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inteligência e do afeto. O ato volitivo 
envolve quatro etapas:
 intenção ou propósito – inclinações e tendência que fazem com que surja interesse em 
determinado objeto;
 deliberação – na qual ponderamos os motivos (razões intelectuais) e os móveis (atração ou 
repulsão, vindas do plano afetivo);
 decisão – demarca o começo da ação, inibindo os móveis e motivos vencidos;
 execução – há os movimentos físicos.
Teorias da Aprendizagem
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Vamos, adiante, citar alguns dos quadros encontrados no campo das alterações de psicomo-
tricidade:
Estupor (ou acinesia) é a perda da atividade espontânea englobando, simultaneamente, a fala, 
a mímica, os gestos, a marcha etc. Vem e vai bruscamente em crises de agitação psicomotora. É 
o caso do estupor catatônico (nos esquizofrênicos) e o depressivo (na depressão). Na neurologia, 
este mesmo termo – estupor – é utilizado para designar redução do nível de consciência, que na 
psiquiatria designamos como “torpor” ou “entorpecimento”. 
Agitação e inibição psicomotora são graus de determinado estado psicomotor. Quando há 
pequeno aumento ou diminuição dos movimentos, são designados como inquietação e lentificação 
psicomotoras, respectivamente. Quando são alterações mais acentuadas, representam a agitação e 
inibição motora propriamente ditos. Podem ocorrer alterações da psicomotricidade em indivíduos 
normais, como, por exemplo, após experimentar forte tensão emocional ou preocupações que 
levam à vontade de andar ou levam à imobilidade. A agitação patológica pode ocorrer com caráter 
uniforme e estruturado – como na mania –, ou desordenadamente e de forma improdutiva – como 
na catatonia esquizofrênica, na epilepsia e em psicoses infecciosas e tóxicas (delirium tremens). A 
inibição ocorre, por exemplo, na depressão, estupor, estados confusionais e amenciais. Um grau 
ainda mais elevado de agitação é o furor, que se caracteriza por uma extrema agitação, necessitando 
intervenção imediata para impedir danos aos outros ou ao próprio paciente. 
Maneirismos ocorrem em esquizofrênicos, oligofrênicos e histéricos. São caracterizados 
por gestos artificiais ou linguagem e escrita rebuscada, com uso de preciosismo verbal, floreados 
estilísticos e caligráficos, entre outros.
Ecopraxia também ocorre em esquizofrênicos, oligofrênicos e histéricos (principalmente nos 
primeiros), onde há imitação de um comportamento, sem propósito (gestos, atitudes etc.). Pode 
haver ecolalia (sons), ecomimia (mímica) e ecografia (escrita).
Estereotipias são características do catatonismo em que há repetição automática de movimentos, 
frases e palavras (verbigeração), ou busca de posições e atitudes, sem nenhum propósito. As 
estereotipias cinéticas são confundidas com os tiques nervosos, porém esses são elementares, de 
fundo neurótico. É mais difícil de distingui-las dos cerimoniais compulsivos, porém estes são atos 
complicados que servem para aliviar a tensão nervosa da pessoa que a realiza. Alguns acham que 
as estereotipias cinéticas são atos que eram compreensíveis e motivados, que perderam sua causa.
Negativismo é a oposição ativa ou passiva às solicitações externas. Na passiva, a pessoa 
simplesmente deixa de fazer o que se pede. Na ativa, a pessoa faz tudo ao contrário do que se pediu 
e, às vezes, quando desistimos eles o fazem sendo isso a “reação de último momento”. O negativismo 
verbal pode se apresentar na forma das pararrespostas (ou seja, o paciente entende a pergunta do 
entrevistador, porém não responde algo compatível com a pergunta, e sim algo “ao lado”, ou próximo). 
O negativismo faz parte da série catatônica e representa ação imotivada e não-deliberada.
A obediência automática é o oposto do negativismo, em que o paciente tem extrema 
sugestionabilidade e faz tudo o que é mandado. Ocorre na esquizofrenia e em quadros demenciais.
Catalepsia, pseudoflexibilidade cérea ocorre devido à hipertonia do tônus postural. Ocorre 
na histeria, esquizofrenia e parkinsonismo. A flexibilidade cérea é a conservação de uma posição, 
ocorrendo no parkinsonismo, enquanto que nos esquizofrênicos e histéricos há pseudo flexibilidade 
cérea, devido à influência de fatores psicogênicos.
A teoria de Henri Wallon: emoção, movimento e cognição
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Extravagâncias cinéticas, comuns à conduta esquizofrênica. Pode ser descrito como a perda da 
gracilidade, ou seja, da naturalidade, espontaneidade, proporcionalidade dos gestos e atitudes; como 
a rigidez facial (o pregueamento da testa em “M” é característico da catatonia); paratimias (a mímica 
não está em concordância com o pensamento verbalizado); focinho catatônico (protusão permanente 
dos lábios); interceptações cinéticas (interrupção brusca de um gesto apenas esboçado) etc.
Há ainda as dicinesias, que são movimentos involuntários e repetitivos anormais. Pode ocorrer 
em quadros catatônicos ou após o uso de neurolépticos (em 20% dos pacientes) por longo tempo, 
dando a dicinesia tardia (principalmente a síndrome bucolingomastigatória).
 Fiquem atentos aos momentos de maior emoção experimentados por cada um de vocês 
durante a semana. Observem se nesses momentos há sobreposição da emoção sobre a razão 
(sensação de ter perdido a razão) e procurem relatar de que forma tais emoções interferiram 
na aprendizagem de vocês.
Sobre o assunto tratado, sugerimos o seguinte livro:
GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis: 
Vozes, 2003.
Emília Ferreiro e a 
Psicogênese da língua escrita
 Temos uma imagem empobrecida da criança que 
aprende: reduzimo-la a um par de olhos, um par de 
ouvidos, uma mão que pega um instrumento para 
marcar e um aparelho fonador que emite sons.
Emília Ferreiro
História pessoal
E mília Ferreiro nasceu na Argentina, onde se formou em Psicologia, e desenvolveu seus estudos sobre linguagem, doutorando-se na Universidade de Genebra sob a orientação de Jean Piaget. Em sua tese, propôs um novo olhar 
sobre a alfabetização baseada no que chamou de psicogênese da língua escrita.
Em 1974, dá início às pesquisas em torno do desenvolvimento da 
linguagem infantil, baseando-se nos princípios piagetianos da psicogênese. 
Apesar de basear-se nos estudos anteriores já realizados por Piaget, Emília 
Ferreiro avança em relação ao seu mestre, uma vez que Piaget não havia ainda 
considerado a psicogênese da língua escrita em suas análises. Deste modo, os 
estudos de Emília Ferreiro vieram a se tornar um marco na transformação do 
conceito de aprendizagem da escrita pela criança.
Suas pesquisas foram motivadas, segundo Rodrigues e Pariz (2005, p. 96), 
pelos altos índices de fracasso escolar observados nas escolas mexicanas (país onde 
se radicou). Junto com Ana Teberosky, também pesquisadora argentina, investigou de 
que maneira as crianças constroem hipóteses lingüísticas sobre o sistema de escrita.
Para tanto, utilizou-se de conhecimentos de psicologia, psicolingüística e 
psicogenética, procurando compreender de que maneira construímos aprendizagens 
em torno do sistema escrito. Assim, é praticamente impossível abordar o tema do 
processo de iniciação da escrita em crianças sem utilizarmos os referenciais de 
Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
Apesar disso, precisamos ter em mente que os estudos de Emília Ferreiro 
não postularam uma metodologia de ensino-aprendizagem para as classes de 
alfabetização, mas sim buscou, como Piaget, compreender de que maneira a 
construção do conhecimento da criança sobre os processos de leitura e escrita vão 
sendo realizados ao longo do seu desenvolvimento. Portanto, podemos afirmar 
que os estudos de Emília Ferreiro eram de cunho psicológico e não pedagógico. 
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No entanto, muitos educadores, ao se apropriarem da teoria formulada por Emília 
Ferreiro, interpretam erroneamente suas análises como sendo um método de 
ensino para as classes de alfabetização.