Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus
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Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus

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em um material. Quando as tensões são decorrentes de um
processo de secagem da madeira, estas ocorrem devido a diferenças na magnitude de
contrações entre zonas ou partes adjacentes de uma peça lenhosa. A tensão de tração se
caracteriza por uma força que tende a esticar o material, ou resistir à redução dimensional,
enquanto que, a tensão de compressão, tende a comprimir ou resistir a um estiramento.

Para ALBUQUERQUE (1999), na secagem da madeira, se for considerada uma
peça extremamente delgada, esta irá se contrair sem que seja notado qualquer distúrbio.
Entretanto, quando se considera uma peça lenhosa de maior espessura, provavelmente
ocorrerão dificuldades entre a parte interna e a externa da peça, pois na superfície,
inicialmente, ocorrerá uma evaporação mais acentuada, que terá de ser compensada pela

umidade existente no interior da peça. Todavia, pode ocorrer a condição em que a umidade
interna não é suficiente para transportar a água evaporada e, por conseqüência, a superfície

lenhosa irá secar de forma mais rápida do que o interior da peça. Ao desenrolar deste
processo, quando o grau de umidade superficial se reduzir abaixo do ponto de saturação das
fibras, as camadas superficiais irão se contrair, enquanto as camadas mais internas estarão

acima deste ponto. Por conseguinte, as camadas externas sofrerão uma tensão de tração,

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pois estarão contidas pelas camadas internas em seu processo de retração, e estas últimas
uma tensão de compressão, devido à retração das externas.

2.8. TRINCAS SUPERFICIAIS

Segundo a JUNTA DEL ACUEDO DE CARTAGENA (1989), as trincas na
superfície aparecem quando tensões que excedem a resistência da madeira à tração

perpendicular às fibras desenvolvem-se na superfície, devido a uma secagem inicial muito
acelerada que produz diferença acentuada entre os teores de umidade da superfície e do
centro da madeira. Quanto mais espessa for a madeira, maior a possibilidade do
aparecimento de rachaduras superficiais. Este defeito ocorre principalmente na fase inicial
da secagem e, quando detectado a tempo, pode ser reduzido, aumentando-se a umidade
relativa do ar dentro da estufa.

3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. MATEIAL DE ESTUDO

A espécie estudada no presente trabalho é o Pinus taeda. Foi escolhida tal
espécie devido à atual importância dada para este gênero na produção de produtos de maior
valor agregado, como molduras, móveis, painéis.

Os corpos de prova foram retirados de material florestal proveniente de
reflorestamentos da região de Volta Grande, distrito de Rio Negrinho – SC, cujas toras
foram separadas no pátio da serraria da MASISA Madeiras S.A. – Planta de Rio Negrinho.
Nesta mesma empresa, as amostras foram beneficiadas, padronizadas e testadas.

3.2. AMOSTRAGEM E PREPARAÇÃO DO MATERIAL

Toras com diâmetro menor entre 30 e 40 centímetros e 4 metros de
comprimento, sem tortuosidade aparente, foram marcadas, serradas e as tábuas separadas

na serraria conforme FIGURA 01.

FIGURA 01 – TORA MARCADA (A) E TÁBUA SEPARADA NA SERRARIA (B)

(A) (B)

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As tábuas utilizadas no desenvolvimento da pesquisa foram de 39 milímetros de
espessura e larguras de 95, 121 e 135 milímetros.

As tábuas de 4 metros de comprimento foram cortadas em 4 amostras de 1 metro
(FIGURA 02).

FIGURA 02 – AMOSTRAS E TIPOS DE CORTE NA SERRARIA

Legenda: TA – tangencial adulto; TJ – tangencial juvenil; RM – radial medular

Para cada largura das tábuas foram estudados três diferentes cortes de madeira,
descritos abaixo e representados na FIGURA 03. O aparecimento de outro tipo de corte foi
verificado pelo topo de cada amostra, que era descartada caso não apresentasse o corte
desejado.

• Corte Radial de Madeira do Lenho Juvenil com Medula ( RM );
• Corte Tangencial de Madeira do Lenho Juvenil ( TJ );
• Corte Tangencial de Madeira do Lenho Adulto ( TA ).

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FIGURA 03 – TIPOS DE CORTE AMOSTRADOS

Estão demonstradas na TABELA 01 as quantidades de amostras de 1 metro para
cada largura das tábuas com relação à posição do corte na tora. Totalizou-se 45 amostras
estudadas.

TABELA 01 – QUANTIDADE DE AMOSTRAS PARA CADA DIMENSÃO E CORTE
Tipo de Corte Dimensão das Peças (mm) 39 x 95 x 1000 39 x 121 x 1000 39 x 135 x 1000

Radial Medular 5 5 5
Tangencial Juvenil 5 5 5
Tangencial Adulto 5 5 5

Total 15 15 15

Destas amostras de 1 metro são retirados corpos de prova livres de defeitos
aparentes de 6 cm de comprimento de uma das pontas (FIGURA 04), estas servirão para os
cálculos de umidade inicial, massa específica anidra e contração máxima em relação à
largura.

TANGENCIAL ADULTO

TANGENCIAL JUVENIL

RADIAL MEDULAR

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FIGURA 04 – DIVISÃO DA AMOSTRA PARA PROPRIEDADES FÍSICAS (A) E TRINCAS
NA MADEIRA (B)

3.3. PROPRIEDADES FÍSICAS DA MADEIRA

As amostras de 6 centímetros foram pesadas verdes (Pu), utilizando uma balança
com precisão de 0,01 grama e medidas as dimensões nas posições indicadas com um
paquímetro com precisão de 0,05 milímetros (FIGURA 05).

FIGURA 05 – AMOSTRA PARA PROPRIEDADES FÍSICAS (A) E BALANÇA UTILIZADA
NA PESAGEM (B)

(A)

(B)

As amostras foram secas em estufa à 103 ± 2 ºC. Durante a secagem a massa do
corpo de prova foi medida a cada 6 horas, até que ocorra uma variação entre duas medidas,
consecutivas, menor ou igual a 0,5% da última massa medida. Após as amostras atingirem

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peso constante, as mesmas foram resfriadas e pesadas para a obtenção da massa a 0% de
umidade (Ps). Utilizando-se a FÓRMULA 01 calcula-se a umidade inicial da madeira
analisada.

FÓRMULA 01 – CÁLCULO DO TEOR DE UMIDADE INICIAL DA MADEIRA
ESTUDADA

onde:

Tu = Teor de Umidade Inicial da Madeira Estudada ( % );
Pu = Massa da Madeira em seu Estado Verde ( kg );
Ps = Massa da Madeira com 0% de Umidade ( kg ).

Determinaram-se novamente as dimensões das amostras e com estes valores

calcula-se a massa específica anidra e a contração máxima no sentido da largura das peças
(FORMULAS 02 e 03). Para o cálculo destas propriedades físicas, foram adaptadas as
fórmulas dadas pela Norma Brasileira – NBR 7190.

FÓRMULA 02 – CÁLCULO DA MASSA ESPECÍFICA DA MADEIRA ESTUDADA

onde:

D0% = Massa Específica Anidra da madeira Estudada ( kg/m³ )
Ps = Massa da Madeira co 0% de Umidade ( kg );
Vs = Volume de Madeira ( m³ ).

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FÓRMULA 03 – CÁLCULO DA CONTRAÇÃO MÁXIMA NA LARGURA

onde:

CL = Contração Máxima na Largura da Tábuas Estudadas ( % );
Lu = Largura da Amostra Úmida ( mm );
Ls = Largura da Amostra Seca a 0% de Umidade ( mm ).

3.4. RELAÇÃO DO GRADIENTE DE UMIDADE E TRINCAS

3.4.1. COLETA DE DADOS

As amostras de 94 centímetros foram submetidas aleatoriamente à secagem em
uma estufa para testes da marca Contraco com sistema de automação Trinetron (FIGURA
06), com a intenção de trincar superficialmente a madeira. Gerou-se a condição de 103 ± 2
graus Celsius, com circulação forçada do ar e umidade relativa do ar sem controle,

mantendo um damper que 100% aberto todo o tempo.

FIGURA 06 –ESTUFA DE SECAGEM PARA TESTES

(A) (B) (C)

A – Vista Frontal
B – Vista Lateral
C – Sistema de Controle

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As amostras foram avaliadas visivelmente a cada hora quanto ao possível
aparecimento de trincas superficiais, anotando este tempo de secagem caso fosse
identificada alguma trinca. Havendo trincas, estas foram marcadas e analisadas.

3.4.2. ANÁLISE DE TRINCAS

As trincas quando evidenciadas foram marcadas em seu comprimento com um

pincel atômico. A madeira