Resumo de Direito das Obrigações
60 pág.

Resumo de Direito das Obrigações

Disciplina:Direito das Obrigações586 materiais6.170 seguidores
Pré-visualização20 páginas
este não recebe a prestação oferecida no tempo, lugar e forma convencionados.
Mora e inadimplemento absoluto
	Embora os dois institutos sejam espécies do gênero inadimplemento, ou inexecução, das obrigações, diferem no ponto referente à existência ou não, ainda, de utilidade ou proveito ao credor. Havendo, a hipótese será de mora; não havendo, será de inadimplemento absoluto.
	Pode acontecer que, não realizando o devedor a prestação no momento devido, ela ainda continue materialmente possível, mas perca interesse para o credor. Juridicamente não existe então simples atraso, mas verdadeira inexecução definitiva.
	A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor.
	O devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma convencionados ou devidos responderão pelo ressarcimento dos prejuízos a que sua mora der causa, isto é, por perdas e danos. Também responde por estas o devedor absolutamente inadimplente.
	Nos dois casos, a obrigação de reparar o prejuízo depende de existência de culpa do devedor moroso ou inadimplente.
Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora.
	Se a prestação se tornar impossível, sem culpa do devedor, a relação jurídica se extingue sem qualquer ônus ou responsabilidade para este.
Espécies de mora
Mora do devedor ou mora solvendi
	Vai se caracterizar quando o devedor, culposamente, deixa de efetuar a obrigação no tempo, lugar e forma convencionados.
Espécies
	Pode ser de duas espécies: mora ex re (em razão de fato previsto na lei) e ex persona.
	Configura-se a mora ex re quando o devedor nela incorre sem necessidade de qualquer ação por parte do credor, o que sucede (artigo 387, caput, e 398):
Quando a prestação deve realizar-se em um termo prefixado e se trata de dívida portável. O devedor incorrerá em mora desde o momento do vencimento.
Nos débitos derivados de um ato ilícito extracontratual, a mora começa no mesmo momento da prática do ato, porque nesse mesmo instante nasce para o responsável o dever de restituir ou reparar.
Quando o devedor houver declarado por escrito não pretender cumprir a prestação. Neste caso não será necessário nenhum requerimento, porque resultaria inútil interpelar quem, antecipadamente, declarou peremptoriamente não desejar cumprir a obrigação.
	Dá-se a mora ex persona em todos os demais casos. Será então necessária uma interpelação ou notificação por escrito para a constituição em mora.
	Não havendo termo, ou seja, data estipulada, “a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial”.
	A interpelação ou notificação podem fazer-se de diversas formas, desde a demanda judicial até a simples carta: sempre que resultem de documento escrito.
	Nas obrigações negativas não existe propriamente mora, porquanto qualquer ato realizado em violação da obrigação acarreta o seu descumprimento.
Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster.
Requisitos
	São requisitos da mora:
Exigibilidade da prestação, ou seja, o vencimento de dívida líquida e certa. É necessário que a prestação não tenha sido realizada no tempo e modo devidos, mas ainda pode ser efetuada com proveito para o credor.
Inexecução culposa. O inadimplemento, por si, faz presumir a culpa do devedor, salvo prova, por ele produzida, de caso fortuito ou força maior. Essencial à mora é que haja culpa do devedor no atraso do cumprimento.
Constituição em mora. Esse requisito só se apresenta quando trata-se de mora ex persona, sendo dispensável se for ex re, pois o dia do vencimento interpela o devedor.
Efeitos
	Os principais efeitos da mora do devedor consistem:
Na indenização por todos os prejuízos causados ao credor. Essa indenização não é substitutiva. O devedor em mora tem não só que realizar a prestação em dívida, mas também indenizar o chamado dano moratório.
Na perpetuação da obrigação, pela qual responde o devedor moroso pela impossibilidade da prestação, ainda que decorrente de caso fortuito ou de força maior. A mora do devedor produz a inversão do risco.
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.
	A expressão “salvo se provar isenção de culpa” é defeituosa, pois se provada tal isenção não há mora. Ademais, se a impossibilidade da prestação resulta de caso fortuito ou força maior, é porque não houve culpa do devedor. Na realidade, a única escusa admissível é a de que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse desempenhada em tempo.
Mora do credor
	Conceito: verifica-se a mora do credor quando este imotivadamente recusar-se a receber a prestação ofertada pelo devedor no tempo, lugar e forma convencionados.
Requisitos
Vencimento da obrigação: antes disso, a prestação não é exigível. O pagamento pode realizar-se a qualquer tempo, salvo se se estabeleceu a benefício do credor.
Oferta da prestação: é necessário que a prestação lhe tenha sido oferecida e ele a tenha recusado. Só será relevante nas obrigações portáveis.
Recusa injustificada em receber: não basta somente a recusa. É necessário que ela seja objetivamente injustificada. Não há mora accipiendi se a abstenção do credor tem fundamento legítimo e é, portanto, justificada.
Constituição em mora: mediante a consignação em pagamento.
Efeitos
Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.
Isenção da responsabilidade do devedor, salvo se este agir com dolo. Deve haver uma conservação mínima da coisa.
Ressarcimento não só da conservação, como também dos outros gastos ou prejuízos que venha a causar.
O credor em mora responde ainda por eventual oscilação do preço. Terá de receber o objeto pela estimação mais favorável ao devedor.
Mora de ambos os contratantes
	Quando as moras são simultâneas, uma elimina a outra pela compensação. As situações permanecem como se nenhuma das partes tivesse incorrido em mora. Se ambas nela incidem, nenhuma pode exigir da outra perdas e danos. Quando as moras são sucessivas, permanecem os efeitos pretéritos de cada uma. Quando afinal o pagamento for realizado e também forem apurados os prejuízos, cada um responderá pelos ocorridos nos períodos em que a mora foi sua, operando-se a compensação. Os danos que a mora de cada uma das partes haja causado à outra, em determinado período, não se cancelam pela mora superveniente da outra parte, pois cada um conserva os seus direitos.
Purgação e cessação da mora
	Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. Aquele que nela incidiu corrige, sana a sua falta, cumprindo a obrigação já descumprida e ressarcindo os prejuízos causados à outra parte. Mas a purgação só poderá ser feita se a prestação ainda for proveitosa ao credor.
Art. 401. Purga-se a mora:
I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta;
II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data.
	Não se confunde purgação com cessação da mora. A cessação decorre da extinção da obrigação, não de um comportamento ativo do contratante moroso, destinado a sanar a sua falta ou omissão. A cessação produz efeitos pretéritos, ou seja, afasta os já produzidos. A purgação da mora só produz efeitos futuros, não apagando os pretéritos, já produzidos.
Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
    0 aprovações
    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
    0 aprovações
    Carregar mais