Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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em sua individualidade. Compete ao credor, sempre que possível, obter o próprio objeto da prestação, só se reservando a condenação em perdas e danos quando a execução direta for impossível ou envolver sério constrangimento físico à pessoa do devedor.
	Não será possível o ajuizamento, pelo credor, de ação fundada em direito obrigacional se o alienante, que assumiu a obrigação de efetuar a entrega, não a cumpre e, antes da propositura da ação, aliena o mesmo bem posteriormente a terceiro. Neste caso, não tem o primeiro adquirente o direito de reivindica-lo de terceiro, pois o seu direito não é oponível erga omnes, mas tão somente o de reclamar perdas e danos.
Impossibilidade de entrega de coisa diversa, ainda que mais valiosa
	Na obrigação de dar coisa certa o devedor é obrigado a entregar ou restituir uma coisa inconfundível com outra. Artigo 313 do Código Civil: “O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”.
	A entrega de coisa diversa da prometida importa modificação da obrigação, denominada novação objetiva, que só pode ocorrer havendo consentimento de ambas as partes. O credor também não pode exigir coisa diversa, ainda que menos valiosa.
Tradição como transferência dominial
	No direito brasileiro o contrato, por si só, não basta para a transferência do domínio. Por ele criam-se apenas obrigações e direitos. O domínio só se adquire pela tradição, se for coisa móvel, e pelo registro do título (tradição solene), se for imóvel.
Direito aos melhoramentos e acrescidos
	Enquanto não ocorrer a tradição, a coisa continuará pertencendo ao devedor, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. (CC, artigo 237).
	Na obrigação de dar, consistente em restituir coisa certa, dono é o credor, com direito à devolução, como sucede no comodato e no depósito, por exemplo. Nessa modalidade, inversamente, se a coisa teve melhoramento ou acréscimo, “sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização”. (CC, artigo 241).
	Todavia, se para o melhoramento ou aumento “empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé. (CC, artigo 242).
	Estando o devedor de boa-fé, tem direito à indenização dos melhoramentos ou aumentos necessários e úteis; quanto aos voluptuários, se não for pago do respectivo valor, pode levantá-los, quando o puder sem detrimento da coisa e se o credor não preferir ficar com eles, indenizando o seu valor.
	Se o devedor estava de má-fé, ser-lhe-ão ressarcidos somente os melhoramentos necessários, não lhe assistindo o direito de levantar os voluptuários, porque obrou com a consciência de que praticava um ato ilícito. Faz jus à indenização dos necessários porque, caso contrário, o credor experimentaria um enriquecimento indevido.
Abrangência dos acessórios
Artigo 233. “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstancias do caso”.
	É uma decorrência do princípio geral de direito, segundo o qual o acessório segue o destino do principal. Principal é o bem que tem existência própria, que existe por si só. Acessório é aquele cuja existência depende do principal.
	Esse princípio aplica-se somente às partes integrantes (frutos, produtos e benfeitorias), mas não às pertenças (artigo 94, CC). Na grande classe dos bens acessórios compreendem-se os produtos e os frutos. Produtos são as utilidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade, porque não se reproduzem periodicamente. Frutos são as utilidades que uma coisa periodicamente produz. Nascem e renascem da coisa, sem acarretar-lhe a destruição no todo e em parte. Também se consideram acessórias todas as benfeitorias.
Obrigação de entregar
	Cumpre-se a obrigação de dar coisa certa mediante entrega ou restituição. Às vezes, porém, a obrigação de dar não é cumprida porque antes da entrega/restituição, a coisa pereceu ou se deteriorou, com culpa ou sem culpa do devedor. Perecimento significa perda total, e deterioração, perda parcial. A coisa perece para o dono. Res perit domino.
Perecimento sem culpa e com culpa do devedor

Sem culpa do devedor: Artigo 234 – fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Se o vendedor já recebeu o preço da coisa, deve devolvê-lo ao adquirente, em virtude da resolução do contrato, sofrendo, por conseguinte, o prejuízo decorrente do perecimento. Não está obrigado, porém, a pagar perdas e danos.
Com culpa do devedor: artigo 234 segunda parte – A culpa acarreta a responsabilidade pelo pagamento de perdas e danos. Neste caso, tem o credor direito a receber o seu equivalente em dinheiro, mais as perdas e danos comprovadas. As perdas e danos compreendem o dano emergente e o lucro cessante, ou seja, além do que o credor efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Devem cobrir todo o prejuízo experimentado e comprovado pela vítima.

Deterioração sem culpa e com culpa do devedor

Sem culpa do devedor – artigo 235 – poderá o credor optar por resolver a obrigação, por não lhe interessar receber o bem danificado, voltando as partes, nesse caso, ao estado anterior ou aceitá-la no estado em que se encontra, com abatimento do preço, proporcional à perda.
Com culpa do devedor – artigo 236 – as alternativas deixadas ao credor são as mesmas, mas com direito, em qualquer caso, à indenização das perdas e danos comprovados.

Obrigação de restituir
	Caracteriza-se pela existência de coisa alheia em poder do devedor, a quem cumpre devolvê-la ao dono. Na obrigação de restituir, a coisa se acha com o devedor para o seu uso, mas pertence ao credor, titular do direito real.
perecimento sem culpa e com culpa do devedor
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.
	Se o devedor se encontrar em mora, responderá pela impossibilidade da prestação mesmo que esta decorra de caso fortuito ou de força maior. (Artigo 399, CC).
Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.
Deterioração sem culpa e com culpa do devedor

Sem culpa do devedor – artigo 240, primeira parte – recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito à indenização.
Com culpa do devedor – artigo 240, segunda parte (remetendo ao 236 e não ao 239) – o credor tem o direito de exigir o equivalente em dinheiro, podendo optar todavia, pelo recebimento da coisa, no estado em que se achar, acrescido de perdas e danos, num e noutro caso.

Das obrigações pecuniárias
	Tem por objeto uma prestação em dinheiro e não uma coisa.
Artigo 317. “Quando, por motivos imprevisíveis, sobreviver desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que se assegure, quanto possível, o valor real da prestação”.
	Distingue-se a dívida de dinheiro da dívida de valor: na primeira, o objeto da prestação é o próprio dinheiro. Quando o dinheiro apenas representa o valor do objeto da prestação, diz-se que a dívida é de valor.
Das obrigações de dar coisa incerta
Conceito
	Tem objeto indeterminado, mas determinável. A coisa deve ser indicada ao menos pelo gênero e pela quantidade, falta apenas determinar sua qualidade. O objeto ou conteúdo da prestação, indicado genericamente no começo da relação, é determinado por um ato de escolha no instante do pagamento.
Diferenças e afinidades com outras modalidades
Obrigações de dar coisa incerta, em relação a:
Obrigação de dar coisa certa: nas primeiras, a prestação não é determinada, mas determinável, na segunda, a prestação tem, desde logo, conteúdo determinado. O devedor se encontra em situação mais cômoda na primeira,
Jéssica Thaís Fossa fez um comentário
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    Hugo Oliveira fez um comentário
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
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