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o processo de retirada da umidade contida na parede celular por difusão, sendo este

um processo físico extremamente lento de retirada da água da madeira.

Para a secagem ser rápida e uniforme é indispensável que a circulação do ar

seja forte e regular. (câmara convencional em torno 2,0m/s). Quando se utiliza

velocidade do ar acima de 2m/s a qualidade da madeira poderá ser comprometida,

causará uma elevada taxa de secagem gerando altos gradientes de umidade na peça

de madeira podendo resultar em rachaduras e empenamentos. Em madeiras

altamente permeáveis (pinus) é possível utilizar maiores velocidades.

3.3.6 UMIDADE DE EQUILÍBRIO (UE)

A madeira é um material higroscópico, isto é, possui a capacidade de tomar

ou ceder umidade em forma de vapor. Quando úmida perde moléculas de vapor

d'água para a atmosfera e quando seca, pode absorver vapor d'água do meio. Existe

um momento em que a madeira deixa perder ou de ganhar moléculas d'água, este

momento é chamado de equilíbrio higroscópico da madeira.

Fisicamente a umidade de equilíbrio ocorre quando a pressão interna de

vapor d'água na parede celular for igual a pressão externa de vapor d'água. Ela varia

de espécie para espécie. A umidade de equilíbrio é obtida em função da umidade

relativa e da temperatura. Para determinar a umidade de equilíbrio utilizam-se

tabelas (U.S.D.A. Forest Service).

A umidade de equilíbrio é fundamental para a condução da secagem

artificial, ela é afetada pela umidade relativa do ambiente, pela temperatura

sofrendo influência da espécie, do teor de extrativos da porcentagem de cerne e

alburno de uma mesma espécie.

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A temperatura diminui a umidade de equilíbrio da madeira para uma

considerada umidade relativa. A seguir será apresentada no Gráfico 04 a umidade

de equilíbrio de algumas cidades brasileiras.

GRÁFICO - 04 UMIDADE DE EQUILÍBRIO DE ALGUMAS CIDADES BRASILEIRAS NO

 PERÍODO DE UM ANO

0

5

10

15

20

25

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ANO
Período

U
m

id
ad

e
de

 E
qu

ilí
br

io
 (%

)

Manaus São Paulo Curitiba Cuiabá Brasília

Em secagem natural a madeira irá secar até a umidade de equilíbrio da

região, nunca abaixo da mesma. Em uma região seca e quente a madeira apresentará

uma umidade de equilíbrio menor que o encontrado em uma região fria e úmida.

Secando madeira ao ar livre, o tempo requerido para alcançar a umidade de

equilíbrio é muito longo (meses) e, portanto em muitas ocasiões é aconselhado

recorrer a secagem artificial para reduzi-lo

A madeira quando sofre um processo de beneficiamento normalmente deve

conter um teor umidade recomendado dependendo do uso final. Muitas vezes este

teor de umidade está abaixo da umidade de equilíbrio obtida na secagem natural,

sendo necessário introduzir condições climáticas especiais que permitam que a

madeira alcance o teor de umidade de equilíbrio desejado, somente alcançado por

meio da secagem artificial em câmaras especiais. A seguir será apresentado na

Tabela 03 o teor de umidade recomendada em função do uso final da madeira.

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TABELA - 03 TEORES DE UMIDADE FINAIS RECOMENDADOS PARA ALGUNS

 PRODUTOS DE MADEIRA

PRODUTOS UMIDADE (%)

Madeira serrada comercial 16 – 20

Madeira para construção externa 12 – 18

Madeira para construção interna 8 – 11

Painéis (compensado, aglomerado, chapas de fibras, etc.) 6 – 8

Pisos e lambris 6 – 11

Móveis para interiores 6 – 10

Móveis para exteriores 12 – 16

Equipamentos esportivos 8 – 12

Brinquedos para interiores 6 – 10

Brinquedos para exteriores 10 – 15

Equipamentos elétricos 5 – 8

Embalagens 12 – 16

Formas de calçados 6 – 9

Coronhas de armas 7 – 12

Instrumentos musicais 5 – 8

Implementos agrícolas 12 – 18

Barcos 12 – 16

Aviões 6 – 10
Fonte: Ponce e Watai 1985

3.3.7 GRADIENTE DE UMIDADE (GU)

Somente em madeira recém cortada se encontra uma distribuição mais ou

menos uniforme do conteúdo de umidade através da seção transversal de uma peça.

Assim que comece a secagem seja natural ou artificial, a distribuição do conteúdo

de umidade no interior da peça se modifica. De forma simples pode-se explicar a

secagem da madeira como um resultado do movimento da umidade desde o interior

até a superfície, onde se evapora e escapa para a atmosfera circundante.

Ao colocar-se uma peça de madeira úmida em contato com um ambiente

seco inicia-se a evaporação da água presente nas capas superficiais, enquanto que as

capas internas permanecem ainda úmidas. A diferença entre o teor de umidade do

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centro da peça e da superfície denomina-se gradiente de umidade (GU),

significando que quanto maior a diferença entre o teor de umidade da superfície e

do centro mais elevado o GU, quer dizer eu quanto maior a diferença entre o teor de

umidade da superfície do centro, mais rapidamente secará a madeira e

inversamente, se o gradiente for baixo, o tempo de secagem aumentará causando

um aumento nos custos de secagem. Na figura 10 pode-se observar o gradiente de

umidade desenvolvido num peça de madeira.

FIGURA 10 – GRADIENTE UMIDADE NA MADEIRA

Na secagem artificial da madeira é importante estabelecer um GU ótimo que

determina o tempo de secagem sem ocorrer riscos de ocasionar danos a madeira.

Elevado GU causa um conteúdo de umidade abaixo do PSF nas partes externas da

peça de madeira, as quais, ficam impedidas de contrair porque as capas internas

ainda contém muita água livre (acima do PSF), gerando tensões na madeira que

podem ocasionar deformações, podendo causar interrupções na circulação da água

pela formação de uma capa muito seca que obstrui o fluxo capilar da umidade

originando-se o fenômeno chamado endurecimento superficial, causar rachaduras

internas ou de superfície, etc. Na secagem natural não tem condições de controlar o

GU da peça de madeira.

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3.3.8 POTENCIAL DE SECAGEM (PS)

No processo de secagem artificial existem dois valores que são de grande

importância para estabelecer o comportamento da secagem. Estes valores são; o teor

de umidade atual (TUatual) da madeira em um determinado momento e o conteúdo

de umidade de equilíbrio (UE) que depende das condições do ambiente do secador.

A relação entre os dois valores se denomina potencial de secagem (PS). O potencial

de secagem irá determinar a forma e o progresso da secagem da madeira. Ele pode

ser calculado da seguinte forma:

UE
TUatualPS =

Onde:

PS = Potencial de secagem;

TUatual = Teor de umidade atual calculado (%);

UE = Umidade de equilíbrio calculado (%).

Potenciais de secagem elevados produzem altas taxas de secagem reduzindo

o tempo, causando uma secagem excessiva das capas superficiais da madeira com o

risco de formação de tensões internas, gretas, deformações e endurecimento

superficial. Um valor ótimo do potencial de secagem depende de vários fatores:

espécie, espessura da madeira, TU inicial , tipo de câmara, etc. Madeiras que

apresentem coeficiente de anisotropia de contração elevado (acima de 2,5) deve-se

adotar baixo potencial de secagem em torno de 2,0 (moderado).

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Curso de Secagem da Madeira

MÓDULO - 02

4 PREPARAÇÃO DA MADEIRA PARA SECAGEM

4.1 PREPARAÇÃO DA CARGA

4.1.1 ESPÉCIE (MASSA ESPECÍFICA)

A velocidade que a madeira perde umidade está em função de sua própria

natureza e de alguns fatores externos como a temperatura a umidade
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