Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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não tem o direito de exigir a prestação, e o devedor não está obrigado a pagar. Na obrigação natural não cabe o pedido de restituição da importância paga.
Obrigação natural
Conceito e características
	Ter-se-á obrigação natural sempre que se possa afirmar que uma pessoa deve a outra determinada prestação por um dever de justiça, devido à existência anterior de um débito inexigível e não por um dever de consciência.
Natureza jurídica da obrigação natural
	Inúmeras teorias surgiram a respeito da natureza jurídica da obrigação natural. A mais aceita pela doutrina é a teoria clássica ou tradicional, que considera a obrigação natural uma obrigação imperfeita. Sustentam os seus adeptos que a obrigação natural é obrigação civil desprovida de ação judicial e de qualquer exigibilidade.
	Segundo Caio Mário, a obrigação natural é uma entidade intermediária entre o mero dever de consciência e a obrigação juridicamente exigível. É mais do que um dever moral e menos do que uma obrigação civil.
Casos de obrigação natural no direito brasileiro
	Os casos de obrigações naturais típicas são dois: dívidas prescritas (art.882) e dívidas de jogo (art.814), que são inexigíveis. Ensina Pontes de Miranda: ninguém deve por perder em jogo proibido, ou em aposta proibida. Quem perdeu em jogo não proibido, ou em aposta não proibida, deve, porém, contra essa pessoa não há pretensão nem ação.
	Não se pode exigir reembolso do que se emprestou para jogo, ou aposta, no ato de apostar ou jogar (art.815). Para que a dívida se torne incobrável é necessário que o empréstimo tenha ocorrido no momento da aposta ou do jogo. Podem ser cobrados, no entanto, os empréstimos contraídos posteriormente, para pagar tais dívidas.
	São obrigações naturais não apenas as dispostas em lei, mas todas as obrigações em que, por motivo de equidade, não se permita a repetição do que foi pago. Há de se ter cuidado para não confundi-las com as obrigações morais, as obrigações naturais tem fonte jurídica precisa, encerrando uma relação creditória que justifica a prestação como algo devido.
Efeitos da obrigação natural
	O principal efeito da obrigação natural consiste na validade de seu pagamento. Outro efeito inegável é a irrepetibilidade do pagamento. Não há impedimento a que a obrigação natural seja cumprida mediante dação em pagamento.
	Segundo considerável parte da doutrina, não comportam elas novação, porque o seu pagamento não pode ser exigido compulsoriamente. Não se pode revitalizar ou validar relação obrigacional juridicamente inexigível. A matéria é controvertida, havendo entendimentos contrários a este. A compensação não é admitida pela doutrina. Não comporta fiança, pois esta é de natureza acessória e segue o destino da principal, não podendo existir sem uma obrigação civil válida e exigível. A execução parcial da obrigação natural não autoriza o credor a reclamar pagamento do restante.
Das obrigações de meio, de resultado e de garantia
Obrigação de meio e de resultado
	Quanto ao fim a que se destina, a obrigação pode ser de meio, de resultado e de garantia. A obrigação é de meio quando o devedor promete empregar seus conhecimentos, meios e técnicas para a obtenção de determinado resultado, sem responsabilizar-se por ele.
	Quando a obrigação é de resultado, o devedor dela se exonera somente quando o fim prometido é alcançado. Não o sendo, é considerado inadimplente, devendo responder pelos prejuízos decorrentes do insucesso.
	Na obrigação de meio, o inadimplemento somente acarreta a responsabilidade do devedor se comprovada sua negligência ou imperícia no emprego desses meios. Na de resultado, em que o objetivo final é da essência do ajuste, somente mediante prova de algum fato inevitável capaz de romper o nexo causal, equiparado à força maior, ou de culpa exclusiva da vítima, pode o devedor exonerar-se caso não tenha atingido o fim a que se propôs.
	Não se eximirá da responsabilidade provando apenas ausência de culpa. Incumbe-lhe o ônus de demonstrar que o evento se verificou por força maior, causa estranha ao transporte e equiparada ao fortuito, culpa exclusiva da vítima ou, ainda, fato exclusivo de terceiro.
	O cirurgião plástico assume obrigação de resultado porque o seu trabalho é, em geral, de natureza estética. No entanto, em alguns casos a obrigação continua sendo de meio, como no atendimento a vítimas deformadas ou queimadas em acidentes.
Obrigação de garantia
	Obrigação de garantia é a que visa a eliminar um risco que pesa sobre o credor, ou as suas consequências. Em regra, a obrigação de garantia se apresenta como subespécie da obrigação de resultado, pois o vendedor, sem que haja culpa sua, estará adstrito a indenizar o comprador evicto, por exemplo: a seguradora, ainda que o incêndio do bem segurado tenha sido provocado dolosamente por terceiro, deverá indenizar o assegurado. O devedor não se libera nem em caso de força maior, uma vez que o conteúdo da obrigação é a eliminação de um risco, que por sua vez, é um acontecimento casual, alheio à vontade do obrigado.
Das obrigações de execução instantânea, diferida e continuada.
	Quanto ao momento em que devem ser cumpridas, as obrigações classificam-se em: a) de execução instantânea, que se consuma num só ato, sendo cumprida imediatamente após sua constituição, como na compra e venda à vista; b) de execução diferida, cujo cumprimento deve ser realizado também em um só ato, mas em momento futuro; c) de execução continuada, periódica ou de trato sucessivo, que se cumpre por meio de atos reiterados, como sucede na prestação de serviços, na compra e venda a prazo ou em prestações periódicas etc.
Das obrigações puras e simples, condicionais, a termo e modais
Obrigações puras e simples
	Os elementos estruturais são indispensáveis à existência do ato e por isso são chamados de elementos essenciais. São eles: a declaração de vontade, a coisa, o preço e o consentimento na compra e venda, por exemplo.
	Elementos naturais são as consequências ou efeitos que decorrem da própria natureza do negócio, sem necessidade de expressa menção. Assim, por exemplo, o lugar do pagamento, quando não convencionado (art.327).
	Elementos acidentais consistem em estipulações acessórias, que as partes podem facultativamente adicionar ao negócio, para modificar alguma de suas consequências naturais, como a condição, o termo e o encargo ou modo (arts. 121, 131 e 136).
	Os elementos essenciais decorrem da lei, os acidentais dependem da vontade das partes. Quanto aos elementos acidentais, as obrigações dividem-se em: puras e simples, condicionais, a termo e modais ou com encargo.
	Obrigações puras e simples são as não sujeitas a condição, termo ou encargo. São as que produzem efeitos imediatos, logo que contraídas.
Obrigações condicionais
	São condicionais as obrigações cujo efeito está subordinado a um evento futuro e incerto. Condição é o acontecimento futuro e incerto de que depende a eficácia do negócio jurídico (art. 121). Da sua ocorrência depende o nascimento ou a extinção de um direito.
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto.
	É necessário: a)que a cláusula seja voluntária; b) que o acontecimento a que se subordina a eficácia ou a resolução do ato jurídico seja futuro; c) que também seja incerto. A incerteza não deve existir somente na mente da pessoa, mas na realidade, deve ser incerteza para todos e não apenas para o declarante.
	O Código Civil, nos artigos 122 e 123, proíbe expressamente as condições que privarem de todo efeito o ato (perplexas); as que o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes (puramente potestativas); as impossíveis, que sejam fisicamente impossíveis, ou juridicamente impossíveis; e as incompreensíveis ou contraditórias.
	As condições podem ser consideradas sob três estados. Enquanto não se verifica ou não se frustra o evento futuro e incerto, a condição encontra-se pendente. A verificação da condição chama-se implemento.
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