Boletim informativo - I Congresso Brasileiro sobre a Qualidade da Madeira
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Boletim informativo - I Congresso Brasileiro sobre a Qualidade da Madeira

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elemento mineral, surgem
grandes controvérsias entre os diferentes autores.
 Verificou-se que enquanto o uso isolado de nitrogênio diminuiu a densidade da
madeira de Pinus pinaster (23), e o uso também isolado de Fósforo (23, 31) e de Potássio
(23) não provocaram nenhuma alteração, o uso combinado do nitrogênio e do fósforo,
promoveram um certo acréscimo na densidade da madeira. Também, não foi verificado
nenhum efeito significativo da aplicação de fertilizantes NPK sobre a densidade média de
P. elliottii var. elliotii (1, 9), enquanto, em outro ensaio, o uso isolado de nitrogênio foi
mais uma vez depressivo e o do fósforo insignificante com relação à densidade. (33).
 Em estudos de fertilização em Pinus taeda, verificou-se o efeito positivo da
aplicação de N isoladamente ou em combinação com P e ou K no crescimento. Com

Boletim Informativo IPEF, Piracicaba, v.6, n.20, p.C.1 – C.13, Nov.1978.

referência a aplicação de P e K, nas quantidades usadas, não se verificou alteração no
crescimento (39). Em todos os casos, a porcentagem de lenho outonal e a densidade não
foram alteradas. (39). Tais dados foram anteriormente observados por outro autor (15).
 Nos trabalhos onde a densidade da madeira diminuiu sob a ação de fertilizantes
minerais, os valores encontrados foram, em média, 2 a 10% inferiores aos valores da
densidade média das árvores sem fertilizante.
 Entretanto, a maioria dos autores são unânimes em afirmar que os acréscimos em
volume de madeira proporcionado pela fertilização, compensam o decréscimo da densidade
produzindo maior peso de matéria seca, quando comparado com o total de matéria seca
produzido pelas parcelas não adubadas.
 Um exemplo disso, pode ser observado em um trabalho, cuja adubação de P. taeda
com 150 kg de nitrogênio por hectare e 67 kg de fósforo por hectare, promoveu um
acréscimo em peso seco da ordem de 15,5%, apesar da densidade básica da madeira ter sido
reduzida em 0,05g/cm3 (2).
 Posey (1965), citado por (41) verificou, para P. taeda, que o fertilizante não afeta
todas as árvores com a mesma intensidade. Arvores com mais alta densidade inicial ou
traqueídeos mais longos foram mais afetadas pela aplicação de fertilizantes do que as
árvores de traqueídeos mais curtos ou mais baixa densidade. O mesmo autor verificou
também que algumas árvores não sofreram qualquer interferência na qualidade da madeira,
enquanto poucas, ao contrário da média, apresentaram maior densidade e traqueídeos mais
longos como efeito da fertilização nitrogenada.
 Com relação ao gênero Eucalyptus, (26; 3; e 19) não observaram nenhuma alteração
significativa na densidade da madeira, em função da aplicação de fertilizantes NPK, apesar
dos acréscimos, tanto em DAP, como em altura, terem sido altamente significativos.

 4.2. Efeitos no Comprimento de Fibras.

 Da mesma forma que para densidades, os trabalhos que têm estudado o efeito da
fertilização no comprimento de fibras, apresentam resultados contraditórios quando
comparados entre si.
 Alguns autores têm verificado uma redução no comprimento de fibras, ocasionado
pala aplicação de Nitrogênio e Fósforo em coníferas, embora em alguns casos a redução
tenha sido insignificante (9, 17, 30).
 A aplicação de Potássio em Pinus promoveu um decréscimo no comprimento de
fibras tanto do lenho outonal como do primaveril, tendo havido ainda um decréscimo na
espessura das paredes das fibras do lenho outonal, ocorrendo o inverso no lenho primaveril
(18).
 Por outro lado, trabalhos conduzidos com Pinus pinaster, utilizando-se fertilização
fosfatada, e em Pinus taeda, fertilizado com Nitrogênio e Potássio, verificou-se que embora
pequeno, ocorreu em ambos os casos, aumento no comprimento de fibras (31, 23).
 Para folhosas, no caso Platanus ocidentalis, Eucalyptus grandis e Eucalyptus
saligna, tem se verificado que não existe influência da fertilização na comprimento das
fibras. (35, 26, 10).
 Para Euca1yptus saligna, verificou-se uma pequena redução no comprimento das
fibras influenciada pela aplicação de calcário (26).

 4.2. Efeito em outros parâmetros

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 Além da densidade e comprimento de fibras foram encontrados alguns trabalhos,
que levantam o efeito da fertilização em outros parâmetros, que julgamos de interesse na
produção de celulose e papel.
 Em estudos sobre efeito da fertilização na qualidade da madeira de pinus, verificou-
se que o efeito não foi pernicioso tendo em alguns casos melhorado a sua qualidade,
quando as árvores possuiam anéis de crescimento de 1 - 1,5 mm de largura (28). Verificou-
se também que a fertilização afeta diretamente a copa da árvore e indiretamente, a
formação da madeira. A qualidade da madeira muda, sendo que sua taxa de formação está
ligada às respostas da copa e folhagem à fertilização. Árvores jovens tendem a responder à
fertilização com a formação de maior proporção de lenho primaveril, com redução na
densidade. Já em árvores maduras o efeito na porcentagem de lenho primaveril é
temporário e menos pronunciado. As dimensões das fibras variam independentemente da
formação do lenho primaveril ou outonal. O comprimento das fibras é apreciavelmente
menor somente em árvores jovens. A composição química, porcentagem de celulose
principalmente, parece não responder à fertilização. Evidenciou-se que a uniformidade da
madeira dentro da árvore poderia ser maximizada pela fertilização. (21, 22)
 A aplicação de Potássio em pinus resinosa e NPK em Pseudotsuga menziesii
proporcionaram aumento na resistência à tração tendo sido mantidos os níveis de
resistência ao rasgo e ao arrebentamento. Embora tenha se verificado uma redução na
densidade, as qualidades das fibras e o papel foram melhoradas, além de um substancial
aumento no crescimento. Verificou-se uma maior uniformidade dentro das árvores (16).
 Outro efeito da aplicação do potássio em Pinus verificado foi a do aumento na
largura e número de células do lenho outonal, embora a porcentagam de madeira deste tipo
tenha reduzido (18).

5. CONCLUSÕES

 Pode se depreender, pela revisão efetuada, que os resultados encontrados sobre os
efeitos da fertilização na qualidade da madeira, têm sido bastante contraditórios não sendo
possível prever as alterações que cada elemento poderá acarretar.
 As coníferas são, de um modo geral, as que têm apresentado, com maior freqüência,
alterações negativas em sua madeira, quando fertilizada com nitrogênio. Enquanto que em
folhosas, tais efeitos, praticamente, não têm sido verificado.
 Quanto à fertilização potássica e/ou fosfatada, não se tem verificado, em grande
parte dos estudos, efeitos significativos sobre as qualidades da madeira.
 Com referência aos demais macronutrientes, bem como aos micronutrientes,
praticamente não existem estudos que possam mostrar qualquer tendência.
 Em média, nos trabalhos levantados, verificou-se que as qualidades da madeira são
mais influenciadas em sua fase juvenil do que na fase adulta.
 Considerando os atuais ciclos de rotação, para Eucalyptus, e que a qualidade do site
e o rítmo de crescimento não interferiram nas qualidades da madeira de E. grandis, (29) e
ainda o excelente crescimento desta espécie sob a ação de fertilizantes, é fundamental que
seus plantios sejam fertilizados.
 As contradições sobre o referido, tão comentadas neste trabalho podem estar
correlacionadas com uma série de fatores que merecem uma certa relevância quando dos
estudos da qualidade da madeira. Como observado por (5), existem variações na densidade

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entre procedências de uma mesma espécie. Trabalhos desenvolvidos pelo IPEF, na região
Sul do Brasil, revelam para o P. taeda, diferenças significativas na densidade da madeira
entre as procedências estudadas.