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de esclerênquima, entre as quais encontram-se

os traqueóides fibrosos, com características diferenciadas frequentemente muito

confusas, formam a massa principal da estrutura das folhosas. O parênquima, que

em sua maior parte se apresenta agrupado ao redor dos vasos e raios lenhosos, tem

pouca importância, suas células redondas ou levemente poligonais em seção

transversal, estão cheias de diversas substâncias de reserva. Os vasos lenhosos das

folhosas, o mesmo que os das coníferas são radiais, mas apresentam uma riqueza de

formas maiores que nas coníferas, no sentido tangencial estão sempre formados por

uma camada de células, e excepcionalmente, por várias camadas agrupadas em

linhas nas folhas estando formados tanto por uma camada de células como por

várias.

Por ter os raios lenhosos a dupla missão de conduzir a seiva e armazenar

substâncias de reserva, no desenvolvimento muito intensivo é paralelo a formação

do lenho, contudo, produzem na madeira superfícies de menor resistência que

facilitam a formação de fissuras e que são a causa da baixa resistência a tração.

Nas seções radial e transversal são mostrados os extremos muito afilados das

fibras do líber, terminados em forma de cunha, assim como a conhecida disposição

estratificada do parênquima lenhoso e dos grandes vasos que nestas seções se

apresentam cortados longitudinalmente. Suas pontuações, as vezes escassas, suas

pontoações são extraordinariamente densas nas parte próximas a outros vasos, ao

parênquima e aos raios. Sendo em geral pontoações areoladas, exceto as que se

comunicam com os raios e parênquima. Os traqueóides das folhosas possuem

também pontoações areoladas. Finalmente o líber, cujas vigorosas fibras, apenas

estão unidas na rede condutora, contribui na formação do corpo lenhoso. A

necessidade de água é menor e mais uniforme das coníferas é a causa de que tenham

uma estrutura muito mais simples. Nestas, um só tipo de célula, os traqueóides,

podem atender a dupla missão de conduzir a água e dar solidez da árvore. Na Figura

03, pode-se observar a formação celular de uma folhosa (eucalipto, imbuía, etc.).

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FIGURA 03 - ESTRUTURA ANATÔMICA DE UMA FOLHOSA

3.1.3.1 Influência das Pontoações

A estrutura normal da parede das células é interrompida por pontuações, as

quais aparecem no período de crescimento das células, podendo ser observada na

Figura 04.

A translocação radial da água na árvore é feita pelas pontuações, as quais são

localizadas na parede secundária entre as células adjacentes. Duas pontoações

ligadas entre células vizinhas formam um par de pontuações. O transporte de água

pelas células adjacentes ocorrem pelos lúmens através das membranas das

pontoações as quais consistem de parede primária e de lamela média. As diferentes

formas das pontoações são características distintivas na identificação microscópica

de madeira e fibras.

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FIGURA 04 - COMUNICAÇÃO DE UM PAR DE PONTOAÇÕES AREOLADAS

3.1.3.2 Aspiração da Pontoação

Uma comum modificação das pontoações areoladas é o deslocamento lateral

da membrana “torus”. Este fenômeno é chamado de aspiração, usualmente onde

ocorre quando o alburno é transformado em cerne ou quando a madeira é seca.

Aparentemente isto é resultado de altas tensões estabelecidas fornecendo um

menisco na abertura das pontoações e nas aberturas da membrana através do

movimento de saída da água (seiva). Em coníferas o torus sela as aberturas e,

portanto bloqueando a passagem através da pontuação.

Os pares de pontoações de madeira de coníferas, que podem explicar a

diminuição na permeabilidade, afetando diretamente na secagem, particularmente

em madeira de cerne. A aspiração da pontoação, nas quais o torus é seguro, muito

justo contra a abertura, provavelmente por ligações de hidrogênio entre adjacentes

cadeias de celulose tornando a passagem a água obstruída reduzindo a sua

permeabilidade, na Figura 05 pode-se observar a pontoação areolada não aspirada

(A) e aspirada (B).

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FIGURA 05 - A) PONTUAÇÃO NÃO ASPIRADA; B) PONTUAÇÃO ASPIRADA

 A

 B

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3.1.4 MASSA ESPECÍFICA

A massa específica é uma das mais importantes propriedades físicas da

madeira. A maior parte dos aspectos tecnológicos desta matéria-prima estão

relacionados com a massa específica, a qual serve para avaliar e classificar

uma madeira.

A massa específica reflete-se também as características de resistência da

madeira. Madeiras “pesadas” são em geral mais resistentes, elásticas e duras. Já

madeiras com menor massa específica, tendem a apresentar menor resistência

mecânica, estabilidade dimensional.

A massa específica aparente da madeira é a relação entre a massa e o volume

da mesma peça de madeira a um teor de umidade conhecido em g/cm3 ou em

kg/m3. A seguir será apresentada a fórmula utilizada para seu cálculo:

( )3
U

U
AP cm/gV

MME =

Onde:

MEAP = Massa Específica Aparente (g/cm3)

M = Massa da peça de madeira (g)

V = Volume da amostra de madeira (cm3)

U = teor de umidade (0, 12, 15, 30 ou verde) (%)

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TABELA 01 - MASSA ESPECÍFICA (DENSIDADE)- ME (KG/M3)

ESPÉCIE ME verde
(kg/m3)

ME (12%U)
(kg/m3)

Balsa 830 120

Kiri 860 220

Guapurúvu 880 260

Pinus 1000 450

Pinho 1050 500

Imbúia 1050 650

Ipê 1150 850

Ângico 1200 900

Massaranduba 1250 1050

A massa específica é influenciada por fatores internos e externos à madeira.

Como fator interno destaca-se a estrutura anatômica do lenho. Dentre os fatores

externos citam-se aspectos do local de crescimento das árvores, tais como, clima,

solo, altitude, umidade do solo, declividade, vento, espaçamento e associação de

espécies, bem como intervenções silviculturais do tipo adubação, poda, desbaste e

densidade do povoamento.

A correlação entre massa específica e a espessura dos anéis de crescimento é

assunto desde há muito tempo. As principais conclusões indicam que em folhosas

com porosidade em anel, a massa específica é diretamente proporcional a largura

dos anéis de crescimento. Isto ocorre porque poros de grande diâmetro são

formados apenas no início do anel de crescimento, de modo que em anéis largos há

maior percentagem de lenho tardio. Folhosas de porosidade difusa quase não se nota

variação relativa à largura dos anéis, devido à estrutura relativamente homogênea

do lenho.

Em coníferas, a massa específica aumenta com a diminuição da largura dos

anéis de crescimento. Quanto mais largo o anel, maior a percentagem de lenho

primaveril, o qual tem baixa massa específica.

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3.1.4.1 Influência dos Extrativos na Massa Específica

A massa específica de uma madeira depende da quantidade de extrativos que

se encontram nas mesmas. A massa específica é usualmente determinada sem a

remoção dos extrativos, resultando em avaliação excessiva da substância madeira.

Estudos feitos com várias espécies de pinus levaram à conclusão de que a

massa específica varia em função da retirada ou não dos extrativos.

Em folhosas dá-se freqüentemente a formação de tilos. Estes são expansões

vasiculares de células parequimáticas que penetram nos lúmens dos vasos através

das pontuações. A presença de tilos causa dificuldade na secagem e na preservação

da madeira, por obstruir os caminhos normais de circulação de líquidos,

aumentando consideravelmente a massa
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