Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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Assemelham-se por um só aspecto: em ambos os casos, o credor pode exigir de um só dos devedores o pagamento da totalidade do objeto devido. Diferem por várias razões:
O devedor solidário é devedor do todo. Nas obrigações indivisíveis, o codevedor só deve sua quota-parte, somente pode ser compelido ao pagamento do todo porque é impossível fracionar o objeto.
Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. Na solidariedade, no entanto, tal não ocorre.
A solidariedade advém da lei ou do contrato, a indivisibilidade resulta da natureza da coisa.
A solidariedade consiste em reforçar o direito do credor, a indivisibilidade destina-se a tornar possível a realização unitária da obrigação.

Espécies de obrigações solidárias
	O código civil disciplinou apenas as solidariedades passiva e ativa, não estabelecendo regras para a mista.
Da solidariedade ativa
 Conceito
	Solidariedade ativa é a relação jurídica entre credores de uma só obrigação e o devedor comum, em virtude da qual cada um tem o direito de exigir deste o cumprimento da prestação por inteiro. Pagando o débito a qualquer um dos cocredores, o devedor se exonera da obrigação.
	O devedor conserva-se estranho à partilha, não podendo pretender pagar ao postulante apenas uma parte, a pretexto de que teria de ser rateada entre todos a importância paga. Na conta bancária conjunta encontra-se exemplo dessa espécie. Todavia, os cotitulares não são devedores solidários perante o portador de cheque emitido por qualquer um deles sem suficiente provisão de fundos.
Características da solidariedade ativa
Artigo 267. “Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro”.
Artigo 268. “Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer deles poderá este pagar”.
	O devedor obriga-se a pagar ao primeiro dos credores que reclamar a solução da dívida. Se a outro efetuar o pagamento, estará pagando mal e poderá pagar outra vez. Se todos os credores ajuizarem conjuntamente a demanda, não terá havido concentração e o devedor conservará a sua liberdade de escolha.
Disciplina legal
Artigo 270. “Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível”.
	Todavia, nas seguintes hipóteses, poderá ser reclamada a prestação por inteiro: a) se o credor falecido só deixou um herdeiro; b)se todos os herdeiros agem conjuntamente; c)se indivisível a prestação.
	Logo, o vínculo solidário, depois da partilha, não tendo o herdeiro, no crédito, senão uma parte divisa, perdeu em relação a ele a eficácia e extensão originária. Somente lhe é devida, e somente pode ser por ele exigida, a quota correspondente a seu quinhão hereditário.
Artigo 273. “A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros”.
	Dentre as exceções pessoais que podem ser arguidas, as mais comuns são: vícios de consentimento (erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo), incapacidade jurídica, inadimplemento de condição que lhe seja exclusiva, moratória, etc.
	Podem ser opostas, ainda, exceções objetivas, como as concernentes ao próprio negócio, como inexistência de causa, objeto ilícito, impossibilidade da prestação, extinção da obrigação, etc.
Artigo 274. “O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais; o julgamento favorável aproveita-lhes, a menos que se funde em exceção pessoal ao credor que o obteve”. (não aproveitará aos demais credores, por exemplo, o julgamento favorável ao único credor que cumpriu a condição suspensiva ao qual o pagamento estava subordinado).
Extinção da obrigação solidária
Artigo 269. “O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago”.
	Do contrário, se os demais credores conservassem contra o devedor direito de crédito, apesar do pagamento feito a um deles, haveria mais de um pagamento integral da dívida, contrariando a própria definição da solidariedade, segundo a qual o devedor deve a muitos, mas só deve uma vez.
Direito de regresso
	Nas relações internas dos credores entre si vigora o princípio da comunidade de interesses. A prestação, paga por inteiro pelo devedor comum, deve ser partilhada entre todos os credores, por aquele que a tiver recebido.
Artigo 272. “O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba”.
	A prestação paga por inteiro pelo devedor em comum deve ser dividida entre todos os credores por aqueles que a tiver recebido e que se tornou, assim, responsável pelas cota-partes dos demais. O recebimento converte o credor em devedor aos cocredores, relativamente à parte de cada um na coisa devida, para cujo cumprimento têm estes ação.
	A remissão levada a efeito pelo credor libera o devedor, mas o remitente se coloca no lugar deste, no tocante às quotas dos outros credores, que não podem perder o que, por lei e convenção, lhes pertence, sem ato seu. Se a obrigação for nula quanto a um dos cocredores, sua parte será deduzida do todo, ficando tal credor excluído do rateio.
Da solidariedade passiva
Conceito e características
	A obrigação solidária passiva pode ser conceituada como a relação obrigacional, oriunda da lei ou de vontade das partes, com multiplicidade de devedores, sendo que cada um responde na totalidade pelo cumprimento da prestação, como se fosse o único devedor. Cada devedor está obrigado à prestação na sua integralidade, como se tivesse contraído sozinho o débito. Assim, na solidariedade passiva, unificam-se os devedores, possibilitando ao credor, para maior segurança do crédito, exigir e receber de qualquer deles o adimplemento, parcial ou total, da dívida comum.
	Se quiser, poderá o credor exigir parte do débito de cada um dos devedores separadamente. O credor pode dirigir-se à sua vontade contra qualquer dos devedores e pedir-lhes toda a prestação (CC, art.275). o devedor escolhido, estando obrigado pessoalmente pela totalidade, não pode invocar o beneficium divisionis. Uma vez conseguida de um só toda a prestação, todos os outros ficam livres. O credor quando tenha agido sem resultado ou com resultado parcial contra um ou vários, pode depois agir ainda contra os outros até completa execução da prestação. Se a prestação se torna impossível por culpa ou durante a mora de um ou de vários devedores, as consequências do fato culposo devem recair sobre o seu autor, mas não podem por outro lado servir para libertar os outros obrigados solidariamente.
Direitos do credor
	 O credor, propondo ação contra um dos devedores solidários, não fica inibido de acionar os outros. O devedor demandado pela prestação integral pode chamar os outros ao processo, não só para que o auxiliem na defesa, mas também para que a eventual sentença condenatória valha como coisa julgada por ocasião do exercício do direito de regresso contra os codevedores. Mesmo se forem vários os codevedores condenados, poderá o credor mover a execução contra apenas um deles, conforme o seu interesse, penhorando-lhe os bens.
Efeitos da morte de um dos devedores solidários
Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.
	A morte de um dos devedores solidários não rompe a solidariedade, que continua a onerar os demais codevedores. Se a obrigação for indivisível, cessa a regra que prevê o fracionamento, entre os herdeiros, da quota do devedor solidário falecido. Cada um será obrigado pela dívida toda.
	Sendo os herdeiros acionados coletivamente, solidários são, ainda que já se tenha verificado a partilha, porque representam um dos devedores solidários.
Relações entre os codevedores
Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
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