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época, 
citadas por Guiraldelli Jr. 
(2001, p. 169).
As políticas educacionais e as práticas pedagógicas liberais
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liberdade, de organização coletiva e de acesso das classes populares à escola 
pública. Lutas, que para além do projeto de transformação da realidade educacional, 
visam à conquista de salários mais justos e melhores condições de trabalho, face 
à insatisfação com as sucessivas administrações escolares.
As lutas pela democratização dos espaços públicos haviam sido animadas 
pela possibilidade do voto direto, que se tornava realidade também nas escolas. 
Entretanto, antes que a participação se efetivasse num projeto de democratização 
que atingisse todas as esferas escolares, fomos interpelados pelos discursos de 
uma nova forma de administração que atropelou os movimentos populares.
A Política Educacional da década de 1980
Para Gentili (1998), o discurso da qualidade, que teve início na década de 80 
em toda a América Latina, aparece como contraface à multiplicação dos discursos 
sobre a democratização, o que foi possível por existir no conceito de qualidade total 
um claro sentido mercantil (de ganhos por produtividade); no campo educacional 
assumiu a forma de um novo discurso conservador e funcional em conformidade 
com a política pós-ditatorial da época, que tratou de dissolver os espaços públicos, 
entre eles o da escola. 
Segundo Paro (2001), nesse momento, os problemas da educação 
escolar passaram a ser vistos pelos órgãos governamentais como sendo de 
natureza eminentemente administrativa, encarados como puramente técnicos, 
desvinculados de seus determinantes econômicos e sociais. Assim, mecanismos 
de administração, como a gerência, a flexibilização e a divisão pormenorizada 
do trabalho, são tomados como transplantáveis para a situação escolar em 
virtude dos altos índices de produtividade alcançados nas empresas. Esse é 
o modelo que serve de base para a educação desde a introdução do modelo 
taylorista/fordista nas escolas e que deu origem à pedagogia tecnicista, presente 
nas escolas brasileiras até os dias atuais. 
Os gestores que antes agiam como se estivessem em indústrias, centralizando 
o trabalho e o poder, visando a uma produtividade pautada na ordem e na repetição 
instrumental, passam a promover ações dentro das escolas empresas, com a 
perspectiva de ampliar a produtividade pautada nos conceitos de competência, 
eficiência e qualidade (VALLE, 1997). Estas últimas comportam em si a divisão 
pormenorizada do trabalho. Herdam as noções tayloristas/fordistas, adequando-
as às políticas neoliberais dos anos 1990.
O desafio para os educadores, desde então, vem se constituindo na organização 
de práticas de desconstrução de tais relações que acirram ainda mais a estratificação 
e a divisão social do trabalho na escola (ROCHA; GOMES, 2001).
É dentro desse panorama político-educacional que pende ora para o 
modelo tecnicista de trabalho, ora para o modelo empresarial de gestão que nos 
encontramos hoje, na primeira década dos anos 2000. 
Teorias da Aprendizagem
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As práticas pedagógicas liberais
A prática pedagógica liberal surgiu para justificar o sistema capitalista que 
teve como marco a Revolução Industrial, estabelecendo uma forma de organização 
social baseada na propriedade privada dos meios de produção. Baseada no lucro 
e na produtividade, tem como principal característica a divisão entre as classes 
sociais, na qual a classe dominante, a burguesia, é detentora dos meios de produção 
e a classe dominada vende a sua força de trabalho, realizado de forma mecânica, 
fragmentada e competitiva.
Na educação, a Pedagogia Liberal sustenta a idéia de que a escola tem por 
finalidade preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo 
com suas aptidões individuais. Assim, os indivíduos devem aprender a se adaptar 
aos valores e às normas vigentes na sociedade burguesa. 
A máquina é colocada no centro do processo de produção em série e a escola 
tem a função de preparar os indivíduos para a realização dessa produtividade, 
reforçando a ideologia da classe dominante, reproduzindo a ordem social já 
estabelecida. O trabalhador só domina o mínimo de conhecimento necessário para 
operar a máquina. A escola torna-se, então, um aparelho ideológico do Estado para 
reproduzir a ordem da classe social dominante, que se apropria de conhecimentos 
para estabelecer sua dominação, visando à acumulação de capital.
A Pedagogia Liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função 
preparar os indivíduos para os desempenhos de papéis sociais, de acordo com as 
aptidões individuais. Para isso os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos 
valores e às normas vigentes na sociedade. A ênfase no aspecto cultural esconde 
a realidade das diferenças de classes, pois embora difunda a idéia de igualdade de 
oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições.
A Pedagogia Liberal, enquanto tendência pedagógica, deu origem às 
seguintes correntes: pedagogia tradicional, renovada e tecnicista.
A Pedagogia Tradicional
Utiliza-se de um conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A 
atividade de ensinar é centrada no professor, que expõe e interpreta a matéria. A 
relação professor–aluno não tem uma ligação com o cotidiano do aluno, nem com 
as realidades sociais. O aluno é recebedor da matéria e sua função é decorá-la por 
meio do seu próprio esforço. 
Dessa forma, a escola tem como função preparar o aluno intelectualmente 
para assumir sua posição na sociedade, adquirindo conhecimentos e valores sociais 
acumulados pelas gerações adultas que são repassados como verdades, existindo 
o predomínio da autoridade do professor no relacionamento com o aluno, que se 
desenvolve de forma hierarquizada e verticalizada. 
As políticas educacionais e as práticas pedagógicas liberais
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O conhecimento é repassado em forma de progressão lógica, tornando 
a aprendizagem receptiva e mecânica, sem um questionamento do aluno. A 
disciplina é imposta, por meio de castigos, para o aluno prestar atenção e 
assim poder memorizar os conhecimentos transmitidos. A avaliação se dá por 
interrogatórios e provas. Atualmente encontra-se atuante em escolas religiosas e 
em escolas leigas.
A Pedagogia Tecnicista
Inspirada na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistemática 
de ensino, foi utilizada nos anos 1960 com o objetivo de adequar o sistema 
educacional à orientação política-econômica do regime militar: inserir a escola 
nos modelos de racionalização do sistema capitalista. A escola funciona como 
moderadora do comportamento humano por meio do sistema de técnicas específicas, 
úteis e necessárias para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema. Seu 
interesse imediato é produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho, 
transmitindo, eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas. Seu conteúdo 
de ensino são as informações, princípios científicos, leis etc. São informações 
passadas por especialistas seguindo uma seqüência lógica e psicológica, decorrendo 
assim da ciência objetiva. O material institucional encontra-se sistematizado nos 
manuais, nos livros didáticos, nos módulos de ensino, nos dispositivos audiovisuais, 
entre outros. Elimina, assim, a subjetividade, acentuando o distanciamento entre 
a teoria e a prática, não sendo coerente também com a realidade dos alunos. A 
Pedagogia Tecnicista contribuiu para aumentar a fragmentação do conhecimento, 
proporcionando o aumento dos índices de evasão e repetência.
Nessa pedagogia, o professor se empenha em conseguir respostas apropriadas 
aos objetivos instrucionais, adequando o comportamento pelo controle do ensino 
(tecnologia educacional). A relação professor–aluno é estruturada e objetiva. 
O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. A 
comunicação professor–aluno