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respeito à desvalorização da classe 
de professores. Os professores perdem o estímulo e a motivação para o trabalho 
docente, além de muitos terem que completar o ordenado com trabalhos extras, 
por vezes não-inerentes à profissão.
Deve-se refletir, então, em como esse processo de ensino-aprendizagem tem 
sido ministrado e até que ponto esses fatores comprometem o futuro da Educação 
Teorias da Aprendizagem
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no nosso País, uma vez que as novas gerações preferem seguir outras carreiras 
mais promissoras, com maiores recompensas profissionais e financeiras. 
Mas quais são as opções para quem deseja se tornar professor?
Atualmente, as formações de professores têm sido feitas, preferencialmente, 
em cursos de nível superior (Normal Superior ou Graduação), em detrimento das 
práticas simplificadas de formação que eram desenvolvidas nos Cursos Normais. 
Apesar do avanço em se promover o incentivo em torno da busca dos professores 
por uma formação mais ampla, há ainda a necessidade de se considerar a qualidade 
dos cursos ministrados de Pedagogia, e no âmbito dos cursos Normais Superiores 
e de Licenciatura.
Um dos avanços em relação à formação do professor em Nível Superior está 
relacionado à possibilidade de estudo das teorias de aprendizagem que utilizam 
como suporte às práticas pedagógicas dos professores, que, por sua vez, estão 
relacionadas às tendências mais amplas de Educação.
A importância de conhecer e compreender as tendências pedagógicas e suas 
respectivas práticas está na possibilidade de poder desenvolver uma consciência 
em torno de suas ações, reconhecendo seus próprios princípios educacionais, bem 
como os princípios educacionais que regem as escolas e que são apresentados nos 
Projetos Político-pedagógicos de cada uma delas.
Além disso, ao estudarmos as tendência e práticas pedagógicas (o que pode 
ser feito a partir da leitura de livros de História da Educação), somos levados a 
conhecer teorias psicológicas sobre a aprendizagem humana que se encarregam de 
nos fornecer informações sobre como, ao longo dos anos, a aprendizagem humana 
vem sendo compreendida e trabalhada por diferentes teóricos.
Vale lembrar que cada teoria encerra em si um conjunto de conhecimentos 
circunscritos historicamente, o que significa dizer que as teorias têm uma 
história de referência e que, portanto, não devem ser adotadas pelos educadores 
sem que antes sejam compreendidos seus fundamentos científicos, filosóficos 
e educacionais.
O problema do fracasso escolar
De um modo geral, as escolas garantem hoje o acesso da maioria da 
população. Porém, esse fato não melhora a qualidade de ensino, nem diminui o 
problema da evasão e da repetência nas escolas. 
A falta de vontade política dos nossos governantes para resolver esses 
problemas traz grandes prejuízos para o desenvolvimento e o crescimento da 
nossa sociedade, pois não há investimento adequado na Educação, uma vez que 
essa última é uma área em que o retorno do investimento não se dá de forma 
imediata e também não obtém um lucro, que é a principal característica da 
sociedade capitalista.
Teorias da aprendizagem e a formação de professores
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A escola está dividida em duas: uma para os ricos e outra para os pobres. 
Devido a essa dualidade do ensino, em que a escola dos trabalhadores visa ao 
treinamento para o mundo do trabalho e prolifera a ideologia burguesa, não se cria 
uma visão crítica da sociedade e do seu papel dentro dela. A escola, como aparelho 
ideológico do Estado, utiliza-se da violência simbólica (dominação econômica, 
uma ação pedagógica autoritária, verticalidade da relação professor versus aluno e 
dominação cultural), como instrumento para reforçar as relações sociais existentes 
e, com isso, reproduz a divisão da sociedade em classes sociais distintas. 
A aparente neutralidade da escola, que trata os desiguais de forma igualitária, 
não leva em consideração as diferenças nas condições materiais de vida, as 
diferenças de cultura, as experiências adquiridas fora da escola e o relacionamento 
dos pais com a mesma. Ela é um mundo do silêncio e da imobilidade, na qual o 
aluno cala e escuta, obedece e é julgado. A criança é confinada num mundo sem 
vida e cheio de regras de submissão. 
No mesmo sentido, o conhecimento fragmentado é visto como algo parado, 
compartimentado e comportado, e está fora da realidade do aluno. Torna-o um 
ser alienado, pois ele não consegue relacionar as informações de forma coerente 
com a sua vida prática e, com isso, essas informações perdem totalmente o seu 
significado. Segundo Paulo Freire (1987, p. 58),
em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicado” e depósitos que os educandos, meras 
incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” 
da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de recebermos 
depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para serem colecionadores ou fichadores das coisas 
que arquivam. No fundo, porém, os grandes arquivadores são homens, nesta (na melhor das 
hipóteses) equivocada concepção “bancária” da educação. Arquivados, porque, fora da busca, fora 
da práxis, os homens não podem ser. Educador e educandos se arquivam na medida em que, nesta 
distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe 
saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem 
no mundo, com o mundo e com os outros.
Assim, o que observamos é que os alunos oriundos da classe menos favorecida 
economicamente sentem dificuldade no contexto escolar, pois este está baseado 
nos padrões da classe dominante. Por exemplo: a norma culta da nossa língua está 
dentro da cultura da classe dominante, por isso, quando o aluno chega à escola 
encontra nela um ambiente muito diferente do seu, o que acaba diminuindo a sua 
auto-estima. Ele não vê sentido naquilo que faz, pois o conteúdo apresentado está 
fora da sua realidade, acabando por não fazer relação entre suas vivências e os 
conhecimentos escolares. 
A escola, então, faz com que esse aluno repita o ano como forma de 
dar oportunidade a ele de rever os conhecimentos que não foram adquiridos. 
Segundo Souza (1997, p. 18),
[...] com relação à seletividade escolar encontram-se dados inadmissíveis nas contínuas 
repetências vividas pelas crianças no processo de escolarização. As análises estatísticas 
mostram que o aluno brasileiro permanece em média oito anos e meio na escola, mas apenas 
três entre cem ingressantes concluem o primeiro grau sem repetência. Ao longo do processo 
de escolarização a defasagem série-idade aumenta, a ponto de termos em 1986 (SEADE, 
1989) 70% dos alunos de 8.ª série fora de idade real para o mesmo período (14 anos).
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O que acontece é que o aluno repetente fica “rotulado” como incapaz, 
diminuindo assim a sua vontade de aprender e faz com que ele reflita aquilo 
que se espera dele. Não se leva em consideração que a criança, no início do 
processo de alfabetização, fica insegura e fica em conflito interno. E por isso, 
muitas vezes elas são encaminhadas ao psicólogo com queixa de problemas de 
aprendizagem, ficando claro que é o início do processo de responsabilizar o aluno 
por suas dificuldades escolares. Dificuldades essas que são normais, pois ele está 
diante de um mundo novo e precisa percorrer um longo percurso para adquirir 
conhecimentos necessários para a sua vida adulta.
Sousa (1997), no seu artigo intitulado A queixa escolar e o predomínio de uma 
visão de mundo, faz um levantamento a respeito da queixa escolar no aprendizado 
das crianças e observa que as queixas mais freqüentes são referentes ao mau 
desempenho escolar, ao comportamento agressivo e às dificuldades de fala.
A maioria dos atendimentos realizados pelos psicólogos em relação às queixas