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PONTO 9

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em qualquer contrato, abusando da premente necessidade, inexperiência ou leviandade de outra parte, lucro patrimonial que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestação feita ou prometida.”

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Espécies de Lesão:

Lesão – especial ou enorme – quando a lei limita-se à mesma exigência de obtenção de vantagem exagerada ou desproporcional, sem indagação da má-fé ou da ilicitude do comportamento da parte beneficiada (CC 2002 – não se importa com a má-fé, dando ênfase à justiça contratual). A lesão do art. 157 do CC não exige dolo de aproveitamento.

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Conceito
Vício social – não conduz a um descompasso entre o íntimo querer do agente e a sua declaração. Vontade – corresponde ao seu real intento: desejo de prejudicar terceiros (credores).
Assenta-se no Direito das Obrigações (CC, art. 391)

Princípio da Responsabilidade Patrimonial (CC, art. 957)
Desfazimento do patrimônio causando insolvência
E o terceiro adquirente de boa-fé?
C.7 – Fraude contra credores

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Fraude
Todo ato suscetível de diminuir ou onerar o próprio patrimônio, reduzindo ou eliminando a garantia.
Assenta-se no Direito das Obrigações (CC, art. 391)

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Elementos
1. Subjetivo:
“Consilium fraudis” – má-fé do 3º – proteção do 3º de boa-fé e desconhecimento da situação de insolvência (ciência ou motivos)
CC, art. 159 – presume a má-fé – insolvência notória ou se houver motivo para ser conhecida do outro contratante.

Insolvência notória – título protestado, protestos judiciais, negativação, execuções, etc.

Motivos para conhecer – situação financeira precária – clandestinidade do ato, bens na posse do devedor quando deveriam passar ao 3º, falta de causa, parentesco ou afinidade, preço vil, alienação de todos os bens.
– Prova: indícios e presunções

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Elementos
2. Objetivo:
“Eventus damni” – prejuízo decorrente da insolvência – ação pauliana ou revocatória – prova nas transmissões onerosas

Eventus damni
Consilium fraudis

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Hipóteses legais: CC, art. 158
1. Atos de transmissão gratuita de bens:
Doações, renúncia de herança, renúncia de usufruto, transações e não reconhecimento de dívidas, aval de favor, promessa de doação, etc.
Neste caso, a lei presume o propósito de fraude.
Direito dos credores – direito dos donatários

2. Remissão de dívidas:
Ou perdão de dívida
Créditos ou dívidas ativas – constituem parte do patrimônio

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– O terceiro de boa-fé
Quem é?

Se adquiriu bens mas ainda não pagou, se desobriga depositando em juízo o valor da obrigação (art. 160)

Compra de devedor notório ou com motivo para ser conhecida a insolvência – o adquirente será presumido de má-fé (art. 159)

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Hipóteses legais: CC, art. 158
3. Atos de transmissão onerosa:
Além da insolvência “eventus damni” – conhecimento dessa situação – terceiro adquirente – notória ou existência de motivos.

4. Pagamento antecipado de dívida:
CC, art. 162 – credor quirografário – crédito decorrente de um título ou documento escrito. Ele não tem uma garantia especial. Só tem a geral ou genérica.
Objetivo legal: colocar os credores em situação de igualdade.

5. Concessão fraudulenta de garantia:
CC, art. 163 – credor quirografário – garantias reais – penhor, anticrese ou hipoteca. O credor com garantia fica numa situação privilegiada.

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– Regulamentação
Transmissão onerosa / gratuita / remissão de dívida (art. 158)
Devedor insolvente, ou por esses atos reduzidos à insolvência
Também configura: PAGAMENTO DE DÍVIDA NÃO VENCIDA
Necessidade de serem colocados em pé de igualdade todos os credores
Este credor é obrigado a devolver o valor em favor do acervo do concurso de credores (art. 162)
Também configura: outorga de garantia suplementar a um credor (art. 163). Garantia é anulada (art. 165, pár. ún.)

Presumem-se de boa-fé as vendas ordinárias indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família (art. 164)

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Em síntese:

	O requisito o “consilium fraudis” só é exigido nas alienações onerosas. Nas demais hipóteses, presume-se a má-fé.

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A AÇÃO PAULIANA

É a ação para impugnar atos fraudulentos.

Natureza jurídica: desconstitutiva do negócio jurídico.

	Para os que sustentam a ineficácia do negócio fraudatório perante o credor, mas mantendo a validade entre os contratantes, a ação tem natureza declaratória de ineficácia. Súmula 195 do STJ – tese da anulabilidade – desconstitutiva.

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A AÇÃO PAULIANA

A) Legitimidade ativa
	- Credores quirografários (CC, art. 158)
	- Só credores que já o eram ao tempo da alienação (CC, art. 158, § 2º)
	- Credor com garantia real (CC, art. 158, § 1º) – quando a garantia se tornar insuficiente
	- Próprio devedor e fraudador (CPC, art. 46, III)
	- Sucessores – a título singular ou universal

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A AÇÃO PAULIANA

B) Legitimidade passiva
	(CC, art. 161)
	- Devedor insolvente
	- Adquirente
	- Terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé
	- Lembrar do art. 472 do CPC.
	- Litisconsórcio necessário – CPC, art. 47

Fraude não ultimada: Se o preço ainda não tiver sido pago, o adquirente se desobriga depositando o valor (CC, art. 160)

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D. Ratificação dos atos anuláveis
 O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo (CC, art. 169).
 CC, art. 170: produção de efeitos de negócio jurídico nulo – quando contiver os requisitos de outro – aí subsistirá. Ex.: área rural – alienação – por instrumento particular. A forma não foi observada, mas contendo os requisitos da venda, valerá como contrato preliminar.
 CC, art. 172: negócio anulável pode ser confirmado – mas não pode prejudicar direitos de terceiros.
 CC, art. 173: confirmação deve ser expressa

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D. Ratificação dos atos anuláveis
 CC, art. 174: cuida da confirmação tácita. O cumprimento voluntário do negócio, após a ciência do vício;
 CC, art. 175: irrevogabilidade da confirmação;
 CC, art. 176: autorização de terceiro (art. 496);
 CC, art. 177: produção de efeitos até a sentença de anulação;
 CC, art. 178: prazo decadencial;
 CC, art. 179: além dos casos referidos nos incisos I e II do art. 171, serão anuláveis outros negócios jurídicos que a lei assim declarar. E, se a lei não dispuser a respeito do prazo decadencial para a anulação, será de dois anos.