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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2 (3ºA)

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Resumo Direito Internacional Privado – Avaliação Semestral – 3º A
Seminário 13
CAPÍTULO 14 – Contratos Internacionais
Os estudos sobre contratos internacionais integram parte especial do DIP. Os critérios mais utilizados eram a lei do local da celebração (países de direito civil) e da lei do local da execução (países da common law), mas foram substituídos por critérios mais flexíveis no século XX pelo princípio da proximidade ou dos vínculos mais estreitos, após a criação da jurisprudência americana.
O que caracteriza a internacionalidade de um contrato é a presença de um elemento que o ligue a dois ou mais ordenamentos jurídicos, entretanto para prever situações futuras, é possível estabelecer algumas regras de direito substantivo como determinar onde e como o litígio será julgado, através de clausulas de eleição de foro e de arbitragem. Já que os contratos são regidos por uma lei nacional.
Para facilitar a solução de conflitos, procurou-se a sua harmonização através da criação de normas conflituais internacionais uniformes que trazem segurança jurídica e eliminam as possibilidades de forum shopping. Além de ter sido realizada a Convenção da UNCITRAL sobre Compra e Venda Internacional visando uniformizar regras substantivas. E em nível internacional, ressalta-se o papel da Conferencia de Direito Internacional da Haia e o UNIDROIT. Assim, há uma tendência observada em ambos os casos de uniformização no sentido de permitir às partes liberdade na escolha da lei aplicável.
Não será analisada a disciplina das obrigações extracontratuais, por a regra geral utilizada ser o local da celebração e gerar muitas críticas por nem sempre levar em conta as reais necessidades dos envolvidos. Por esta razão, foi a possibilidade da revolução americana se desencadear, com o caso Babcock.
14.1 Histórico das regras de conexão	
A definição da regra de conexão aplicável aos contratos internacionais coube à escola estatuária italiana, na idade média, e perdura até hoje em vários países, inclusive no Brasil, é a regra do local da celebração do contrato. Bartolo as sistematizou com a divisão entre as questões contratuais entre as originadas do contrato e de sua forma (regidas pela lei do local da celebração) e as posteriores, aplicando-se a lei do local da execução.
Antes era mais fácil por nao haver muita mobilidade das pessoas e mercadorias e o local de assinatura do contrato ser onde os negócios se realizavam. E Savigny adotou como critério de conexão a regra da lei do local de execução porque a submissão das partes a uma lei deve corresponder a um fenômeno visível na relação obrigacional. Posteriormente com o incremento das comunicações e viagens, ambos os critérios perderam importância, sendo substituídos por uma nova metodologia, a autonomia da vontade, adotada pelos Estados Unidos, pela via jurisprudencial, e depois na Europa, pela via convencional.
No Brasil, adotava-se o critério da celebração do local da celebração com algumas regras exceções para utilização da lei do local da execução. A tendência mundial do,principio da autonomia da vontade não encontrou eco em nossa legislação, é preciso modificar a LICC para adota-lá. Com a substituição do Código Civil há a incorporação de alguns princípios compatíveis com o principio da autonomia, e a utiliza para as arbitragens internas e internacionais.
Regra de conexão: o Brasil 
Como já dito, a regra geral para a lei aplicável no Brasil é a do local da constituição da obrigação [artigo 9º da LICC], ou seja, o critério do local da celebração. A única modificação, desde 1917, foi a supressão da expressão “salvo estipulação em contrário”, que foi vista como responsável por acarretar a proibição da autonomia da vontade. 
No caso da supressão dessa expressão, não há a possibilidade de exceções. A regra obrigatória é a citada no artigo 9º da LICC.
Assim, para os contratos celebrados entre presentes utiliza-se o caput do artigo 9º. Utilizando como conexão o local da celebração. 
Art. 9º. Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
Ex: Se os contratantes estão presentes no Brasil para a celebração do contrato, deve ser a partir das leis internas do País. 
Já para os contratos celebrados entre ausentes, passa-se á norma do 2º parágrafo, utilizando como conexão a lei da residência do proponente.
			§ 2º - A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
Dessa forma, o critério adotado para a lei aplicável é a o local onde mora a pessoa que efetuou a proposta, a oferta, pendente de aceitação – é a partir da proposta que se tem início a formação do contrato.
 É importante ressaltar que a noção de residência também irá depender da definição do direito brasileiro por esta - composto por dois elementos:
Material, que seria a RESIDENCIA.
Anímico, que seria a vontade da pessoa de residir com caráter permanente.
Segundo Serpa Lopes, serve melhor á mobilidade aos contratos por sua flexibilidade, ao passo de que o conceito domiciliar apresenta dificuldades em ser aplicado por sua rigidez. Serpa Lopes ainda acrescenta que a residência pura e simples não é elemento bastante para identificar a sede do contrato e oferece margem para incertezas. 
Para ele, a jurisprudência, todavia, deve escolher o lugar em que ofertante se encontra residindo no momento da oferta (isso quando houver mais de uma residência)
O Principio da autonomia da vontade
 Foi o jurista Frances Charles Dumoulin responsável pelo desenvolvimento do principio da autonomia da vontade no Dipr. Ele introduziu no direito as ideias sobre a escolha pelas partes de uma lei para os contratos internacionais. Ou seja, há uma maior flexibilidade, sendo a regra de conexão a autonomia da vontade e não o local de celebração do contrato, por exemplo.
Conceito: O princípio da autonomia da vontade é o poder das partes de estipular livremente, como melhor lhes convier, mediante acordo de vontades, a disciplina de seus interesses. 
O princípio envolve, além da liberdade de criação do contrato, a liberdade de contratar ou não contratar, de escolher o outro contraente e de fixar o conteúdo do contrato, limitado pelas normas de ordem pública, pelos bons costumes e pela revisão judicial dos contratos.
Segundo o teórico O. Kahn-Freund, O DIPr acompanha os fatos da vida. Os contratos internacionais como conhecemos hoje, só passaram a ter importância com o desenvolvimento do comércio – evolução do transporte e comunicação, principalmente. Antes o que era internacional era a viagem, o transporte da mercadoria e não propriamente o contrato. 
Hoje, com a separação das atividades, a melhora no transporte e nas comunicações, os vendedores passaram a relacionar-se diretamente com os compradores – há então uma nova maneira de contratar (correspondência, entre ausentes).
O lugar da contratação, ao invés de representar um local que designa a parte com maior poder de barganha pode ser totalmente aleatória, dada a facilidade na locomoção dos comerciantes e das informações. Compra no amazon uma mercadoria inglesa que é comprada na china e transportada por uma empresa americana ao Brasil. 
Não é mais necessário comparecer, negociar e assinar um contrato em determinado lugar para definir a lei aplicável. Daí vem a maior importância das escolhas das partes, da lei que regerá suas relações jurídicas, bem como o local em que um litígio será julgado.
Há também a possibilidade de fugir inteiramente de um juiz nacional e escolher a arbitragem, na qual a liberdade das partes inclui a escolha não só da lei aplicável, como das normas processuais. 
Por exemplo: Na foi aceita, principalmente em casos nos quais a outra lei envolvida era americana, o Harter Act, cuja regra obrigatória sobre responsabilidade civil no transporte de mercadoria era mais abrangente que a lei inglesa. 
Dessa forma, o principio da autonomia da vontade tornou-se universalmente aceito, com adoção tanto em convenções internacionais como na legislação interna de diversos países.

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