Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus
50 pág.

Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus

Disciplina:Secagem da Madeira10 materiais229 seguidores
Pré-visualização8 páginas
no corte tangencial, o que pode ser explicado pela
presença dos raios da madeira que estão presentes perpendicularmente à medula. Estes têm
uma menor contração no sentido do seu eixo, o que faz uma força contraria à contração
normal da madeira, reduzindo esta diminuição em largura. Esta diferença entre contração

de madeira radial e tangencial concorda com MUÑIZ (1993).

O maior coeficiente de variação encontrado foi para madeira tangencial, o que
pode ser explicado pela maior variação de massa específica anidra neste tipo de corte.

FIGURA 14 – CONTRAÇÃO MÁXIMA NA LARGURA DAS TÁBUAS PARA CADA TIPO
DE CORTE ESTUDADO

4,6
5,1 5,4

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

Radial Medular Tangencial Juvenil Tangencial Adulto
Tipo de Corte

Co
n

tr
a

çã
o

M

áx
im

a

(%
)

Já entre tangencial juvenil e tangencial adulto, a diferença de contração existente
pode ser explicada pela diferença de massa específica. Outro fator que pode explicar esta
diferença é pela inclinação dos raios da madeira com relação à base da seção transversal da
tábua.

24

4.1.5. RELAÇÃO MASSA ESPECÍFICA E CONTRAÇÃO MÁXIMA NA
LARGURA

A FIGURA 15 demonstra a relação existente entre massa específica anidra e a
contração máxima da madeira na largura das tábuas estudadas.

FIGURA 15 – MASSA ESPECÍFICA ANIDRA DA MADEIRA RELACIONADA COM A
CONTRAÇÃO MÁXIMA NA LARGURA

y = 0,0058x + 2,4548
R2 = 0,6311

4,0

4,2

4,4

4,6

4,8

5,0

5,2

5,4

5,6

5,8

6,0

300,0 350,0 400,0 450,0 500,0 550,0 600,0

Massa Específica (kg/m³)

Co
n

tr
a

çã
o

M

áx
im

a

n
a

La

rg
u

ra

(%
)

Pode-se perceber que a correlação existente (R²=0,63) está reduzida se
compararmos com a correlação existente entre massa específica anidra e umidade inicial
(R²=0,83). Isto se deve pelo fato de que a madeira de medula tem em sua grande maioria
corte radial, este corte tem uma contração diferente dos cortes tangenciais, não sendo a
massa específica da madeira o único fator de influência na contração.

4.2. TRINCAS SUPERFICIAIS

Para madeira radial medular, não foram encontradas trincas superficiais nas caras
das tábuas, não considerando este tipo de corte para as análises de tempo de secagem até a

formação de trincas e gradiente de umidade.

25

O não aparecimento de trincas nas caras das tábuas do corte radial medular pode
ser explicado pelo fato de que as trincas se apresentam em regiões com menor resistência
mecânica à tração perpendicular às fibras. Esta menor resistência está presente nos raios da
madeira e estes estão aparecendo superficialmente nas laterais das tábuas de corte radial
medular, sendo esta a posição das trincas (FIGURA 16).

FIGURA 16 – TRINCA EM MADEIRA DE CORTE RADIAL MEDULAR COM TRINCA
NA LATERAL

Estas trincas na lateral das peças de madeira de corte radial são encontradas em

menor freqüência que trincas superficiais em madeira tangencial pelo motivo de que a
espessura das tábuas radiais é menor que a largura das tabuas tangenciais. Isto é explicado
com maiores detalhes na seqüência.

As trincas superficiais encontradas no estudo foram bastante pequenas,
significando que realmente estas estavam recentemente formando-se (FIGURA 17).

TRINCA
NA

LATERAL

26

FIGURA 17 – TRINCA SUPERFICIAL

4.2.1. TEMPO DE SECAGEM

Na TABELA 05 estão apresentados os resultados em horas dos tempos médios
de secagem em estufa das amostras de 94 centímetros até o momento em que apareceram as
primeiras trincas superficiais. Estes tempos médios estão em função dos tipos de corte
estudados e das larguras das tábuas trincadas.

TABELA 05 – TEMPO DE SECAGEM ATÉ O APARECIEMENTO DE TRINCAS
Tipo de Corte Tangencial Juvenil Tangencial Adulto

Largura das Amostras (mm) 95 121 135 95 121 135
Média (h) 9,6 9,2 7,6 7,2 6,8 6,0

Desvio Padrão (h) 1,7 1,1 1,5 1,6 0,8 0,7
Coeficiente de Variação (%) 17,4 11,9 20,0 22,8 12,3 11,8

Foram encontrados valores de tempos de secagem até a formação de trincas
bastante confiáveis, por não exceder demasiadamente os 20 %, considerados para estudos

em madeiras.

1,5 cm

27

A FIGURA 18 demonstra o tempo de secagem até o aparecimento das trincas
superficiais para os diferentes tipos de corte e as diferentes larguras das tábuas analisadas.

FIGURA 18 – TEMPO DE SECAGEM ATÉ O APARECIMENTO DE TRINCAS
SUPERFICIAIS

9,6
8,2 7,67,2 7,0

6,0

0,0

1,0

2,0

3,0

4,0

5,0

6,0

7,0

8,0

9,0

10,0

95 mm 121 mm 135 mm

Largura (mm)

Te
m

po

(h) Tangencial Juvenil
Tangencial Adulto

Analisando-se o gráfico, é possível notar um menor tempo médio de secagem
para o aparecimento de trincas superficiais em madeira tangencial adulta que em madeira
tangencial juvenil, isto provavelmente tenha relação com a contração na largura menor
existente em madeira tangencial juvenil. Outro fato que poderia explicar este acontecimento
é a resistência à tração perpendicular às fibras que provavelmente seja diferente entre
madeira juvenil e madeira adulta. A umidade inicial da madeira também pode influenciar,
pois a uma menor umidade se atinge o ponto de saturação das fibras mais rapidamente,
porém madeiras com menor umidade inicial normalmente possuem maior massa específica,
o que diminui a permeabilidade.

Visível também é o aparecimento de trincas com menor tempo de secagem para
madeiras com maior largura que em tábuas estreitas. Provavelmente este fato pode ser
explicado pela contração linear da superfície da tábua. Como a contração linear é medida
em unidades de espaço e não em porcentagem, a uma maior largura, teremos uma maior

28

contração linear da superfície, sob as mesmas condições de secagem. Esta maior contração
linear em peças largas proporcionará uma maior força de tração na superfície de madeiras
largas que em madeiras estreitas, esta força de tração pode ser explicada por
ALBUQUERQUE (1999).

4.2.2. RELAÇÃO MASSA ESPECÍFICA E TEMPO DE SECAGEM

O tempo de secagem até a formação das trincas superficiais foi relacionado com
a massa específica anidra da madeira estudada. A FIGURA 19 demonstra esta relação.

FIGURA 19 – RELAÇÃO MASSA ESPECÍFICA E TEMPO DE SECAGEM

y = -0,0107x + 11,717
R2 = 0,257

y = -0,0206x + 17,138
R2 = 0,7889

y = -0,0273x + 21,788
R2 = 0,6379

0,0

2,0

4,0

6,0

8,0

10,0

12,0

0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0

M a ssa Espe c í f i c a ( k g/ m³)

95

121

135

Linear (135)
Linear (121)
Linear (95)

Foi verificada a presença de correlação linear negativa entre o tempo de secagem
até a formação de trincas superficiais e a massa específica anidra da madeira em todas as
larguras. Isto significa que quanto menor a massa específica menor propensão a trincas

existe. Esta afirmação é questionável, pois relativamente aos coeficientes de correlação
encontrados anteriormente, estes apresentados são baixos, em especial para madeira de 135
milímetros de largura. Isto pode ser explicado pela heterogeneidade do material, além da
falta de precisão na medição do tempo (uma hora).

29

Outro fator que pode estar influenciando este tempo de secagem é a umidade
inicial da madeira, que quando com maior massa especifica menor a quantidade de água
livre na madeira. Sendo menor a quantidade de água livre em madeira tangencial adulta que
nos outros tipos de corte, esta alcança o ponto de saturação das fibras mais rapidamente que
madeiras com maior umidade inicial, sendo assim influenciadas pela contração e

inchamento, segundo TSOUMIS (1991). Esta menor umidade da superfície da