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específica da mesma.

A presença de substâncias minerais em algumas espécies tais como cristais

de oxalato de cálcio e sílica, também contribui para o aumento da massa específica

de uma madeira.

O conteúdo de resina aumenta a massa específica de uma madeira, a

densidade desta substância varia em coníferas entre 0,985 à 1,073 g/cm3. A resina

de Guaiacum é mais densa, da ordem de 1,23 à 1,25 g/cm3. Estes valores mostram

claramente que a quantidade de resina influência decisivamente na massa específica

da madeira.

A influência de substâncias orgânicas e inorgânicas na massa específica da

madeira foi constatada apenas para o alburno de certas espécies de árvores.

3.1.4.2 Massa Específica no Interior do Tronco

Devido ao fato dos anéis de crescimento variarem em espessura na direção

medula até a casca, verificam-se nesta mesma direção variações correspondentes em

massa específica. A madeira obtida de plantações ou povoamentos naturais de

folhosas ou coníferas, folhosas e coníferas respectivamente, indica que a massa

específica na referida direção, atingindo um valor mais ou menos constante após um

certo número de anos.

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Para as madeiras de coníferas, verifica-se geralmente um nítido aumento da

massa específica a partir da medula, por um certo número de anéis. Em folhosas,

devido ao papel preponderante desempenhado pelo cerne, manifesta-se geralmente

uma diminuição da massa específica na mesma direção.

A diferença de massa específica é especialmente notada em espécies que

apresentam cerne distinto; nas com cerne fisiológico ou apenas alburno, as

diferenças são menos sensíveis. Ao longo do tronco existem igualmente grandes

variações em massa específica, encontrando-se valores máximos na base do mesmo,

onde são requeridos de modo especial tecido rijos de sustentação, decrescendo a

medida que diminui a distância em relação a copa.

3.1.5 CONTRAÇÃO E O INCHAMENTO DA MADEIRA (ANISOTROPIA)

A anisotropia traz como consequência diferentes valores para o inchamento e

para a contração nos três sentidos de orientação da madeira. Esta diferença se deve a

estrutura microscópica e submicroscópica da madeira. A maior alteração

dimensional se manifesta no sentido tangencial, depois no sentido radial e

finalmente no longitudinal, que por ser tão baixa, é normalmente negligenciada na

prática. As relações entre as contrações verificadas nos diferentes sentidos indicam:

10 (tangencial) : 5 (radial) : 0,1 (longitudinal).

A pequena alteração no sentido longitudinal explica-se por estarem a maioria

dos elementos estruturais constituintes da madeira organizados verticalmente, o que

faz com que o número de paredes por cm2 seja bem menor neste sentido. Além

disso, cada fibra de madeira tende muito pouco a se contrair axialmente devido a

inclinação das micrifibrilas de celulose constituintes da parede celular propiciarem a

contração da célula em sua seção, e não na direção do seu comprimento. Algumas

vezes podem mesmo ocorrer contrações negativas ao longo da grã, isto é, a madeira

pode ter dimensão axial um pouco maior na condição seca que verde. Na Figura 06,

pode-se observar o comportamento físico sofrido pela madeira devido a anisotropia

após a secagem.

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FIGURA 06 – COMPORTAMENTO DA MADEIRA DEVIDO A ANISOTROPIA

A mudança de volume da madeira que se verifica devido a desorção adsorção

de água é considerada uma de suas propriedades físicas mais importantes, afetando

e limitando consideravelmente o seu uso industrial em vários ramos de utilização.

O aumento de volume ou inchamento de uma madeira, deve-se,

principalmente, à inclusão de moléculas de água nos espaços submicroscópicos

localizados entre as micelas, afastando-as, alterando as dimensões da madeira. Da

mesma forma, a diminuição de volume deve-se a retirada de moléculas de água dos

espaços mencionados por evaporação, ocasionando a aproximação das michelas e

finalmente a retração da madeira.

A anistropia de contração é a relação entre a contração máxima tangencial e a

contração máxima radial. A avaliação da qualidade da madeira segundo sua

anisotropia esta apresentada na tabela 02.

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TABELA 02 – AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA MADEIRA SEGUNDO O COEFICIENTE

 DE ANISOTROPIA

Coeficiente de
Anisotropia

Qualidade da
 Madeira

< 1,5 Madeira muito estável
1,6 até 2,0 Média baixa
2,0 até 2,5 Média alta

>2,6 Madeira muito instável

Madeiras que apresentarem alta Contração Volumétrica, alta Anisotropia de

Contração e Massa Específica elevada são madeiras com grandes dificuldades de

secagem, devendo ser empregado programas de secagem brandos.

3.1.6 PERMEABILIDADE

É definida para os líquidos como a medida de maior ou menor facilidade de

escorrimento em um material poroso, sobre a influência de um gradiente de pressão.

A permeabilidade obedece a lei de Darcy, que estabelece que a permeabilidade é

igual a razão entre o fluxo e o gradiente de pressão. O fluxo é definido como a razão

de escorrimento por unidade de área de seção transversal em um determinado

tempo, e gradiente de pressão, como a diferença de pressão que causa o

escorrimento por unidade de comprimento do material poroso. Assim para uma

amostra de madeira a equação de permeabilidade segundo SIAU (1971) é:

( ) 





=

−

=

seg.dinas
cm.cm

A.t.P
L.V

L/PP
)T.A/(VPe

3

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Onde:

 Pe – Permeabilidade (cm3.cm);

 V - Volume do líquido escorrido através da madeira (cm3);

 t - Tempo de escorrimento (seg);

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 P - Gradiente de pressão existente entre os extremos da madeira

 (dinas/cm2);

 A – Área da amostra (cm2);

 L - Comprimento da amostra de madeira em direção ao escorrimento

 (cm).

3.1.6.1 Permeabilidade em Coníferas

A condução de líquidos está relacionada com os traqueóides axiais e radiais e

com suas pontoações areoladas, ocorre ainda por parênquima axial e radial com

suas pontoações simples, e semiareoladas, por canais resiníferos, longitudinais,

transversais e por células epteliais. Os traqueóides constituem em maior

percentagem do volume (cerca de 93%). A translocação dos líquidos ocorre através

destes elementos essenciais.

A condução de líquidos ocorre nos sentidos, radial, tangencial e longitudinal.

A permeabilidade é maior na direção longitudinal devido a facilidade do fluxo no

sentido das fibras, para a permeabilidade na direção transversal, a condução radial é

maior que a tangencial devido a maior permeabilidade dos traqueóides e dos

parênquimas radiais. A permeabilidade na direção das fibras é 50 - 100 vezes maior

que perpendicular as fibras.

A permeabilidade do lenho tardio é maior do que a do lenho inicial, apesar de

sua maior densidade, isto ocorre por razão do lenho tardio possuir membranas das

pontoações areoladas mais resistentes a aspiração pela sua maior espessura de

parede e rigidez.

A permeabilidade do alburno é maior que do cerne, devido a maior

quantidades de pontoações aspiradas e obstruções destas por resina existentes no

cerne. O alburno submetido a secagem é 200 vezes mais permeável que o cerne. A

permeabilidade em coníferas está controlada quase que exclusivamente pelas

pontoações areoladas. As aspirações de pontoação se constituem em um importante

fator da condução da água livre dentro da madeira, sendo a tensão capilar, a causa

de sua ocorrência.

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3.1.6.2 Permeabilidade nas Folhosas

A condução de líquidos é realizada nos sentido
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