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Jorge Klitzke

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peça, pois na superfície, inicialmente, ocorrerá uma evaporação mais acentuada, que terá

de ser compensada pela umidade existente no interior da peça

O impacto das tensões sobre a madeira, são aparecimentos de fendas, rachaduras de

topo e rachaduras internas no momento da liberação das tensões na secagem da madeira.

Em alguns casos as árvores podem rachar com o impacto com o sol, durante a sua

derrubada. Outros efeitos são tensionamento e soldagem da serra na hora do corte, e

defeitos da madeira devido as distorções que se desenvolvem durante a serragem e

secagem, normalmente ocorrem em folhosas (eucaliptos).

11 DEFEITOS CAUSADOS PELA SECAGEM INADEQUADA

A anisotropia na anatomia da madeira e seus efeitos visíveis que se apresentam

durante a secagem, são propriedades naturais de todas as madeiras. A madeira é um

produto natural que, devido a sua higroscopicidade, cede ou ganha umidade de acordo com

as condições do meio ambiente que a rodeia.

A secagem da madeira antes de usa-la é indispensável para quase todos os usos. A

madeira sofre durante este processo uma mudança de sua propriedades naturais,

produzindo tensões causando deformações e inclusive rachaduras. Estas visíveis mudanças

de forma se conhecem como defeito de secagem.

Na secagem convencional, o controle na ocorrência de defeitos está quase sempre

ligado à adequação do programa utilizado. A seguir serão apresentados os defeitos mais

comuns desenvolvidos durante a secagem e as respectivas modificações que devem ser

feitas nos programas, a fim de minimizá-los ou mesmo elimina-los.

11.1 EMPENAMENTOS

O empenamento se define como a deformação que experimenta uma peça de

madeira pela curvatura de seus eixos longitudinal, transversal ou ambos. A seguir serão

apresentados os tipos de empenamentos na Figura 22.

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FIGURA 22 – TIPOS DE EMPENAMENTOS QUE OCORREM NA MADEIRA

Encanoamento

Arqueamento

Encurvamento

Encurvamento complexo

11.1.1 ENCANOAMENTO

É um tipo de empenamento das peças de madeira quando as arestas ou bordas

longitudinais não se encontram no mesmo nível que a zona central. É reconhecido quando

ao colocar a peça de madeira sobre uma superfície plana, apoiará a parte central da tábua

ficando os bordos levantados, apresentando um aspecto curvo.

11.1.2 ARQUEAMENTO

É um tipo de empenamento ou curvatura no comprimento da face da peça. Se

reconhece quando ao colocar a peça sobre uma superfície plana, se observa uma luz ou

separação entre as faces (largura da tábua) da peça de madeira e a superfície de apoio.

11.1.3 ENCURVAMENTO

É um empenamento no comprimento da peça de madeira. Se reconhece quando ao

colocar a peça de madeira sobre uma superfície plana, se observa uma luz ou separação

entre o canto (espessura) da peça de madeira e a superfície de apoio.

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11.1.4 TORCIMENTO E ENCURVAMENTO COMPLEXO

São tipos de empenamentos que ocorrem tanto no comprimento como na largura da

peça de madeira não se encontram no mesmo plano, se reconhece quando colocar a peça de

madeira sobre uma superfície plana, se observa levantamento de uma das arestas em

diferentes direções.

Os empenamentos normalmente ocorrem durante a secagem, devido a propensão da

própria madeira ou por mal empilhamento ou pela falta de restrição na pilha.

11.2 COLAPSO

Ocorre quando os esforços da tensão capilar excedem a resistência à compressão

perpendicular à grã da parede celular a qual ocorre normalmente quando os meniscos se

movem através das pontoações da parede celular. Pode ser resultado da secagem muito

rápida com elevado teor de umidade na madeira (acima do PSF no início da secagem),

normalmente ocorre em madeiras pouco permeáveis (eucalipto, carvalho, imbuía, etc.). o

colapso pode ser observado na Figura 23.

FIGURA 23 – COLAPSO NA MADEIRA

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As principais causas são:

! Pontoacões pequenas que aumentam a suceptibilidade da madeira ao colapso devido a

geração de elevadas tensões internas..

! Alta tensão superficial do líquido evaporado da madeira.

! Aplicação de elevadas temperaturas superiores a 50 ou 60OC, na primeira etapa de

secagem.

O colapso pode ser interno (favo de mel) e externo. Madeira de cerne é mais

propensa. O colapso pode ser evitado secando lentamente a madeira em temperaturas

normais, até que perda suficiente umidade.

É possível o recondicionamento de madeiras colapsadas, quando não ocorrem

rupturas internas (inicio da secagem), deve-se submeter a carga de madeira a uma elevada

umidade relativa dentro do secador.

11.3 ENDURECIMENTO SUPERFICIAL:

Ocorre quando as capas superficiais da madeira perdem umidade rapidamente

enquanto que o centro da peça permanece ainda úmido. (elevado GU), podendo se

desenvolver danos em sua estrutura (rachaduras) sendo estes um estado inicial do

endurecimento (forças de tração nas partes externas e de compressão nas partes internas).

Este defeito se deve a aplicação de um tempo de secagem reduzido ao iniciar-se o

processo, alta temperatura e grande diferença psicrométrica.

A medida que a secagem avança as camadas internas vão secando até atingir o PSF

começando também a sofrer contração neste ponto as camadas externas são as que se

opõem a contração invertendo os esforços ficando a parte central submetida a tração e a

periferia a compressão. Avançando-se ainda a secagem é criada uma capa muito seca

(endurecimento/encruamento). É detectado quando ao serrar longitudinalmente uma tábua

em peças resultando em curvas para dentro.

O processo de acondicionamento é para diminuir os esforços que ocasionam o

endurecimento é realizado elevando a temperatura e a umidade relativa para aumentar a

elasticidade da madeira e reduzir o gradiente de umidade na fase final da secagem.

Durante o processo de secagem é comum desenvolverem-se tensões de compressão

na superfície e de tração no interior da peça de madeira, causados pelo aparecimento de um

gradiente de umidade ao longo da espessura. Se esse esforços de compressão e de tração

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forem superiores ao limite de proporcionalidade da madeira, pode causar deformações

residuais que permanecem mesmo quando o gradiente de umidade ao longo da espessura é

eliminado. Este fenômeno é conhecido como endurecimento superficial ou encruamento, é

detectado e analisado pelo teste de garfo. Apesar do desenvolvimento destas tensões serem

normais em secagem, quando a madeira se destina ao beneficiamento após a secagem, o

encruamento deve ser removido através do acondicionamento.

O endurecimento reverso ocorre no início do processo de secagem, quando a

madeira se encontra com tensão de tração na superfície e de compressão no interior, sendo

eliminado no decorrer do processo com a reversão das tensões. Entretanto, o

endurecimento superficial reverso pode surgir ao final da secagem quando o período de

acondicionamento for muito longo, tornando-o irreversível. Em ambos os casos o “teste de

garfo” é utilizado para verificar a existência ou não deste tipo de endurecimento. Os

critérios para analisar os resultados do “teste de garfo” são mostrados na Figura 19:

# Se os dentes do garfo arquearem para dentro, a madeira ainda apresenta endurecimento

e o período de acondicionamento deve ser prolongado para as cargas semelhantes da

mesma espécie.

# Se os dentes externos, que estavam arqueados para fora se apresentarem

completamente retos, a carga deverá estar livre de endurecimento. O mesmo período de

acondicionamento deve
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