Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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erro escusável do devedor, por supor estar tratando com pessoa capaz, ou dolo do credor, por ocultar maliciosamente sua idade.
Pagamento efetuado ao credor cujo crédito foi penhorado
Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.
	Cuida-se de hipóteses em que, mesmo sendo feito ao verdadeiro credor, o pagamento não valerá.
Do objeto do pagamento
	O objeto do pagamento é, pois, a prestação. O devedor não estará obrigado a dar qualquer coisa distinta de que constitui o conteúdo da prestação. E não poderá liberar-se cumprindo uma prestação de conteúdo diverso.
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.
	O devedor só se libera entregando ao credor exatamente o objeto que prometeu dar, ou realizando o ato a que se obrigou, ou ainda, abstendo-se do fato nas obrigações negativas, sob pena de a obrigação converter-se em perdas e danos.
	A substituição, com efeito extintivo, de uma coisa por outra, só é possível com o consentimento do credor. Quando, porém, este a aceita, configura-se a dação em pagamento, que vale como cumprimento e tem o poder de extinguir o crédito.

Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou.
	A regra é uma consequência do princípio de que a prestação deve ser integral e que o credor não é obrigado a qualquer encargo para a receber, estando a cargo do devedor todas as despesas do cumprimento. Desse modo, o devedor é obrigado às despesas da entrega, da quitação e a qualquer outra produzida pelo fato do pagamento, mas, se ocorrer aumento por fato do credor, suportará este a despesa acrescida.
Pagamento em dinheiro e o princípio do nominalismo
Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes.
Art. 316. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas.
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
	O objeto da prestação é o próprio dinheiro. Quando, no entanto, o dinheiro não constitui o objeto da prestação, mas apenas representa seu valor, diz-se que a dívida é de valor. O artigo 315 adotou o princípio do nominalismo, pelo qual se considera como valor da moeda o valor nominal que lhe atribui o Estado, no ato da emissão ou cunhagem. De acordo com o referido princípio, o devedor de uma quantia em dinheiro libera-se entregando a quantidade de moeda mencionada no contrato ou título da dívida e em curso no lugar do pagamento, ainda que desvalorizada pela inflação, ou seja, mesmo que a referida quantidade não seja suficiente para a compra dos mesmos bens que podiam ser adquiridos, quando contraída a obrigação. Com o passar do tempo, os credores buscaram meios para se proteger dos efeitos ruinosos da inflação, dentre eles a adoção da cláusula de escala móvel.
A cláusula de escala móvel
	A cláusula de escala móvel prescreve que o valor da prestação deve variar segundo os índices de custo de vida. Estabelece uma revisão, preconvencionada pelas partes, dos pagamentos que deverão ser feitos de acordo com as variações do preço de determinadas mercadorias ou serviços ou do índice geral do custo de vida ou dos salários.
	Não se confunde esta, que é critério de atualização monetária proveniente de prévia estipulação contratual, com a teoria da imprevisão.
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
	O dispositivo adota a teoria da imprevisão, que resultou da cláusula rebus sic stantibus A condição exigida é que a causa da desproporção seja imprevisível e que tenha havido pedido expresso de uma das partes. O equilíbrio contratual é restabelecido mediante revisão ou resolução do contrato, por meio de intervenção judicial.
Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial.
	As exceções previstas em lei especial são as seguintes: a) contratos de exportação e importação em geral, bem como os acordos resultantes de sua rescisão; b)contratos de compra e venda de câmbio; c) contratos celebrados com pessoa residente e domiciliada no exterior, excetuados os contratos de locações de imóveis situados no território nacional, bem como a sua transferência ou modificação a qualquer título.
Da prova do pagamento
	O devedor que não cumpre a obrigação no vencimento sujeita-se às consequências do inadimplemento, respondendo por perdas e danos, mais juros, atualização monetária e honorários dos advogados. O pagamento, no entanto, exonera o devedor pontual, ou que purga a sua mora, liberando-o do vínculo obrigacional. Realizando a prestação devida, o devedor tem o direito de exigir do credor a quitação da dívida. Esta é a prova do pagamento.
A quitação
	A regra dominante em matéria de pagamento é a de que ele não se presume, salvo nos casos expressos em lei.
Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada.
	A quitação é a declaração unilateral escrita, emitida pelo credor, de que a prestação foi efetuada e o devedor fica liberado. Se o credor se recusar, pois, a fornecer recibo, o devedor pode legitimamente reter o objeto da prestação e consigná-lo. Os requisitos que a quitação deve conter encontram-se especificados no artigo 320. Deverá ser dada, portanto, por escrito, público ou particular.
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.
As presunções de pagamento
	A exibição do recibo de quitação é o meio normal de comprovação do pagamento. Essa comprovação pode fazer-se, no entanto, em alguns casos, por meios diversos de quitação. O código civil estabelece, com efeito, três presunções que facilitam essa prova, dispensando a quitação: a) quando a dívida é representada por título de crédito, que se encontra na posse do devedor; b) quando o pagamento é feito em quotas sucessivas, existindo quitação da última; c) quando há quitação do capital, sem reversa dos juros, que se presumem pagos. A presunção de pagamento decorrente da posse do título pelo devedor é, todavia, relativa, pois o credor pode provar, no prazo legal, que o título se encontra indevidamente em mãos do devedor.
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar, em sessenta dias, a falta do pagamento.
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
	A presunção não é absoluta, pois admite prova em contrário. Como os juros não produzem rendimento, é de supor que o credor imputaria neles o pagamento parcial da dívida, não no capital, que continuaria a render. Determina a lógica, portanto, que os juros devem ser pagos em primeiro lugar. Em regra, quando o recibo está redigido em termos gerais, sem qualquer ressalva, presume-se ser plena a quitação. Os ônus quanto às despesas de pagamento e quitação são de responsabilidade do devedor.
Do lugar
Hugo Oliveira fez um comentário
  • por favor alguém pode me enviar esse material por e-mail ? Vai salvar meu semestre kkkkkkkkkkk
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
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