Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus
50 pág.

Fatores Influentes na Secagem Convencional de Pinus

Disciplina:Secagem da Madeira10 materiais241 seguidores
Pré-visualização8 páginas
madeira gera
um gradiente de umidade, explicado por SKAAR (1972) e ALBUQUERQUE (1999).

Segundo o coeficiente angular das retas de ajuste é possível perceber também
que madeiras com menor largura são mais influenciadas pela massa específica que
madeiras mais largas para a formação de trincas superficiais.

4.2.3. GRADIENTE DE UMIDADE

Na TABELA 06 estão apresentados em porcentagem por milímetro, os valores
de gradientes de umidade médios de secagem em estufa das amostras de 1,5 x 1,5 x 3,9
centímetros da região ao lado da trinca superficial (máximo gradiente sem trinca) no
momento em que apareceram as primeiras. Este gradiente de umidade está em função dos
tipos de corte estudados e das larguras das tábuas trincadas.

TABELA 06 – GRADIENTE DE UMIDADE
Tipo de Corte Tangencial Juvenil Tangencial Adulto

Largura das Amostras (mm) 95 121 135 95 121 135
Média (%/mm) 2,8 2,7 2,7 2,4 2,0 2,4

Desvio Padrão (%/mm) 3,1 2,2 5,7 2,0 1,6 1,8
Coeficiente de Variação (%) 110,0 82,6 210,8 83,3 76,2 76,4

A FIGURA 20 demonstra os gradientes de umidade médios obtidos no estudo,
conforme a tabela acima. Estes valores médios têm um alto coeficiente de variação (acima
de 20 %), significando que o estudo foi realizado com uma amostragem insuficiente e com
grande imprecisão.

30

FIGURA 20 – GRADIENTE DE UMIDADE MÉDIO SEM TRINCAS SUPERFICIAIS

2,8 2,7 2,7
2,4

2,0
2,4

0,0

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

95 mm 121 mm 135 mm
Largura (mm)

G
ra

di
e

n
te

de

Um

id
a

de

(%
/m

m
)

Tangencial Juvenil
Tangencial Adulto

O gradiente de umidade máximo sem trinca foi em média maior para madeira
juvenil que em madeira adulta, isto se deve ao tempo de secagem até a formação de trincas
ser maior em madeira juvenil. Este fato mostra uma maior facilidade de madeira tangencial
adulta em trincar superficialmente, o que se pode explicar pela maior contração máxima na
largura em madeira tangencial adulta. Também a menor umidade inicial para madeira
tangencial adulta faz com que o tempo de secagem até a formação de trincas superficiais

seja menor, sendo menor também o gradiente de umidade existente.

Não ficou evidenciada uma linearidade entre as larguras das peças relativamente
ao gradiente de umidade, o que não foi previsto. Isto pode ter ocorrido devido à
heterogeneidade da madeira, necessitando-se assim uma maior amostragem de material
para uma maior confiabilidade dos resultados.

5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Os testes realizados para determinação das propriedades físicas de Pinus taeda
foram bem conclusivos com relação à madeira estudada, gerando informações detalhadas e
precisas, considerando as limitações deste experimento.

Com base nos resultados apresentados para as propriedades pode-se concluir

que:

1. O teor de umidade inicial da madeira que será seca em estufa é muito
importante ser conhecido para saber em qual etapa da secagem será iniciado o processo,
além de se poder estimar com maior facilidade o tempo que se terá do início até o final do
processo. Para madeiras com maior umidade inicial, o tempo de secagem será maior que
para madeiras com menor umidade inicial, quando são consideradas madeiras com as
mesmas propriedades físicas, sob as mesmas condições de secagem.

2. Como foi verificado neste trabalho que a umidade da madeira é

consideravelmente aumentada no sentido casca à medula, pode-se concluir que para a
secagem de Pinus taeda existe diferença no tempo de secagem entre os diferentes tipos de
corte estudados, se tratadas sob as mesmas condições de secagem.

3. A massa específica da madeira também interfere na secagem, pois esta influi
diretamente na contração da madeira e na umidade inicial. A permeabilidade da madeira
está relacionada com a massa específica. Madeira de Pinus taeda com maior massa
específica normalmente têm menor teor de umidade, o que poderia diminuir o tempo de

secagem, caso a permeabilidade não fosse diminuída. Porém isto não ocorre, pois existe
uma maior quantidade de água higroscópica em madeira com maior massa específica,

sendo este tipo de água retirada com maior dificuldade.

32

4. Como madeiras de menor largura são mais influenciadas pela massa específica
na formação de trincas superficiais, estas devem ter prioridade na separação para secagem
do lenho juvenil e adulto.

5. Madeiras de diferentes tipos de corte apresentam diferentes contrações
máximas na largura, o que pode ser explicado pela variação de massa específica e pelo
ângulo de inclinação dos raios em relação à base das peças. Normalmente quanto maior a

massa específica maior a contração da madeira. É ideal a separação dos deferentes tipos de
corte para o processo de secagem da madeira, sendo este adaptado com diferentes tipos de
programas de secagem.

Com base nos resultados apresentados para as trincas superficiais pode-se
concluir que:

1. Quanto ao tempo de secagem até a formação de trincas como referencial para
análise de defeitos, foi considerado que quanto mais rapidamente ocorre o defeito, maior a
propensão a este. Como foi verificado para todas as larguras das peças que madeira

tangencial adulto trinca antes que madeira tangencial juvenil, pode-se concluir que existe
maior propensão à defeitos em madeira tangencial adulta, o que pode ser explicado pela
maior contração máxima na largura, devido à maior massa específica. Outra explicação
para este menor tempo de formação de trincas para madeira tangencial adulta é a umidade
inicial, que por ser menor nesta madeira, a superfície estará abaixo do ponto de saturação
das fibras em menor tempo.

2. Foi verificado também que tábuas com maiores larguras têm menores tempos

de secagem até a formação de trincas superficiais, portanto, conclui-se que madeiras largas
têm maior propensão a defeitos que madeiras estreitas, sendo estas do mesmo tipo de corte.

Explica-se isto com a contração linear, que em função da largura, tem maior influência em
madeiras mais largas. Madeiras largas, contraindo linearmente com maior magnitude,
geram uma tensão de tração da superfície maior que madeiras estreitas.

33

3. A madeira de Pinus taeda de corte radial com medula tem menor propensão às
trincas superficiais, não ocorrendo trincas nas caras das tábuas e sim nas laterais. Como a
espessura das tábuas é sempre menor que a largura, cortes radiais podem ter maior
agressividade na secagem, sem a ocorrência das trincas superficiais, devido à menor
contração linear existente nas laterais.

4. A madeira de Pinus taeda estudada, quando possui maior massa específica,
tem maior propensão à formação de trincas superficiais, com base no tempo de secagem até
a sua formação.

5. Como foi verificado, madeiras de diferentes tipos de cortes têm
comportamentos diferenciados na secagem e madeiras de corte tangencial adulto tem maior
propensão à trincas superficiais, o que exige da secagem um melhor controle e menor
agressividade no inicio da secagem que madeiras tangenciais juvenis. Com isto se pode
concluir que é interessante a separação das tábuas de diferentes cortes na secagem,

facilitando o processo. Da mesma forma madeiras com diferentes larguras devem ser secas
separadamente, o que faz do processo mais homogêneo e otimizado, reduzindo perdas por

defeitos originados, em especial trincas superficiais.

6. O gradiente de umidade máximo sem a formação de trincas superficiais foi
consideravelmente menor em madeiras tangenciais adultas que em madeiras tangenciais
juvenis. Conclui-se daí que a propensão às trincas superficiais em madeira juvenil é menor
que em madeira adulta, tendo esta última uma maior dificuldade na secagem, exigindo uma