Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus
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Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus

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na formação de trincas
superficiais em madeira de Pinus taeda;

• Encontrar valores médios de gradiente de umidade que não geram
trincas superficiais e compara-los entre os diferentes tipos de corte e larguras das
tábuas.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. CARACTERÍSTICAS DA MADEIRA

Madeiras com massa específica mais elevada são mais influenciadas pela

contração e inchamento. Uma maior quantidade de massa lenhosa por volume explica este
fato, ou seja, menos espaços vazios e maior espessura das paredes celulares. Madeiras que
possuem maior massa específica têm maior capacidade de reter água em suas paredes
celulares (TSOUMIS, 1991).

MUÑIZ (1993) citando BENDTSEN (1978), diz que a variação crescente da
massa específica da medula em direção à casca ocorre pelas diferenças anatômicas entre o
lenho juvenil e adulto; paredes mais finas e a baixa porcentagem de lenho tardio nos anéis
de crescimento combinam e interagem, conferindo ao lenho juvenil uma massa específica
mais baixa.

Uma madeira recém cortada normalmente apresenta seus vasos, canais, lumens,

bem como as regiões amorfas da celulose da parede celular saturados por água. De acordo
com KOLLMANN e COTÊ Jr. (1968), na madeira recém cortada a água está presente em
quatro diferentes formas ou tipos.

• Água capilar ou livre;
• Água higroscópica ou de adesão;
• Água de constituição, fazendo parte das moléculas de celulose, hemicelulose e

lignina;

• Vapor de água, localizado nas aberturas naturais da madeira e movimentando-se por
difusão.

A movimentação capilar é realizada através das aberturas naturais existentes na
madeira, sendo o fator limitante a permeabilidade.

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KOLLMANN e COTÊ (1968) e SKAAR (1972), definem água livre como sendo
aquela existente na madeira quando o seu teor de umidade está acima do ponto de saturação
das fibras, tendo como principal movimentação da água a capilaridade.

A água higroscópica presente nas paredes celulares movimenta-se através desta

por um processo chamado difusão, isto ocorre quando a madeira está abaixo do ponto de
saturação das fibras.

Para TSOUMIS (1991), a contração e inchamento da madeira são afetados
diretamente pela umidade quando abaixo do ponto de saturação das fibras, sendo este um
fator de singular importância.

Segundo KOLLMANN e COTÊ (1968) e SKAAR (1972), no processo de
secagem da madeira, interessa apenas a movimentação da água no sentido da desorção ou
perda, que pode ser estudado sob dois aspectos principais: movimentação da água capilar e

da água higroscópica.

Segundo SKAAR (1972), as moléculas de água absorvidas junto à parede celular
da madeira requerem menor quantidade de energia para se movimentarem para locais de
menor teor de umidade que a requerida para se dirigirem para regiões de maior teor de
umidade. A difusão da água higroscópica ocorre em combinação com a difusão do vapor de
água. Durante o seu percurso para a superfície da madeira, a água no estado de vapor é
novamente absorvida na parte de outra célula, para então ocorrer o mecanismo de difusão
da água higroscópica. Esta combinação de mecanismos será repetida até que a molécula de
água atinja a superfície da madeira.

A saída da água de impregnação promove modificações estruturais na madeira,

aproximando as células lenhosas e conferindo maior rigidez às mesmas. Isto explica a
contração da madeira, manifestando-se entre 6% e 28% do teor de umidade (KOLLMANN,
1951).

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Para GREEN e KRETSCHMANN (1994), a resistência à tração perpendicular à
grã é aumentada ao se diminuir a umidade da madeira de verde até sobre os 7 a 12
porcento. Relativamente aos 12 % de umidade, a resistência à tração perpendicular às fibras
decresce em 59 % quando verde, decresce 25% aos 19% de umidade, 5% aos 7% de
umidade e 10% aos 4 % de umidade.

2.2. CARACTERÍSTICAS DO PINUS

Pertencentes a família Pinaceae, árvores do gênero Pinus são originárias
principalmente da região sudeste dos Estados Unidos e entre as principais espécies
encontra-se o Pinus taeda (KOCH, 1972).

Para Pinus taeda os valores de massa específica variaram consideravelmente no
sentido horizontal do tronco, pela idade e afastamento da medula (MUÑIZ, 1993).

Segundo MUÑIZ (1993), o teor de umidade do Pinus taeda varia
consideravelmente na árvore, tanto no sentido radial como em altura. A variação mais

significativa foi encontrada na faixa de transição do alburno (120%) para o cerne (30-60%),
aumentando também em relação à altura da árvore. À medida que aumenta a idade, diminui
o teor de umidade.

2.3. PONTO DE SATURAÇÃO DAS FIBRAS

O ponto de saturação das fibras (PSF) á de grande importância devido às
alterações na resistência mecânica e nas propriedades físicas que ocorrem na madeira a

partir deste ponto. Estas alterações são decorrentes da retirada da água presente nos espaços
submicroscópicos da parede celular, fazendo com que as micelas se aproximem umas das

outras, conferindo-lhes maior rigidez.

Segundo ZADERENKO (2000), os valores obtidos para o ponto de saturação das
fibras da madeira de Pinus taeda têm um valor médio de 27,9%, concordando com SKAAR

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(1972), este determinou o ponto de saturação das fibras entre 25% e 35% de umidade em
relação ao peso seco do material, variando conforme a espécie, teor de extrativos,
temperatura, etc.

2.4. LENHO JUVENIL E ADULTO

Foi citado por MUÑIZ (1993) que SIMIONI (1981) observou que existe a
necessidade de se levar em conta a variação existente entre os lenhos juvenil e adulto de
Pinus radiata para o cálculo de tensões admissíveis visando a classificação da madeira em
classes de qualidade.

A madeira formada nos primeiros anéis de crescimento (lenho juvenil) quando
comparada ao lenho adulto, apresentou menores porcentagens de lenho tardio, massa
específica e contrações volumétrica, radial e tangencial (MUÑIZ, 1993).

2.5. CONTRAÇÃO DA MADEIRA

Para ALBUQUERQUE (1999), as alterações dimensionais, associadas com a
retração e o inchamento, podem ocasionar danos a produtos de origem lenhosa. Tais como
podem ser resultado de simples alteração dimensional, anisotropia, ou a retração e
inchamento diferenciado no corpo lenhoso, sob a influencia de diferenças na distribuição de
umidade e densidade. Como resultado, podem se desenvolver diversos defeitos na madeira,
a exemplo da abertura ou estreitamento de juntas, alterações de forma na seção transversal,
empenamentos, rachaduras (trincas superficiais), encruamento, rachaduras em favo (trincas
internas), colapso, grã afrouxada ou levantada.

Para MUÑIZ (1993), estudando Pinus taeda, a propriedade de retratibilidade
determinada para os lenhos juvenil e adulto das duas espécies, confirma as diferenças
existentes entre os mesmos. As contrações volumétricas, tangencial e radial, aumentaram
no sentido medula-casca, diminuindo com a altura; a contração longitudinal e anisotropia

de contração apresentaram uma relação inversa das anteriores. As contrações volumétricas

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máxima, radial e tangencial mostram alta correlação com a massa específica, já a contração
longitudinal e a anisotropia de contração apresentam uma correlação inversa em relação à
massa específica.

2.6. GRADIENTE DE UMIDADE

O gradiente de umidade durante o princípio da secagem faz com que a madeira

esteja sob tração na superfície e compressão no interior (SKAAR, 1972). Isto se observa
quando a madeira da superfície, além de estar abaixo do ponto de saturação das fibras, está
com menor teor de umidade que a do interior da madeira.

2.7. TENSÃO INTERNA NA MADEIRA

ALBUQUERQUE (1999) define tensão como sendo uma força interna resultante
de uma aplicação de carga