Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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credor, salvo provando haver ele cometido violência ou dolo.
Imputação em virtude da lei
	Os critérios da imputação em virtude da lei são os seguintes:
Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos.
Entre dívidas vencidas e não vencidas, a imputação far-se-á nas primeiras.
Se algumas forem líquidas e outra ilíquidas, a preferência recairá sobre as primeiras, segundo a ordem de seu vencimento.
Se todas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo, considerar-se paga a mais onerosa.
	Mais onerosa é, por exemplo, a que rende mais juros; a cujos juros são mais elevados; a sobre a qual pesa algum gravame, como hipoteca; aquela em que o solvens é devedor principal e não mero coobrigado.
	Não prevê o Código Civil nenhuma solução para a hipótese de todas as dívidas serem líquidas, vencidas ao mesmo tempo e igualmente onerosas. A prestação presumir-se-á feita por conta de todas as dívidas, rateadamente, mesmo com prejuízo, neste caso, do disposto no artigo 314.
Da dação em pagamento
Conceito
	A dação em pagamento é um acordo de vontades entre credor e devedor, por meio do qual o primeiro concorda em receber do segundo, para exonerá-lo da dívida, prestação diversa da que lhe é devida.
	Em regra, o credor não é obrigado a receber outra coisa, ainda que mais valiosa (CC, 13). Aliud pro alio, invito creditore, solvi non potest (uma coisa por outra, contra a vontade do credor, não pode ser solvida). No entanto, se aceitar a oferta de uma coisa por outra, caracterizada estará a dação em pagamento.
Elementos constitutivos
	São eles:
A existência de uma dívida ou vínculo jurídico
A concordância do credor
A diversidade da prestação oferecida, em relação à dívida originária
	Admite-se que o credor dê ao devedor quitação parcial, ao receber coisa menos valiosa do que a devida, explicitando o débito remanescente, como pode também, não tendo dinheiro suficiente, dar parte em dinheiro e parte em espécie. Não se exige coincidência entre o valor da coisa recebida e o quantum da dívida, nem que as partes indiquem um valor.
Disposições legais
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda.
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a transferência importará em cessão.
Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros.
	Se quem entregou bem diverso em pagamento não for o verdadeiro dono, o que o aceitou tornar-se-á evicto. A quitação dada ficará sem efeito e perderá este o bem para o legítimo dono, reestabelecendo-se a relação jurídica originária, inclusive a cláusula penal, como se não tivesse havido quitação, ou seja, o débito continuará a existir, na forma inicialmente convencionada. As garantias reais ou fidejussórias, como acessórias, seguem o destino da obrigação principal e, portanto, permanecem. A fiança, todavia, não se reestabelece. Na evicção comum, a coisa retorna ao patrimônio do verdadeiro dono, respondendo o alienante ao adquirente, que se tornou evicto, pelas perdas e danos. (art.450). Na dação em pagamento, diversamente, ocorre o reestabelecimento da obrigação primitiva.
Da novação
Conceito
	Forma de extinção de obrigação através da qual as partes constituem uma nova obrigação que vem a ocupar o lugar da anterior. A novação tem, pois, duplo conteúdo, um extintivo, referente à obrigação antiga; outro gerador, relativo à obrigação nova. Sua intenção é criar para extinguir.
	Tem natureza contratual, operando-se em consequência de ato de vontade dos interessados, jamais por força de lei. a novação acarreta a extinção da dívida antiga, não a transformando, mas aniquilando-a. A nova dívida pode ter objeto diferente, cláusulas e seguranças diversas, e só se prende à antiga por tê-la como causa da obrigação.
Requisitos da novação
	São requisitos ou pressupostos caracterizadores da novação: a existência de obrigação anterior, a constituição de nova obrigação e o animus novandi.
	É grande a dissensão a respeito da possibilidade de serem ou não novadas as obrigações naturais. Segundo considerável parte da doutrina, não comportam elas novação, porque o seu pagamento não pode ser exigido compulsoriamente. Não se pode revitalizar ou validar relação obrigacional juridicamente inexigível.
	Outra corrente sustenta que a falta de exigibilidade não é obstáculo para a novação, pois a obrigação natural ganha substrato jurídico no momento de seu cumprimento. Se as partes concordam em novar uma dívida natural por outra civil, não há porque obstar seu desejo. O que justifica a novação não é a exigibilidade do crédito, senão a possibilidade de seu cumprimento.
	A novação só se configura se houver diversidade substancial entre a dívida anterior e a nova. Não há novação quando se verifiquem alterações secundárias na dívida, como exclusão de uma garantia, alongamento ou encurtamento do prazo, estipulação de juros etc.
	É imprescindível que o credor tenha a intenção de novar, pois importa renúncia ao crédito e aos direitos acessórios que o acompanham. Na dúvida, entende-se que não houve novação, pois esta não se presume.
Espécies de novação
	Há três espécies de novação: a objetiva, a subjetiva e a mista. Na primeira, altera-se o objeto da prestação; na segunda, ocorre a substituição dos sujeitos da relação jurídica, no polo passivo ou ativo, com quitação do título anterior; na mista, ocorrem, simultaneamente, na nova obrigação, mudança do objeto e substituição das partes.
	A novação é subjetiva ou pessoal quando promove a substituição dos sujeitos da relação jurídica. Pode ocorrer por substituição do devedor ou por substituição do credor. A novação subjetiva por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste e nesse caso denomina-se expromissão. Pode ser efetuada, ainda, por ordem ou com o consentimento do devedor, havendo neste caso um novo contrato de que todos os interessados participam, dando seu consentimento. Ocorre neste caso, delegação.
	A possível distinção teórica, entre a novação subjetiva passiva e a cessão de débito, consiste justamente em que naquela a dívida anterior se extingue, para ser substituída pela subsequente; enquanto que nesta é a mesma obrigação que subsiste, havendo mera alteração na pessoa do devedor. A consequência primordial resultante da distinção é que na novação, desaparecendo a dívida anterior, perecem as garantias e acessórios do crédito assim novado.
	A novação subjetiva por substituição do credor é chamada de novação ativa. Não se confunde com a cessão de crédito. Nesta, todos os acessórios, garantias e privilégios da obrigação primitiva são mantidos, enquanto na novação ativa eles se extinguem.
	A novação mista é expressão da doutrina, não mencionada no Código Civil. Decorre da fusão das duas primeiras espécies e se configura quando ocorre, ao mesmo tempo, mudança do objeto da prestação e dos sujeitos da relação jurídica obrigacional.
Efeitos da novação
	O principal efeito da novação consiste na extinção da primitiva obrigação, substituída por outra, constituída exatamente para procurar a referida extinção.
	A insolvência do novo devedor corre por conta e risco do credor, que o aceitou. Não tem direito a ação regressiva contra o primitivo devedor, mesmo porque o principal efeito da novação é extinguir a dívida anterior. Mas, em atenção ao princípio da boa-fé, abriu-se a exceção, permitindo-se a ação regressiva contra o devedor, se este, ao obter a substituição, ocultou, maliciosamente, a insolvência de seu substituto na obrigação.
Art. 363. Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição.
Art. 364. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar
Hugo Oliveira fez um comentário
  • por favor alguém pode me enviar esse material por e-mail ? Vai salvar meu semestre kkkkkkkkkkk
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
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