Boletim informativo - I Congresso Brasileiro sobre a Qualidade da Madeira
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inferior aos valores normalmente encontrados para a espécie nesta idade. A casca
por sua vez apresentou densidade inferior à da madeira.
 Nas análises químicas deve-se destacar o teor de celulose encontrado na casca e que
deve ser considerado razoável se a considerarmos como matéria-prima para produção de
celulose nos cozimentos. Quanto a lignina, seu teor foi mais baixo na casca que na madeira.
Convém salientar que BROWNIN G (1963) cita a ocorrência de solubilização de uma boa
parte da lignina da casca quando se aplica o método de análise utilizado neste trabalho. Tal
fato talvez tenha se sucedido neste caso.
 Destaca-se ainda um mais alto teor de extrativos e cinzas na casca que na madeira.
 O teor de pentosanas foi semelhante tanto para casca como para madeira, estando de
acordo com resultados por MARTIN e BROWN (1956) em estudos com P. echinata.

 3.2.2.2. Produção de celulose (cozimentos)

 Os resultados médios dos cozimentos são mostrados na tabela 18.

Tabela 18. Rendimentos e teor de rejeitos

 madeira não-
descascada madeira descascada Teste F

Rendto. Bruto (%)
Rendto. depurado (%)
Rejeitos (%)

50,3
50,0
0,30

52,2
51,9
0,40

115,25**
96,11**
1,01 n.s.

** significativo ao nível de 1% de probabilidade
n.s. não significativo

Boletim Informativo IPEF, Piracicaba, v.6, n.20, p.D.1 – D.51, Nov.1978.

 Na obtenção de celuloses comparáveis à um mesmo grau de deslignificação
(número de permanganato = 17,0 ± 1,0), as condições exigidas para madeira descascada.
Tal qual ocorreu para o Pinus caribaea var. hondurensis para a obtenção de celulose não-
branqueada com o número de permanganato visado necessitou-se somente do acréscimo de
1% no teor de álcali ativo do licor.
 Nos cozimentos de madeira não-descascada observou-se uma redução média de 2%
nos rendimentos em celulose. Essa redução embora estatisticamente significativa, se
comparada com a apresentada pela madeira de Pinus caribaea var. hondurensis foi inferior.
Isto pode ser explicado pelo menor teor de casca presente nos cozimentos com madeira
não-descascada de eucalipto aliada à sua melhor composição química.
 A redução nos rendimentos em celuloses devido a presença de casca é confirmada
por estudos realizados com madeira de folhosas por KAWASE e SUSUKI (1967),
WIEDERMANN (1972) e particularmente para o eucalipto por FOELKEL et alii (1977).
 Com relação ao teores de rejeitos, os mesmos podem ser considerados normais para
as condições de cozimento empregadas para a espécie, tanto para madeira não-descascada
como para madeira descascada. A presença da casca não exerceu influência significativa
sobre o conteúdo de rejeitos das celuloses nas condições utilizadas para suas obtenções.

 3.3.2.3. Análises químicas das celuloses

 Os resultados das análises químicas das celuloses são mostrados na tabela 19.

Tabela 19. Análise química das celuloses

Teor (%) madeira não-descascada madeira descascada Teste F
Holocelulose
Pentosanas
Cinzas

96,2
17,2
0,91

95,8
17,1
0,79

0,77 n.s.
1,17 n.s.

7,41*

* significativo ao nível de 5% de probabilidae
n.s. não-significativo

 Os resultados obtidos para teor de holocelulose e pentosanas das celuloses foram
estatisticamente semelhantes. Diferenças foram sentidas quanto a teor de cinzas, o qual se
mostrou superior na celulose de madeira não-descascada. O teor de cinzas da casca, cerca
de 9,5 vezes superior aos da madeira, refletiu portanto de modo significativo sobre o teor de
cinzas da celulose.

 3.3.2.4. Propriedades óticas das celuloses.

 Os resultados encontrados para alvura e opacidade das celuloses são mostrados na
tabela 20.

Boletim Informativo IPEF, Piracicaba, v.6, n.20, p.D.1 – D.51, Nov.1978.

Tabela 20. Alvura e opacidade das celuloses

madeira não-
descascada madeira descascada Teste F

Alvura
Opacidade

31,4
68,6

37,7
62,0

261,81**
272,35**

** significativo ao nível de 1% de probabilidade

 Os resultados obtidos para a celulose de madeira não-descascada em comparação
com aqueles obtidos para a celulose de madeira descascada mostraram diferenças altamente
significativas quanto a alvura e opacidade. Assim é que a alvura da celulose não-
branqueada de madeira não-descascada mostrou-se inferior na média, em cerca de 6,2% em
relação à celulose obtida de madeira descascada. Com relação à opacidade houve por sua
vez um acréscimo de 6,2% para a celulose obtida de madeira não-descascada.
Particularmente para o caso de alvura os resultados estão de acordo com os de AUCHTER
(1973) obtidos para madeira não-descascada de Populus spp.

 3.3.2.5. Análise anatômica das fibras nas celuloses

 Os resultados para comprimento, largura, diâmetro do lúmen e espessura de parede
são mostrados na tabela 21.

Tabela 21. Comprimento, largura, diâmetro do lúmen e espessura de parede das fibras nas
celuloses.

madeira não-
descascada madeira descascada Teste F

Comprimento (mm)
Largura (µ)
D. lúmen (µ)
E. parede (µ)

0,88
17,34
7,16
5,05

0,88
17,18
7,14
5,06

0,17 n.s.
0,80 n.s.
0,024 n.s.
0,012 n.s.

n.s. não-significativo

 A análise anatômica das fibras com relação ao comprimento, largura, diâmetro do
lúmen e espessura da parede nas celuloses de eucalipto mostrou não existir nenhuma
influência significativa sobre os mesmos em razão da presença de casca nos cozimentos de
madeira não-descascada.

 3.3.2.6. Propriedades físico-mecânicas

 Os resultados referentes às propriedades físico-mecânicas alcançados pelas
celuloses são mostrados nas tabelas 22 e 23.
 Os resultados referentes às equações de regressão simples são mostrados na tabela
24.

Boletim Informativo IPEF, Piracicaba, v.6, n.20, p.D.1 – D.51, Nov.1978.

Tabela 22. Valores das propriedades físico-mecânicas encontrados para a celulose obtida de
madeira descascada de E. grandis

oSR Tração (m)
Arrebentamento

(Ind. Arreb.)
Rasgo

(Ind. Rasgo) Dobras (N
o) Porosidade (seg/100 cm3)

Peso específico
(g/cm3)

9
12
13
18
19
28
29
36
37
45
46
53
58
59
69

2614
2617
2740
6395
6378
7285
7246
7339
6097
6897
7725
8492
7426
7667
6920

18,5
12,4
15,6
49,5
51,2
50,2
52,4
53,1
49,8
50,1
59,1
61,2
53,0
51,8
47,9

223
224
229
166
163
161
153
137
134
140
144
130
140
124
121

34
17
29
838
810
1458
852
748
895
904
941
842
885
761
1040

0
0
0

1,8
1,4
8,1
7,3

15,6
18,5
27,4
25,5
65,8
64,8
80,3
147,7

0,367
0,359
0,368
0,536
0,518
0,558
0,550
0,557
0,563
0,562
0,561
0,592
0,556
0,581
0,576

Tabela 23. Valores das propriedades físico-mecânicas encontradas para a celulose de P.
caribaea var. hondurensis obtidas de madeira descascada de E. grandis.

oSR Tração (m)
Arrebentamento

(Ind. Arreb.)
Rasgo

(Ind. Rasgo) Dobras (N
o) Porosidade (seg/100 cm3)

Peso específico
(g/cm3)

12
12
13
18
18
20
35
38
44
44
56
56
64
65
68

2226
1802
2012
5446
5398
4918
5335
5671
5711
5513
5989
5976
5747
6224
6193

13,1
12,5
12,9
39,1
38,0
34,0
43,0
39,9
42,5
45,7
43,3
40,8
43,7
41,5
43,9

236
208
221
213
212
219
164
151
141
162
146
132
135
114
116

14
12
13

1189
1201
557
1624
952
1130
1400
1163
905
1140
1465
1396

0
0
0

1,8
1,4
8,1
7,3

15,6
18,5
27,4
25,5
65,8
64,8
80,3
147,7

0,367
0,359
0,368
0,536
0,518
0,518
0,558
0,550
0,557
0,563
0,562
0,561
0,592
0,556
0,576

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