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PONTO 8

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NEGÓCIO
JURÍDICO

Prof. Dr. Artur Marques da Silva Filho
Direito Civil II

Ponto nº 08

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Os ATOS JURÍDICOS produzem os efeitos indicados na norma jurídica, ainda que a pessoa que o praticou não tenha querido a sua irradiação. Correspondem às comunicações de vontade (CC, art. 244 – escolha); reclamação de conduta (CC, art. 397, par. único – interpretação); comunicação de sentimento (CC, art. 561 – perdão), etc.

A) Atos jurídicos “stricto sensu” e negócios jurídicos

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NEGÓCIO JURÍDICO é a manifestação da vontade com intenção de obter consequências práticas desejadas pelo interessado. São efeitos jurídicos queridos.

Atos jurídicos “lato sensu” lícitos.

A) Atos jurídicos “stricto sensu” e negócios jurídicos

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ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO
NEGÓCIO JURÍDICO
Sempre unilateral e potestativo (independe da concordância de terceiros);

Seus efeitos estão previstos na lei e não podem ser alterados pelo agente;

A lei exige manifestação da vontade, em certos casos. Em outros, aceita a mera intenção ou comportamento do agente.

Em regra é bilateral (existem poucos negócios jurídicos unilaterais);

Os efeitos e as condutas são escolhidos pelas partes e por elas autorregulados;

Exige-se vontade qualificada, sem vícios, manifestada por agente capaz.

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A.1) CLASSIFICAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS

A.1.1) Unilaterais / Bilaterais / Plurilaterais

Unilaterais: Aperfeiçoam-se com UMA ÚNICA manifestação da vontade.
		 Ex.: testamento, fundação, resilição de contrato

			Podem se diferenciar em:
	
		- Receptícios: o ato tem de ser conhecido pelo destinatário para produzir efeitos. Ex.: resilição.

		- Não receptícios: tal conhecimento é irrelevante. Ex: fundação.

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Bilaterais: Aperfeiçoam-se com DUAS manifestações de vontade (pessoas ou partes na compra e venda).
		 		Ex.: contrato de compra e venda

Plurilaterais: Envolvem diversas vontades.
				Ex.: contrato social
A.1) Classificação dos negócios jurídicos

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A.1.2) Gratuitos / Onerosos

Gratuitos: Só uma das partes aufere vantagens.
				Ex.: doação simples.

Onerosos: Ambos os contraentes possuem ônus e vantagens recíprocas.
				Ex.: compra e venda.

	O negócio jurídico BIFRONTE pode ser tanto gratuito como oneroso, a depender da vontade das partes. Ex.: depósito.
A.1) Classificação dos negócios jurídicos

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A.1.3) “Inter vivos” / “Mortis causa”

“Inter vivos”: Produz efeitos estando as partes vivas.
					Ex.: mandato.		

“Mortis causa”: Produz efeitos após a morte de uma das partes.
					Ex.: testamento.
A.1) Classificação dos negócios jurídicos

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A.1.4) Principais / Acessórios

Principais: Existem por si só.
				Ex.: locação.		

Acessórios: Sua existência é subordinada à existência dos principais.
				Ex.: fiança.
A.1) Classificação dos negócios jurídicos

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A.1.5) Solenes (formais) / Não solenes (livres)

Solenes ou formais: Devem obedecer a forma prescrita em lei (“ad solemnitatem”).
					Ex.: casamento.		

Não solenes ou livres: Informais, não possuem forma pré-estabelecida em lei.
					Ex.: doação.
A.1) Classificação dos negócios jurídicos

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A.2) INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
Interpretação
	
	- “Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nela consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem” (CC, art. 112).

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A.2) INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
	- “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração” (CC, art. 113).

	- “Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente” (CC, art. 114).
 Negócio jurídico benéfico = gratuito
 Renúncia de herança

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B) Elementos constitutivos e
 pressupostos de validade
B.1) REQUISITOS DE EXISTÊNCIA
B.1.1) Vontade
 expressa ou tácita
(CC, art. 111 – “o silêncio, quando as circunstâncias e a lei autorizarem, importa anuência”).

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B.1) REQUISITOS DE EXISTÊNCIA
B.1.2) Finalidade negocial
 Alteração de uma realidade jurídica
B.1.3) Idoneidade do objeto

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B.2) REQUISITOS DE VALIDADE (CC, ART. 104)
B.2.1) Capacidade do agente
 Incapacidade ≠ falta de legitimação

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B.2) REQUISITOS DE VALIDADE (CC, ART. 104)
B.2.2) Objeto lícito, possível e determinado ( ou determinável)
 Licitude (legal ou moral): ninguém pode a própria torpeza em seu benefício

 Possibilidade (física e jurídica): deve ser absoluta

 Já esteja determinado ou ao menos seja determinável

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B.2) REQUISITOS DE VALIDADE (CC, ART. 104)
B.2.3) Forma prescrita ou não defesa em lei
 Forma prescrita
 Solene / especial (CC, art. 108) (“ad solemnitatem”)
 Não solene / livre
 Defesa em lei

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C) Manifestação e declaração de vontade
C.1) Conceituação
A vontade é pressuposto do negócio jurídico.

Deve se exteriorizar.

A vontade manifestada obriga o contratante (princípio da obrigatoriedade dos contratos)

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C.2) Alcance
Autonomia da vontade – Liberdade das partes de negociar – Regra geral do Direito Privado

Supremacia da ordem pública – Interferência do Estado – Limitações legais à princípio da autonomia.

C) Manifestação e declaração de vontade

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C) Manifestação e declaração de vontade
C.3) Espécies
Expressa – Manifestada por meio da palavra (oral ou escrita), gestos, sinais. Ex.: Contrato verbal ou escrito

Tácita – Revela-se por meio do comportamento do agente. Só permitida se a lei não exige manifestação expressa. 		 Ex.: Ocupação (CC, art. 1.263)

Presumida – A própria lei declara a existência da presunção.
			 Ex.: Entrega do título ao devedor faz presumir o
 pagamento (CC, art. 324)

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C) Manifestação e declaração de vontade
C.4) Modalidades
Declaração receptícia – Dirige-se a pessoa determinada, para levar ao seu conhecimento a intenção do declarante, sob pena de ineficácia. Ex.: Proposta de contrato (CC, arts. 427 e 428)

Declaração não receptícia – Não se dirigem a pessoa específica e produz efeitos independentemente de recepção. 		 Ex.: Promessa de recompensa (CC, art. 854)

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C) Manifestação e declaração de vontade
C.5) Silêncio e manifestação da vontade
Anuência – “O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, E não for necessária a declaração de vontade expressa” (CC, art. 111)
			Ex.: Donatário que não se manifesta no prazo
					(CC, art. 539)

Análise sub judice – O juiz deverá avaliar, no caso concreto, se o silêncio importou em manifestação da vontade.

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Conhecimento da reserva mental?
≠ da Teoria da Vontade?
- “A manifestação de vontade subsiste ainda que seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifesta, salvo se dela o destinatário tiver conhecimento” (CC, art. 110).
C) Manifestação e declaração de vontade
C.6) Reserva mental
- Um dos declarantes oculta sua verdadeira intenção.

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D) Representação legal e voluntária. Efeitos jurídicos

Espécies
 LEGAL – Parte Geral
 CONVENCIONAL – Parte Especial (CC, art. 120)
≠ de assistência

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D) Representação legal e voluntária. Efeitos jurídicos
A manifestação da vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeito com relação ao representado (CC, art. 116).
Anulável o negócio jurídico feito pelo representante em conflito com os interesses do representado, se tal fato era ou devia ser de conhecimento de quem com ele contratou (CC, art. 119).

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Contrato consigo mesmo (autocontrato)
		
	“Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo” (CC, art. 117).
 caso permitido em lei → disposição expressa