Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus
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Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus

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trincada para análise foi escolhida livre de outro tipo de defeito,
sendo a trinca o único defeito que prejudique a peça.

A seguir retiraram-se amostras no formato de blocos de 1,5 x 1,5 centímetros de
largura e comprimento. Sendo um bloco na trinca e dois nas extremidades da trinca o mais
próximo possível desde que não estejam comprometidos pela mesma (FIGURA 07). Estes
serviram para a determinação do gradiente de umidade.

FIGURA 07 – AMOSTRAS PARA GRADIETE DE UMIDADE

Para a determinação do gradiente de umidade utilizou-se uma guilhotina
especialmente desenvolvida para cortar os blocos em pequenas amostras com
aproximadamente 3 milímetros de espessura (FIGURA 08).

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FIGURA 08 – BLOCOS (A), GUILHOTINA (B) E PEQUENAS AMOSTRAS (C)

(A) (B) (C)

3.4.3. GRADIENTE DE UMIDADE

Após o corte do bloco em pequenas amostras (FIGURA 09), foi determinado o
gradiente de umidade através da obtenção do teor de umidade de cada pequena amostra.
Em função das amostras serem muito leves foi necessária a utilização de uma balança com
alta precisão (0,001 gramas) e estufa de laboratório (FIGURA 10)

FIGURA 09 – POSIÇÃO PARA CORTE DOS PALITOS

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FIGURA 10 – BALANÇA USADA NA PESAGEM DAS PEQUENAS AMOSTRAS (A) E
ESTUFA DE SECAGEM DE LABORATÓRIO (B)

(A) (B)

Calculou-se o gradiente de umidade responsável pela trinca, usando-se os valores
de umidade da amostra da superfície em relação à seguinte. A distância para cálculo do
gradiente de umidade foi considerada de 3 milímetros, pois considerou-se a umidade da

pequena amostra exterior como sendo a umidade pontual no seu centro, o mesmo para os
subseqüentes. A expressão que relaciona certa variação de umidade por distância esta
descrita abaixo como FÓRMULA 04. Embasado na teoria de que a madeira somente varia
seu volume abaixo do ponto de saturação das fibras, quando encontrado um valor acima
deste, foi considerado apenas o valor do PSF (27,9% para Pinus taeda, segundo
ZADERENKO, 2003).

FÓRMULA 04 – GRADIENTE DE UMIDADE DA MADEIRA

onde:

G = Gradiente de umidade ( %/mm ), na expressão é dado em módulo;
Ua = Umidade no ponto “a” considerado o palito superficial ( % );

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Ub = Umidade no ponto “b” considerado o palito subseqüente ( % );
d = Distância entre os centros dos palitos “a” e “b” ( mm ).

Da mesma forma calculou-se os gradientes de umidade periféricos à trinca,
considerando-os como máximo, na eminência de trincar.

3.5. ANÁLISE ESTATÍSTICA

A análise estatística foi compreendida pela análise de variância e análise de
regressão.

Para a compreensão do estudo, os resultados se apresentam em forma de tabelas
e gráficos. As tabelas são compreendidas pela média encontrada, bem como o desvio
padrão e o coeficiente de variação. Os gráficos são apresentados de forma que sempre as
variáveis estejam demonstradas nos seus eixos.

Para as correlações escolhidas foi dada a tendência linear obtida pelo sistema dos

mínimos quadrados, sendo calculado a equação da reta (y = ax + b), bem como o
coeficiente de correlação (R²).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. PROPRIEDADES FÍSICAS

4.1.1. UMIDADE INICIAL

Os resultados médios do teor de umidade, em porcentagem, da madeira nos três

tipos de corte estudados estão apresentados na TABELA 02, bem como o desvio padrão e o
coeficiente de variação, também se podem visualizar na FIGURA 11 as médias das
umidades.

TABELA 02 – UMIDADE INICIAL NOS DIFERENTES TIPOS DE CORTE
 Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto

Média (%) 160,7 163,6 96,3
Desvio Padrão (%) 18,6 24,6 37,2

Coeficiente de Variação (%) 11,6 15,0 38,6

Os resultados médios de umidade inicial para madeira radial medular e
tangencial juvenil são muito próximos, sendo estas bastante elevadas se comparadas à
umidade inicial da madeira tangencial adulta.

Valores de desvio padrão acima de 20% são considerados altos para estudos de

madeiras, o relativamente maior desvio padrão para madeira de corte tangencial adulto
pode ser explicado pelo possível tempo de estocagem das toras no pátio, tendo menor

umidade madeira tangencial adulta de toras com maior tempo de estocagem. Para melhorar
os resultados é necessária uma maior amostragem, além de um melhor controle do tempo
de estocagem das toras.

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FIGURA 11 – UMIDADE DA MADEIRA PARA CADA TIPO DE CORTE ESTUDADO

160,7 159,2

91,1

0,0

20,0

40,0

60,0

80,0

100,0

120,0

140,0

160,0

180,0

Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto
Tipo de Corte

Um
id

a
de

(%

)

Este baixo valor de umidade para madeira de corte tangencial adulto pode ser
explicado pelo natural menor teor de umidade existente em madeira adulta, relacionada
com o teor de umidade em madeira juvenil, confirmado com MUÑIZ (1993).

4.1.2. MASSA ESPECÍFICA

Os resultados médios da massa específica anidra da madeira, dados em

quilogramas por metro cúbico encontrados nos três tipos de corte estudados estão
apresentados na TABELA 03 e na FIGURA 12.

TABELA 03 – MASSA ESPECÍFICA ANIDRA NOS DIFERENTES TIPOS DE CORTE
 Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto

Média (kg/m³) 400,7 424,3 505,0
Desvio Padrão (kg/m³) 28,6 39,8 57,3

Coeficiente de Variação (%) 7,1 9,4 11,3

O coeficiente de variação demonstra que a madeira utilizada no estudo teve
maior variação em massa específica anidra para madeira de corte tangencial adulto, o que
também havia sido verificado com o desvio padrão da umidade inicial.

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FIGURA 12 – MASSA ESPECÍFICA ANIDRA DA MADEIRA PARA CADA TIPO DE
CORTE ESTUDADO

400,7 424,3
505,0

0,0

100,0

200,0

300,0

400,0

500,0

600,0

Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto
Tipo de Corte

M
a

s
s

a

Es
pe

c
ífi

c
a

(kg

/m
³)

Pode-se perceber um aumento na massa específica da madeira no sentido medula
à casca, o que é confirmado por MUÑIZ (1993) e explicado por BENDTSEN (1978). Este
aumento de massa específica é um dos fatores que explica a diminuição da umidade da
madeira no sentido medula à casca.

4.1.3. RELAÇÃO UMIDADE E MASSA ESPECÍFICA

Está mostrada na FIGURA 13 a correlação existente entre umidade inicial e

massa específica anidra da madeira.

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FIGURA 13 – MASSA ESPECÍFICA ANIDRA DA MADEIRA RELACIONADA COM A
UMIDADE INICIAL

y = -1,2918x + 629,88
R2 = 0,8307

0,0

100,0

200,0

300,0

400,0

500,0

600,0

700,0

0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0

Umidade da Madeira (%)

M
a

s
s

a

Es
pe

c
ífi

c
a

(kg

/m
³)

É perceptível a existência de correlação entre umidade inicial da madeira e sua
respectiva massa específica anidra (R² = 0,83). Isto se deve ao fator de que madeira com
maior massa específica tem menor quantidade de espaços vazios no interior de suas fibras,
tendo uma menor quantidade de água livre em seus lumens. O mesmo resultado foi

encontrado por MUÑIZ (1993).

4.1.4. CONTRAÇÃO MÁXIMA NA LARGURA

Os resultados médios da contração máxima em porcentagem na largura das
tábuas nos três tipos de corte estudados estão apresentados na TABELA 04, sendo estes
apresentados na FIGURA 14.

TABELA 04 – CONTRAÇÃO MÁXIMA NA LARGURA DAS PEÇAS NOS DIFERENTES
TIPOS DE CORTE

 Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto
Média (%) 4,6 5,1 5,4

Desvio Padrão (%) 0,3 0,4 0,4
Coeficiente de Variação (%) 6,1 7,6 8,3

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É possível perceber que a contração da madeira na largura das tábuas no corte
radial é consideravelmente menor que