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relativa do ar e

a circulação do ar. A massa específica é uma variável de muita importância na taxa

de secagem, pois normalmente quanto maior a massa específica menor a

permeabilidade da madeira e mais lenta deverá ser a sua secagem, seja natural ou

artificial. Segundo a literatura, a velocidade de secagem é inversa a raiz quadrada da

massa específica da madeira. No entanto ocorrem exceções ocasionadas por

características de permeabilidade.

Uma mesma espécie de madeira composta somente de alburno secará mais

rapidamente do que uma madeira composta de cerne, no entanto, a madeira de

alburno apresenta um teor de umidade inicial muito mais elevado que a do cerne.

A madeira quando estiver sendo preparada para secagem deve ser separada

em classes de massa específica, principalmente se for para secagem artificial. O

ideal é que não haja misturas de espécies nas câmaras de secagem.

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4.1.2 ESPESSURA DA MADEIRA

A espessura irá influir diretamente no tempo de secagem propiciando o

surgimento de defeitos na madeira (rachaduras e empenamentos), quando a secagem

não for bem conduzida. Quanto maior a espessura da madeira, maior será o tempo

de secagem. A espessura oferece uma importância muito grande no processo de

secagem, deve-se tomar cuidados na preparação desta madeira, evitando-se a

mistura com espessuras diferentes apesar de mesma espécie.

Segundo a literatura o tempo de secagem de uma madeira pode ser estimado

pela seguinte fórmula:

1
2

1

2
2 T)E

E(T ×=

Onde:

T2 = Tempo de secagem estimado (horas);

E2 = Espessura da madeira à estimar o tempo (cm);

E1 = Espessura da madeira com tempo de secagem conhecido (cm);

T1 = Tempo de secagem da madeira da espessura E1 (horas).

A rapidez da secagem é afetada pela remoção de água da superfície

indiretamente proporcional à espessura da peça de madeira. Quanto maior a

espessura da madeira maior será a quantidade de parede celular à ser atravessada

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4.1.3 TEOR DE UMIDADE INICIAL

A estimativa do teor de umidade inicial é de fundamental importância no

processo de secagem da madeira, principalmente na secagem artificial, pois a

condução da secagem com relação as variáveis envolvidas na programação é

balizada na umidade inicial. Na secagem artificial toda a carga de madeira presente

no interior da câmara deve apresentar um teor de umidade médio muito bem

representado. A carga a ser seca somente irá apresentar uma secagem homogênea se

a umidade inicial for bem determinada. Na Figura 11 pode-se observar a retirada

das amostras para determinação do teor de umidade inicial assim como, a retirada

das as amostras para controle da secagem pelo processo manual.

FIGURA 11 – RETIRADA DAS AMOSTRAS PARA AVALIAR A UMIDADE

 INICIAL AS TENSÕES INTERNAS

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4.1.4 SEPARADORES (TABIQUES)

São peças utilizadas no empilhamento para separar as camadas do material

em secagem de maneira a deixar espaços onde o ar possa circular durante o

processo de retirada da umidade. Os tabiques devem ser obtidos, preferencialmente

de madeiras estáveis e duras, de grã reta e tanto quanto possível isentas de defeitos.

Antes de utilizados devem ser secos em estufas e empilhados longe do solo, bem

apoiado para não deformarem e sua seção transversal deverá ser uniforme em todo

seu comprimento.

A correspondência entre a espessura dos separadores e as peças se devem a

capacidade de evaporação da água que tem a madeira segundo sua espessura.

Igualmente, a distância entre os separadores esta em função da espessura das peças,

quanto mais finas, menor deverá ser a distância entre os tabiques para evitar

deformações. Nas áreas de contato dos tabiques com as peças a secagem é

retardada, portanto não convém usar mais tabiques do que o necessário. Os tabiques

devem apresentar de preferências sua largura maior do que sua altura para facilitar

ao tabicador no momento do gradeio. A seguir será apresentada a relação entre a

espessura das peças e a espessura dos tabiques e ainda qual sua distância ideal.

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TABELA 04 – CARACTERÍSTICAS DOS TABIQUES

Espessura das

tábuas

(mm)

Espessura dos

separadores

(mm)

Distancia entre os

separadores (mm)

Menos de 20 20 300 – 400

20 – 30 25 400 – 500

30– 40 30 500 – 600

40 – 50 35 700 – 800

50 – 60 40 900

Mais de 60 45 1000

Na prática, é difícil armazenar tabiques com diferentes dimensões para serem

utilizados de acordo com a madeira que se pretende secar, principalmente quando se

trabalha com material de diferentes espécies e espessuras. Nessas condições, a

experiência irá determinar a espessura ideal de tabique a utilizar. Os tabiques

separadores são elementos valiosos na secagem e devem ser manipulados com

cuidado, os mesmos serão utilizados muitas vezes na secagem da madeira.

4.1.5 EMPILHAMENTO (GRADEAMENTO)

Além de acomodar a carga, o empilhamento deve facilitar a circulação do ar

através das camadas de peças de madeira. Os tabiques devem ser colocados

transversalmente com relação ao comprimento da tábua.

O empilhamento pode ser realizado manual ou mecanicamente. Quando se

realiza por meios mecânicos, se utilizam equipamentos especialmente

desenvolvidos para tal função. Esta operação consiste somente em colocar um sobre

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o outro. A altura das pilhas pode chegar até a 5m, mas normalmente não ultrapassa

1,2m. pilhas muito altas tornam-se muito instável devido sua esbelteza.

É importante ressaltar que os separadores colocados nos extremos das pilhas

devem formar um plano com a superfície transversal das tábuas. Desta maneira

controla-se a rachadura dos extremos, ao retardar-se o secamento destas zonas. O

alinhamento no sentido vertical dos tabiques também é outro fator importante sendo

indispensável para minimizar ao máximo a propensão a defeitos principalmente

empenamentos pode-se observar na Figura 12, a maneira correta de gradeamento.

FIGURA 12 – FORMA DE GRADEAMENTO CORRETO E INCORRETO

Para facilitar o trabalho de empilhamento e manter a uniformidade da fileiras

e dos tabiques separadores, se utilizam algumas guias portáteis que acomodam os

tabiques. A seguir pode-se observar na Figura 13, um desenho esquemático da

maneira de construção do suporte base para o tabicamento manual correto.

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FIGURA 13 -GABARITO PARA GRADEO DA MADEIRA

Intercalando cada pilha ou pacote de madeira, são utilizados blocos com seção

transversal normalmente quadrada com uma altura de aproximadamente 4cm para

facilitar a colocação e retirada do pacote ou pilha pela empilhadeira.

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4.2 SECAGEM AO AR LIVRE E EM ESTUFA

A madeira pode ser seca ao ar livre (secagem natural) ou em câmaras próprias

(secagem artificial). A secagem ao ar livre é normalmente feita em ar aberto e

raramente sob cobertura ao passo que na secagem artificial é utilizado câmara

própria que requerem instrumentação especial para criar um clima controlado

artificialmente num espaço fechado, onde a temperatura, umidade relativa e a

circulação de ar são controladas.

Na secagem ao ar, a possibilidade de controle é muito limitada ou não

inexistente. Apesar disso, a secagem ao ar não é inferior a secagem em estufa

considerando a qualidade do produto final. Entretanto a secagem ao ar requer mais

tempo durante a qual o capital fica imobilizado e
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