A Retratibilidade da Madeira
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A Retratibilidade da Madeira

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28/01/13 REMADE: Revista da Madeira

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 REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°59 - SETEMBRO DE 2001

Retratibilidade

A Retratibilidade da Madeira

A retratibilidade da madeira é o fenômeno relacionado à variação dimensional da

madeira, em função da troca de umidade do material com o meio que o envolve, até

que seja atingida uma condição de equilíbrio, chamada de umidade de equilíbrio

higroscópico. As variações nas dimensões nas peças de madeira começam a ocorrer

quando se perde ou se ganha umidade abaixo do ponto de saturação das fibras, que,

de modo geral, situa-se ao redor de 28 a 30% de umidade. A variação dimensional da

madeira diz respeito às contrações e ao inchamento da madeira. As características de

retração da madeira são bastante diferentes entre as espécies, dependendo do modo

de condução da secagem e do próprio comportamento da madeira, o que leva

ocasionalmente a alterações da forma e à formação de fendas e empenos. Precauções

especiais devem ser tomadas nas situações em que se exige a estabilidade da madeira.

Em edificações, pisos, esquadrias, portas e móveis em geral, podem ocorrer sérios

prejuízos, chegando, mesmo, a inviabilizar o produto final se não se faz a correta

secagem até a umidade de equilíbrio das condições de uso.

Existem várias explicações sobre a causa do aumento da contração com a

temperatura. Uma das razões poderia ser a diminuição do teor de umidade de

equilíbrio, mas tal fator causaria um aumento de contração menor que 1% e, na

realidade, o aumento de contração é muito maior que esse valor. Outros fatores

podem contribuir para explicar a contração da madeira:

- presença do colapso da parede celular, devido às forças capilares que excedem a

resistência à compressão da madeira no sentido perpendicular às fibras;

- uma parte da contração é, na realidade, um compressão residual resultante das

tensões desenvolvidas durante a secagem;

- há uma degradação térmica parcial do material.

Apesar de a retratibilidade volumétrica expressar a variação total ocorrida na variação

higroscópica , as contrações lineares que ocorrem ao longo dos planos de orientação

da madeira são, na maioria das vezes, mais importantes e, por serem diferentes,

tornam a madeira um material anisotrópico. Atenção maior deve ser dada à

movimentação transversal das madeiras, uma vez que estas se diferem conforme as

direções tangencial ou radial, sendo a primeira maior que a segunda. Os valores da

contração tangencial oscilam em torno do dobro dos valores encontrados na contração

radial, podendo chegar ao triplo, em casos extremos, como no caso da madeira de

eucalipto, e são vinte vezes maior que os detectados no sentido longitudinal ou axial.

A contração da madeira deixa de observar as regras normais de anisotropia quando a

temperatura aumenta. Segundo tais autores, nem sempre a contração tangencial é

sempre maior que a contração radial; com o aumento da temperatura, a contração em

espessura é sempre maior do que em largura, independentemente da orientação(

radial ou tangencial). Esse fenômeno se baseia no fato de que as células da superfície

de um corpo submetido à secagem ficam restritas a contrair em largura pelas células

do interior( que estão com um teor de umidade acima do ponto de saturação das

fibras), enquanto a contração em espessura se processa livremente.

Desequilíbrio

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28/01/13 REMADE: Revista da Madeira

www.remade.com.br/br/revistadamadeira_materia.php?num=26&subject=Retratibilidade&title=A Retratibilidade da Madeira 2/3

Desequilíbrio

Em se tratando da variação dimensional na direção transversal( radial e transversal), há

um desequilíbrio entre os valores da retratibilidade. Tal desbalanceamento entre as

contrações é chamado de fator anisotrópico, ou seja, a relação entre a retratibilidade

na direção tangencial dividida pela mesma propriedade na direção radial. A situação

ideal seria aquela em que as tensões decorrentes da natureza anisotrópica se

anulassem segundo as direções em que a retratibilidade se manifestasse, o que, na

prática, raramente acontece. A grande importância desse índice é que, quanto maior

for o seu distanciamento da unidade, mais propensa é a madeira se fendilhar e

empenar.

Para as madeiras mais estáveis, os índices variam de 1,3 a 1,4, mas para madeiras de

eucalipto, principalmente aquelas provenientes de árvores jovens e de rápido

crescimento, os índices podem chegar a 3, tornando-as extremamente instáveis

dimensionalmente. Existe um critério de classificação quanto ao fator anisotrópico:

madeiras com fatores entre 1,2 a 1,5 são consideradas excelentes, ocorrendo em

madeira de cedro, sucupira e mogno; fatores entre 1,5 a 2,0 são consideradas

normais, ocorrendo em ipê, pinus, araucária, peroba-rosa e teca; fatores acima de 2,0

são consideradas ruins, ocorrendo em araucária, imbuia, jatobá e eucalipto.

Coeficientes de anisotropia de contração baixos, mas com contrações tangencial e

radial excessivas provocam a instabilidade dimensional da madeira.

Os valores de retratibilidade obtidos nas direção axial ou longitudinal são muito

pequenos e dificilmente ultrapassam 1% para as madeiras comuns, inclusive o

eucalipto. A retratibilidade longitudinal da madeira de algumas espécies de eucalipto

apresenta os seguintes valores: Eucalyptus paniculata (0,9), E. urophylla (1,1), E.

tereticornis (0,9), E. citriodora (0,8) e E. cloeziana (0,6%). Os valores médios para

contração longitudinal total estão entre 0,1 e 0,2% para a maioria das espécies.

Valores mais elevados podem ser esperados quando se encontra madeira anormal,

como lenho de reação, lenho juvenil e de grã revessa. Tais alterações na contração

são devidas ao ângulo microfibrilar que aumenta proporcionalmente aos seus valores. A

madeira de Eucalyptus grandis, de povoamentos jovens, possui baixa estabilidade

dimensional.

Não existe um perfil definido de variação da retratibilidade para as madeiras na direção

radial, no sentido medula-casca. Existe um padrão crescente de retratibilidade na

direção medula-casca para a madeira das espécies de Eucalyptus citriodora, E. cloeziana

e E. urophylla. Em Eucalyptus pilularis existe uma tendência decrescente da contração

no sentido medula-casca. Em Eucalyptus camaldulensis, também se observa um

decréscimo da contração no sentido medula-casca. Há, entretanto, um consenso

entre os pesquisadores que existe uma tendência geral para a maioria de todas as

espécies apresentarem valores inferiores de contração na região do alburno periférico,

indicando uma elevada estabilidade dimensional dessa madeira nessa região.

A madeira de eucalipto, por ser de crescimento rápido, está ligada a contrações

excessivas, com o aparecimento de defeitos de secagem, como empenamentos e