Resumo de Direito das Obrigações
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Resumo de Direito das Obrigações

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cedido for insolvente. Nesta última modalidade, portanto, o cedente assume o risco da insolvência do devedor. Ficando, porém, responsável pela solvência, responsabilizar-se-á apenas pelo que recebeu.
Formas
	Em regra, a cessão convencional não exige forma especial para valer entre as partes, salvo se tiver por objeto direitos em que a escritura pública seja da substância do ato, caso em que a cessão efetuar-se-á também por escritura pública.
	Para valer contra terceiros, entretanto, o artigo 288 do código civil exige “instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades” do §1o do artigo 654.
Notificação do devedor
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.
	A necessidade de notificação ganha relevo quando se admite que o devedor pode impugnar a cessão e opor as exceções cabíveis no momento em que tenha conhecimento da operação. Não constitui ela um requisito de validade da cessão, como poderia depreender-se da interpretação literal do texto, mas apenas uma condição para sua eficácia em relação ao devedor. Se este, ignorando a cessão, pagar ao credor primitivo, o pagamento considera-se bem feito, em homenagem à boa-fé do devedor, que se considera definitivamente desonerado. O credor primitivo que recebeu a prestação dispôs de direito alheio, enriquecendo-se ilicitamente às custas do cessionário. E terá, consequentemente, que restituir ao lesado tudo quanto indevidamente recebeu do devedor.
	Qualquer dos intervenientes, cessionário ou cedente, tem qualidade para efetuar a notificação, que pode ser judicial ou extrajudicial. Mas o maior interessado é o cessionário, pois o devedor ficará desobrigado se, antes de ter conhecimento da cessão, pagar ao credor primitivo (art.292).
	Se não notificado, a cessão é inexistente para ele, e válido se tornará o pagamento feito ao cedente. Mas não se desobrigará se este pagar depois de cientificado da cessão. Ficará desobrigado, também, no caso de lhe ter sido feita mais de uma notificação, se pagar ao cessionário que lhe apresentar o título comprobatório da obrigação.
	A notificação pode ser expressa ou presumida. É da primeira espécie quando o cedente ou o cessionário toma iniciativa de comunicar ao devedor. Presumida é a que resulta da espontânea declaração de ciência do devedor, em escrito público ou particular.
	O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente (art.294). Se, notificado da cessão, não opõe, nesse momento, a exceções pessoais que tiver contra o cedente, não poderá mais argui-las contra o cessionário. Poderá, no entanto, alegar contra qualquer deles, a qualquer tempo, vícios que, por sua natureza, afetam diretamente o título ou ato, tornando-o nulo ou anulável. Se não foi notificado, poderá opor ao cessionário as exceções que tinha contra o cedente, antes da transferência.
Responsabilidade do cedente
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.
	A responsabilidade imposta pela lei ao cedente não se refere à solvência do devedor.
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.
Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.
	Se a cessão tiver sido efetuada a título gratuito, o cedente só responde se tiver procedido de má-fé, conhecendo a sua inexistência ou o fundamento da sua nulidade no momento em que o cedeu.
	Garantir a existência do crédito significa assegurar a titularidade e a validade ou consistência do direito adquirido. O cedente garante, pois, que o crédito não só existe, mas não está prejudicado por exceção, nem sujeito a impugnação ou compensação – fatos que comprometeriam a sua existência ou valor jurídico.
Da assunção de dívida
Conceito
	Trata-se de negócio jurídico pelo qual o devedor transfere a outrem sua posição na relação jurídica. É um negócio jurídico bilateral, pelo qual o devedor, com anuência expressa do credor, transfere a um terceiro, que o substitui, os encargos obrigacionais, de modo que este assume sua posição na relação obrigacional, responsabilizando-se pela dívida, que subsiste com os seus acessórios.
Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava.
Características e pressupostos
	O que caracteriza a assunção de dívida é, precipuamente, o fato de uma pessoa, física ou jurídica, se obrigar perante o credor a efetuar a prestação devida por outra.
	Na assunção de dívida, a pessoa do devedor é de suma importância para o credor, não só em relação às suas qualidades e exação no cumprimento dos deveres, como também no que diz respeito à idoneidade patrimonial, podendo não lhe convir a substituição de devedor solvente por outra pessoa com menos possibilidade de cumprir a prestação. Por tal razão, o consentimento do credor deve ser expresso (art. 299, primeira parte).
	A assunção de dívida pode resultar de ajuste entre terceiro (assuntor) e o credor ou entre aquele e o devedor, com anuência do credor. Pode ser objeto da cessão todas as dívidas, presentes e futuras, salvo as que devem ser pessoalmente cumpridas pelo devedor.
Assunção de dívidas e institutos afins
Assunção de dívida e promessa de liberação do devedor
	A semelhança entre a assunção de dívida e a promessa de liberação está no ponto em que, em ambas as situações, uma pessoa se compromete a efetuar uma prestação devida por outrem. A diferença entre elas resulta, todavia, da circunstancia de “a promessa de liberação ser efetuada perante o devedor, não tendo o credor nenhum direito de exigir o seu cumprimento, enquanto na assunção de dívida a obrigação é contraída perante o credor, que adquire o direito de exigir do assuntor a realização da prestação devida.
Assunção de dívida e novação subjetiva por substituição do devedor
	Em ambas as hipóteses ocorre a substituição do primitivo devedor por outra pessoa no dever de cumprir a prestação a que o credor tem direito. A diferença reside no fato de a novação acarretar a criação de obrigação nova e a extinção da anterior, e não simples cessão de débito. A consequência primordial resultante da distinção é que na novação, desaparecendo a dívida anterior, perecem as garantias e acessórios do crédito assim novado.
Assunção de dívida e fiança
	A assunção de dívida guarda acentuada afinidade, igualmente, com a fiança, pois tanto o fiador como o assuntor se obrigam perante o credor a realizar uma prestação devida por outrem. Todavia, distinguem-se pelo fato de a fiança constituir, em regra, uma obrigação subsidiária: o fiador goza do benefício da excussão, só respondendo se o devedor não puder cumprir a prestação prometida (art.827). mesmo que se tenha obrigado como principal pagador, o fiador responde sempre por uma dívida alheia.
	O assuntor em regra é o único obrigado, salvo o caso de assunção cumulativa, respondendo por dívida própria, que assumiu ao fazer sua a dívida que antes era alheia. O fiador que paga integralmente a dívida fica sub-rogado nos direitos do credor, por se tratar de terceiro interessado. O assuntor que paga a dívida não desfruta do mesmo benefício porque cumpre obrigação própria.
	Com a assunção de dívida por terceiro, extinguem-se as garantias especiais originariamente dadas pelo devedor primitivo ao credor, salvo se expressamente assentir
Jéssica Thaís Fossa fez um comentário
  • Alguém possui este material pra me enviar por e-mail? Achei ele muito bom e me ajudaria muito... meu e-mail é jethais1@hotmail.com Agradeço de coração
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    Hugo Oliveira fez um comentário
  • por favor alguém pode me enviar esse material por e-mail ? Vai salvar meu semestre kkkkkkkkkkk
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Alguém conseguiu por email?
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    Matheus Botelho fez um comentário
  • Como faço para imprimir?
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