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PONTO 9

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de um contrato que não se sabia contrário ao direito.

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– Erro acidental

Erro de menor importância / periférico
Ex.: Cor de veículo
Erro (subjetivo) ≠ vício redibitório (objetivo)
Ex.: relógio dourado por de ouro = erro
Relógio de outro que não funciona = vício redibitório
– Outras questões

Erro à transmissão defeituosa da vontade (interposta pessoa, mensagem truncada) – art. 141
Falso motivo como vício, quando expresso como razão determinante do negócio – art. 140 (Ex.: Testamento)

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O erro na indicação da pessoa ou coisa, não viciará o negócio quando, pelas circunstâncias, se puder identificar a pessoa ou coisa cogitada (art. 142). Ex.: Enfermeira, beneficiária de uma doação

Erro de cálculo – CC, art. 143 – não invalida. Admite retificação.

O erro não prejudica a validade do negócio, se a outra parte se oferecer a executar o negócio de acordo com a vontade real do manifestante (art. 144) – Erro sanável

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A figura do INTERESSE NEGATIVO:

Refere-se aos dispêndios realizados na perspectiva da celebração ou de execução de um negócio jurídico. Isto é, o figurante que desconhecia o erro, em que o outro incidiu e que sofreu prejuízo por haver confiado razoavelmente na validade do negócio jurídico, depois de anulado, faz jus à indenização do interesse negativo.

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C.3 – Dolo
Conceito
É o comportamento que induz ou mantém alguém em erro.

ERRO + DOLO

Espécies
a) Principal / essencial
	- tem o condão de anular o ato (art. 145)
a) Acidental
	- periférico, não anula o ato
	- o negócio apenas seria realizado de outro modo
	- gera apenas perdas e danos (art. 146)

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Dolo de terceiro (art. 148)
Exemplo?

Se a parte a quem aproveita teve ou devesse ter conhecimento ANULAÇÃO

Se não teve conhecimento PERDAS E DANOS 				CONTRA O TERCEIRO

A propósito:
“dolus bonus” – emprego de uma “esperteza”, sem intenção de prejudicar
“dolus malus”

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Dolo do representante (art. 149)
Representante convencional: responsabilidade solidária
Ex.: Contrato de permuta
A questão da
própria torpeza
Dolo bilateral (art. 150)
Anulam-se reciprocamente.
Dolo por omissão
Dolo negativo / omissão dolosa
Silêncio intencional, sem o qual o negócio não teria sido celebrado
Princípio da boa-fé
Ex.: Compra e venda / seguro de vida

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C.4 – Coação
Conceito
violência psicológica / ameaça / pressão

Requisitos (art. 151)
a) Deve ser a causa do ato
	- relação de causalidade
b) Deve ser grave
	- fundado temor (justo receio de dano)
	- critério do homem médio (padrão abstrato) x critério do caso concreto (art. 152 : idade, condição, saúde, temperamento, etc.)
	- O simples “temor reverencial”
	- A ameaça de “exercício normal de um direito” (art. 153)

Absoluta / física (“vis absoluta”) - NULIDADE
Relativa / moral (“vis compulsiva”) - ANULABILIDADE

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c) Deve ser injusto
	- ilícita
	- o abuso do diteito (o “lícito ilícito”)

d) Deve ser atual / iminente

e) Deve ser dirigida a trazer malefício à pessoa, bens ou família da vítima
	- compreensão de família?
	- pessoas que não são da família (namorado (a), amigo íntimo – art. 151, § ún.)
– Coação exercida por 3º (art. 154)
Se a parte conhecia a coação – ANULAÇÃO
Se desconhecia: perdas e danos contra terceiro (art. 155)

– Teoria da convalidação

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C.5 – Estado de perigo
Conceito
Alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, assume obrigação excessiva (art. 156)

Pessoa que não pertence à família? (art. 156, pár. ún.)

Elementos

A teoria de Carlos R. Gonçalves / Tereza A. Lopez – o caso de a outra parte nao estar de má-fé. Possibilidade de redução equitativa.
- A outra parte aproveita-se do estado de perigo
Estado de perigo ≠ Coação
Ex.: Sequestro / Hospital
a) objetivo: assunção de obrigação onerosa
b) subjetivo: propósito de salvar-se

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C.6 – Lesão
Conceito
Alguém obtém lucro exagerado, e a outra parte desvantagem excessiva, por inexperiência do prejudicado (art. 157).

Elementos

Deve haver manifesta desproporção
a) objetivo: desproporção

b) subjetivo: inexperiência / estado de necessidade
Dolo de aproveitamento?
≠ do Estado de Perigo inexperiência
- Não haverá a anulação se a parte beneficiada concordar em reduzir o proveito (art. 157, § 2º)

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Histórico:
Trata-se de prejuízo resultante da enorme desproporção existente entre as prestações de um contrato.
O instituto se presta a reprimir a exploração usurária de um contratante.
Direito Canônico: lesão enormíssima – 2/3 do valor da coisa
 lesão enorme – mais de ½ do valor da coisa
Lesão enorme: desproporção evidente e exagerada
Lesão: sem vinculação a determinada proporção ou grau.

Ordenações Portuguesas; Dec.-lei 868/1938; Lei 1521/1951 – crimes contra a economia popular – lesão de cunho subjetivo. Art. 4º – crime – usura pecuniária ou real.

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Analogia: a Lei da Economia Popular era aplicada aos contratos em geral.

Código de Defesa do Consumidor: lesão nas relações de consumo – Lei 8.078/1990 – arts. 39, V, 51, IV e § 1º, III – prática abusiva.

Art. 6º, V – prestações desproporcionais
Art. 39, V – exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva
Art. 51, IV – nulas as cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que sejam incompatíveis com a boa-fé e a equidade
Art. 51, § 1º - presunções de exagero da vantagem

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Características:
Objetivo ou material – desproporção das prestações (metade do preço) avençadas.

Subjetivo ou imaterial ou anímico – premente necessidade ou a leviandade (da parte lesada) e o dolo de aproveitamento (da parte beneficiada)

Dispõe de imóvel a baixo preço;
Inexperiência e leviandade
Dolo de aproveitamento – obtenção de vantagem exagerada
Arts. 478 e 478 do CC

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USURA REAL (art. 171 do CC):
STJ, REsp 434.687/RJ – Civil. Compra e venda. Lesão. Desproporção entre o preço e o valor do bem. Ilicitude do objeto (rel. Min. Fernando Gonçalves, 4ª T., j. 16/09/2004).

TJSP, Ap. Civ. 1.240.408.006 – (...) Negócio celebrado com senhora octogenária, iletrada e sem nenhuma experiência em negócios, aparentemente iludida por promessas da nora e dos netos, com os quais contratou - Situação ensejando a aplicação do instituto da lesão, previsto no art. 157 do CC - Mácula cujo reconhecimento pode implicar, licitamente, nos termos do §2° daquele dispositivo, a revisão da prestação considerada lesiva, por admitido esse efeito pela parte favorecida (...) (rel. Des. Ricardo P. Mello Belli, 25ª Câm. Dir. Priv., j. 05/05/2009).

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Distinção entre os institutos

Lesão: A parte tem noção da desproporção dos valores
Erro: O agente ignora a realidade ou tem dela uma falsa ideia.
Lesão: Aproveita-se de uma situação especial, como necessidade ou inexperiência, não havendo necessariamente induzimento da vítima a erro.
Dolo: Induz-se a vítima em erro mediante artifício.
Estado de perigo: A vítima ou alguém da sua família corre risco de dano físico ou patrimonial.

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Distinção entre os institutos

Lesão: A vítima decide por si só, pressionada apenas pelas circunstâncias especiais provenientes da necessidade ou inexperiência.
Coação: A vítima não age livremente, manifestando sua vontade de forma viciada.
Lesão ≠ Onerosidade excessiva
A onerosidade excessiva decorre de um acontecimento imprevisível e extraordinário, capaz de modificar a situação de fato existente à época da formação do contrato.

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Espécies de Lesão:

No Direito brasileiro, embora o Código Civil não cuide das espécies de lesão, a doutrina denomina a lesão:

Usurária ou real (usura pecuniária) – quando a lei exige, além da necessidade ou inexperiência do lesionado, o dolo de aproveitamento da outra parte, como constava do art. 4º, “b”, da Lei de Economia Popular, que tinha a seguinte redação:

	“OBTER, ou ESTIPULAR,