Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar” (art. 250, CC).
Regras processuais
Os artigos 642 e 643 do CPC cuidam da execução das obrigações de não fazer.
Das obrigações alternativas
Obrigações cumulativas e alternativas
	Quando a obrigação é composta, ela se desdobra nas seguintes modalidades: facultativa, cumulativa e alternativa. Na modalidade cumulativa, há uma pluralidade de prestações e todas devem ser solvidas, sem exclusão de qualquer delas, sob pena de se haver por não cumprida. A obrigação alternativa tem por conteúdo duas ou mais prestações, das quais uma somente será escolhida para prestação ao credor e liberação do devedor.
Conceito de obrigação alternativa
	Obrigação alternativa é a que compreende dois ou mais objetos ou fatos e extingue-se com a prestação de apenas um.
Direito de escolha
	O código civil respeita a vontade das partes. Em falta de estipulação, a escolha caberá ao devedor. O direito de opção transmite-se a herdeiros. Artigo 252 do CC proclama que não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. Em caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz. Admite-se também que a escolha seja determinada por sorteio. Artigo 817 do CC.
A concentração
	Cientificada a escolha, dá-se a concentração, ficando determinado, de modo definitivo, sem possibilidade de retração unilateral, o objeto da obrigação. As prestações in obligatione reduzem-se a uma só, e a obrigação torna-se simples. Só será devido o objeto escolhido, como se fosse ele o único desde o nascimento da obrigação.
	Todavia, na falta de comunicação, o direito de mudar a escolha pode ser exercido pelo devedor até o momento de executar a obrigação, e pelo credor, até o momento em que propõe a ação de cobrança. A negligência, tanto do devedor como do credor, pode acarretar, pois, a decadência do direito de escolha.
Impossibilidade das prestações
Artigo 253 do CC. “Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra”.
	Se a impossibilidade é jurídica, por ilícito de um dos objetos, toda a obrigação fica contaminada de nulidade, sendo inexigíveis ambas as prestações. Quando a impossibilidade de uma das prestações é superveniente e inexiste culpa do devedor, dá-se a concentração da dívida na outra. Mesmo que o perecimento decorra de culpa do devedor, competindo a ele a escolha, poderá concentrá-la na prestação remanescente.
	Se a impossibilidade for de todas as prestações, sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação, por falta de objeto, sem ônus para este. (artigo 256). Se houver culpa do devedor, cabendo-lhe a escolha, ficará obrigado a pagar o valor da que último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar (artigo 254). Mas se a escolha couber ao credor, pode este exigir o valor de qualquer das prestações, além das perdas e danos. Se somente uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor, cabendo ao credor a escolha, terá esse o direito de exigir ou a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos.
Obrigações facultativas
Conceito
	Trata-se de obrigação simples, em que é devida uma única prestação, ficando, porém, facultado ao devedor, e só a ele, exonerar-se mediante o cumprimento de prestação diversa e predeterminada. É obrigação com faculdade de substituição. O credor só pode exigir a prestação obrigatória, que se encontra in obligatione. O código civil não trata dessas obrigações, porque não deixam de ser alternativas para o devedor e simples para o credor.
Características e efeitos
	Ao contrário do que ocorre com a dação em pagamento, não necessita do consentimento do credor para realizar uma prestação diferente da devida.
	Se perece o único objeto in obligatione sem culpa do devedor, resolve-se o vínculo obrigacional, não podendo o credor exigir a prestação acessória. Se a impossibilidade se referir à segunda prestação, a obrigação manter-se-á em relação à prestação devida, apenas desaparecendo para o devedor a possibilidade de substituí-la por outra.
Das obrigações divisíveis e indivisíveis
Conceito de obrigação divisível e indivisível
Artigo 258. “A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico”.
As obrigações divisíveis e indivisíveis são compostas pela multiplicidade de sujeitos. Havendo um só credor e um só devedor, seria irrelevante averiguar-se se é ou não divisível.
Obrigação divisível:
Cada um dos credores só tem o direito de exigir sua fração no crédito.
Cada um dos devedores só tem que pagar a própria quota.
Se o devedor solver integralmente a dívida a um só dos credores, não se desobrigará com relação aos demais.
O credor que recusar o recebimento de sua quota, por pretender solução integral, pode ser constituído em mora.
A insolvência de um dos codevedores não aumentará a quota dos demais.
A suspensão da prescrição, especial a um dos devedores, não aproveita aos demais.
A interrupção da prescrição por um dos credores não beneficia os outros; operada contra um dos devedores não prejudica os demais.

Espécies de indivisibilidade
	Os bens divisíveis podem se tornar indivisíveis pela lei ou por vontade das partes. Temos três causas de indivisibilidade para as obrigações: a natureza da prestação, a disposição da lei e a vontade humana expressa em testamento ou em contrato. A primeira constitui a indivisibilidade propriamente dita; as duas últimas são apenas exceções à divisibilidade.
A indivisibilidade em relação às várias modalidades de obrigações
	A divisibilidade ou indivisibilidade das várias modalidades de obrigação depende da natureza de sua prestação, visto que a classificação é aplicável a qualquer espécie de relação obrigacional. Por se tratar de mera questão de fato, a definição se dará pela análise da natureza do objeto da prestação.
Efeitos da divisibilidade e da indivisibilidade da prestação
Pluralidade de devedores
Artigo 259. “Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. Parágrafo único: o devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados”.
Pluralidade de credores
Artigo 260. “Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I – a todos conjuntamente; II – a um, dando este caução de ratificação dos outros credores”.
	Se um só dos credores receber sozinho o objeto, poderá cada um dos demais exigir desse credor a parte que lhe cabe, em dinheiro.
Artigo 262. “Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só poderão exigir, descontada a quota do credor remitente”.
Perda da indivisibilidade
Artigo 263. “Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos”.
	Se houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais, se for só de um a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.
	Se indivisível o objeto do direito ou da obrigação, o defeito do ato quanto a uma das partes se propaga às demais e o ato não subsiste em ponto algum.
Das obrigações solidárias
Conceito e características
Artigo 264. “Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito ou obrigado, à dívida toda”.
	A solidariedade só se manifesta na relação externa. Não se fala em caução de ratificação. A solidariedade não se presume, decorre da lei ou da vontade das partes, deve estar expressa.
Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.
Diferenças entre solidariedade e indivisibilidade
Matheus Botelho fez um comentário
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    Matheus Botelho fez um comentário
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