do prazo decadencial da ação anulatória, o direito não se transmitirá ao cessionário, mas continuará competindo ao cedente.
Cessão da posição contratual no direito brasileiro
	Malgrado não tenha sido objeto de regulamentação específica, o instituto da cessão da posição contratual pode ser utilizado no direito pátrio como negócio jurídico atípico.
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.
Do adimplemento e extinção das obrigações
Introdução
	O principal efeito das obrigações é gerar para o credor o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação, e para este o dever de prestar. A obrigação nasce para ser cumprida.
Liberação pelo adimplemento
	O devedor se libera pelo cumprimento da obrigação quando efetua a prestação tal como devida, ou seja, no tempo e no lugar convencionados, de modo completo e pela forma adequada. No entanto, se a prestação, embora atrasada, se realiza em tempo de se mostrar proveitosa para o credor, pode ser considerada igualmente como cumprimento, conservando o credor, neste caso, uma pretensão de indenização dos danos causados pela mora.
Do pagamento
Noção e espécies de pagamento
	A extinção dá-se, em regra, pelo seu cumprimento, que o Código Civil denomina pagamento. Pagamento significa, pois, cumprimento ou adimplemento da obrigação. São aplicáveis
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