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ser usado para as cargas similares da mesma espécie.

# Se os dentes externos arquearem-se consideravelmente para fora, indicando que a carga

apresenta endurecimento reverso, o período de acondicionamento para as cargas

subsequentes de material de material semelhante deve ser diminuído.

11.4 RACHADURAS DE TOPO E DE SUPERFICIE

As rachaduras na superfície aparecem quando tensões que excedem a resistência da

madeira à tração perpendicular às fibras desenvolvem-se na superfície, devido a uma

secagem inicial muito acelerada que produz diferença acentuada entre os teores de

umidade da superfície e do centro da madeira. Quanto mais espessa for a madeira, maior a

possibilidade do aparecimento de rachaduras superficiais. Este defeito ocorre,

principalmente na fase inicial da secagem e, quando detectado a tempo, pode ser reduzido,

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aumentando-se a umidade relativa dentro da câmara. Isto é conseguido elevando-se a

temperatura do bulbo úmido sem alterar a temperatura do bulbo seco.

As rachaduras de topo são causadas pela secagem rápida das extremidades em

comparação com o restante da peça de madeira, principalmente durante a fase inicial. São

mais freqüentes em peças de maior espessura e podem ser reduzidas aplicando-se o mesmo

procedimento anterior, sendo também recomendada a vedação dos topos das peças com

produtos impermeáveis. Deve-se evitar a ação de corrente de ar muito seco e forte sobre a

madeira úmida. Na figura 24, temos a demonstração do favo de mel (rachadura interna)

(A) e das rachaduras de topo (B).]
FIGURA 24 – RACHADURAS INTERNAS (FAVO DE MEL) E DE TOPO

(A) (B)

11.5 RACHADURAS INTERNAS (FAVO DE MEL)

Aparecem na fase de secagem, quando se desenvolvem a tensões de tração no

interior da peça, estas tensões causam rachadura internas. Esforços associados de colapso e

endurecimento quando severos podem produzir rachaduras internas, sendo percebidos

somente quando serrada transversalmente a madeira. As rachaduras internas são atribuídas

a um controle incorreto do processo de secagem podendo ser evitado por meio da seleção

de um programa de secagem correto. O controle deve ser feito na fase inicial da secagem.

Quando a secagem é muito acelerada, causa desequilíbrio entre as tensões no interior e

superfície da peça produzindo rachaduras internas, observada na Figura 24 (A). Como é

consequência de um endurecimento superficial o lote deve ser detectado a tempo e

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eliminado. Uma vez que já tenha formado as rachaduras não tem mais retorno a madeira já

esta perdida.

11.6 MANCHA QUÍMICA (MANCHA MARROM)

As manchas da madeira podem se produzidas pela ação de fungos ou por alterações

químicas que ocorrem com os extrativos solúveis em água. Ha evidências que os açúcares

e os taninos ambos sujeitos a oxidação, com posterior escurecimento quando expostos ao

calor em presença de oxigênio. O desenvolvimento é favorecido pelos seguintes fatores:

! Intervalo de tempo decorrido entre a derrubada da árvore e seu desdobro, bem como

entre o desdobro e a secagem;

! Extrativos da madeira;

! Condições de secagem.

Com a temperatura os extrativos são solubilizados e transportados para a superfície,

observa-se que a 50oC a coloração era normal, alterando-se para amarelo e marrom escura

quando a secagem era conduzida a 60 e 120oC, respectivamente. Observa-se ainda que a

mancha marrom forma ao utilizar-se altas temperaturas quando o teor de umidade da

madeira encontra-se acima de 40%. Para o controle da mancha marrom recomenda-se:

! Redução dos intervalos de tempo compreendido entre a derrubada e o desdobro e entre

o desdobro e a secagem.

! Uso de altas temperaturas para o bloqueio do processo de formação das manchas,

através da inativação das enzimas envolvidas.

! Utilização de programas de secagem com dois estágios, com temperaturas moderadas

enquanto a madeira encontra-se com teor de umidade acima de 30% e altas

temperaturas a partir desse instante até a umidade final.

! Utilização de tratamentos químicos após o desdobro (azida de sódio – muito tóxico

inibidor enzimático, fluoreto de sódio - 0,4% produto apresentou problemas no

manuseio. A mancha marrom tende a ocorrer mais intensamente em peças mais

espessas e sob temperaturas de secagem superiores).

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FIGURA 25 – MANCHA MARROM

Com e sem a utilização de tratamento

11.7 GRÃ DESIGUAL – “RAISED GRAIN”

Grã aumentada ou desigual refere-se a diferença na grã da madeira do lenho tardio

e do lenho inicial. Uma condição desigual na superfície da madeira e que o lenho tardio é

aumentado sobre o lenho inicial mas não soltando-se. Experimentos indicam que o mínimo

corrugamento da superfície ocorre na madeira que não muda o teor de umidade após ser

maquinizada, usinada. Pode-se observar na Figura 25, defeito de grã solta.

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FIGURA 25 – GRÃ SOLTA EM Pinus spp

11.8 GRÃ FROUXA – “LOOSENED GRAIN”

Ocorre mais frequentemente em coníferas que apresentam o lenho tardio bastante

denso com maior contração e inchamento. A diferença de contração entre o lenho inicial e

tardio poderá causar cisalhamento entre os dois anéis. A ocorrência é agravada pelo uso de

baixa umidade relativa durante o processo de secagem. O esforço da madeira pelo ajuste

impróprio das facas da plaina e a excessiva pressão dos rolos de condução das plainas

podem também causar separação da grã em espécies propensas a este tipo de defeito.

12 REQUISITOS PARA SELEÇÃO DO MÉTODO DE SECAGEM

Ao abordar o tema relativo a seleção do método mais adequado de secagem;

procedimento e tipo de estufa mais apropriada, convém considerar em primeiro lugar que

existem duas formas de secar a madeira: secagem ao ar livre ou secagem artificial.

No Brasil se tem conhecimento de aproximadamente 80 espécies de madeira de uso

comercial as quais apresentam diferentes comportamentos e qualidades. O conhecimento

dos diferentes métodos de secagem aqui apresentados é fundamental para a escolha correta

do método, baseado na necessidade, nas condições de investimento e relacionados com o

uso final levando em consideração os custos envolvidos pelo processo.

Na seleção do processo deve-se levar em consideração:

! Critérios técnicos (madeira `a secar, uso final);

! Custos de secagem;

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! Componentes da secagem (prioridades);

! Equipamento (atinge as condições de secagem?)

! Controle (bom controle para manter o tempo total da secagem)

! Operador( gerente) treinado, podendo:

! Detectar falhas;

! Avaliar falhas;

! Saber alterar programação.

! Programação de secagem (condições de aplicar?).

Os principais fatores que devem ser considerados na seleção do método são:

! Madeira à secar;

! O suo final;

! Infra-estrutura.

12.1 MADEIRA A SECAR

Deve-se considerar algumas variáveis com relação a madeira, como: propriedades

físicas, mecânicas, espessura da madeira, anatomia da madeira, propensão a defeitos, etc.

! Propriedades físicas da madeira

Pode-se observar nos gráficos a influência significativa entre as propriedades físicas

da madeira e seu comportamento na secagem.

0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9

Permeabilidade

M
ea

p(
g/

cm
 3 )

0
2
4
6
8

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16
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Facilidade de secagem

C
on

tra
çã

o
Vo

l.
(%

)

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0
0,5

1
1,5

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