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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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necessidades do comércio internacional, para que o cenário se modificasse, no plano 
internacional com a Convenção de Nova Iorque, e no plano interno, somente com as 
regras da lei de arbitragem, de 1996. 
Em 1950, houve uma convocação da ONU para a conferência internacional que 
resultou na Conferência de Nova Iorque. O consultor jurídico da época, Hildebrando 
Accioly deixou claro que a natureza do laudo arbitral era de caráter privado e a sua não 
equiparação automática para sentença judicial. 
O projeto sobre arbitragem que resultaria na Convenção de Nova Iorque foi 
comentado por Accioly, o qual caracterizou o projeto como judicialista, pois o projeto 
queria dar à sentença arbitral um caráter de julgamento de direito. Ele acreditava no 
caráter não judicial da arbitragem. Ademais, disse que o projeto não atendia a lei interna, 
pois, a partir da LICC, para ter efeito no Brasil era necessário antes homologar a decisão 
estrangeira. O laudo arbitral só poderia passar por esse processo se antes convertido em 
uma sentença estrangeira (dupla homologação). 
No plano internacional, a Convenção de Nova Iorque foi aos poucos sendo 
reconhecida como padrão no tema de arbitragem e foi adotada por inúmeros países. 
Alçou os laudos arbitrais ao patamar de decisões judiciais, acabando com a sua 
equiparação, tão somente, aos contratos. Também houve incremento da teoria da 
autonomia da vontade na área dos contratos internacionais. Portanto, a arbitragem 
passou a ser um modo reconhecido para a solução das controvérsias advindas desses 
contratos, tendo os laudos a mesma força de uma decisão judicial e sendo cumpridos 
diretamente, em especial no plano internacional. 
O assunto voltou a ser tratado no Brasil nos anos 90. Foi editada a Lei de 
Arbitragem, Lei 9307/06. Deu-se a possibilidade, no plano interno, o reconhecimento de 
que a sentença arbitral estava assemelhada à sentença judicial. Assim, o sistema de 
dupla homologação, ou seja, homologação do laudo arbitral por um juiz estrangeiro para 
depois ser homologado e executado por um juiz no plano interno perdeu sua relevância. 
Assim, em 1996, com a aprovação da Lei de Arbitragem, aboliu a necessidade da dupla 
homologação e, em 2002, a Convenção de Nova Iorque foi ratificada. 
 
Glossário: 
 
Diligência: atenção ou cuidado que deve ser aplicado pelo agente ou pela pessoa que 
executa um ato ou procede num negócio, para que tudo se cumpra com a necessária 
regularidade. Na terminologia jurídica, significa todo ato ou solenidade promovida por 
ordem do juiz, a pedido da parte ou ex officio, para que se cumpra uma exigência 
processual ou para que se investigue a respeito da própria questão ajuizada. 
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Medida de caráter cautelar: “A Medida Cautelar é o procedimento judicial que visa 
prevenir, conservar, defender ou assegurar a eficácia de um direito. É um ato de 
prevenção promovido no judiciário, onde o juiz pode autorizar quando se manifestar a 
gravidade, quando for claramente comprovado um risco de lesão de qualquer natureza, 
ou na hipótese de ser demonstrada a existência de motivo justo, amparado legalmente. 
As Medidas Cautelares podem ser "Preparatórias", quando são requeridas antes da 
propositura do processo principal, ou "Incidentes", quando são requeridas depois de 
proposto o processo principal. A Medida Cautelar pode ser deferida pelo juiz antes que 
a outra parte possa apresentar defesa, ou até mesmo antes que a outra parte sequer saiba 
da existência do processo em juízo”. 
 
Lex fori local: lei do local, cabimento da ação de acordo com as leis do Brasil. 
 
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Capítulo 18: Alimentos no Plano Internacional 
 
 “A célula familiar é uma entidade feita para funcionar em conjunto, promovendo 
seu sustento, especialmente com relação à prole”. 
 Por esse motivo que o Código Civil regula intensamente o direito da família, 
pois caso haja a separação, a lei precisa ter uma previsão de quem irá cuidar do 
amparo dos que mais necessitam da estrutura familiar, que, em grandes partes, 
são os filhos. 
 Essa é uma das áreas do Poder Judiciário mais utilizada pela população. 
 O descumprimento de tais obrigações pode acarretar até mesmo em prisão civil. 
 “No direito comparado, esta é uma área na qual as características individuais de 
cada país, a partir de suas tradições e se revela por inteiro nas opções legislativas 
de cada um”. 
 Como não há uniformidade entre as legislações sobre esse assunto, a cobrança 
de amparo à alimentação se torna um desafio. 
 É imprescindível uma atuação conjunta dos países, via cooperação 
interjurisdicional ou administrativa. 
 
18.1 – A legislação brasileira: normas de origem interna e internacional 
 “A legislação brasileira de DIPr não possui normas específicas sobre alimentos”. 
 A regra de conexão aplicável, que são normas estabelecidas pelo DIPr que 
indicam o Direito aplicável às diversas situações jurídicas conectadas a mais de 
um sistema legal, é a mesma regra do Direito da Família. 
 O Direito da Família é o ramo do DIPr que se destina a gerir as relações 
familiares, prevendo um conjunto de regras sobre a família e as relações que se 
estabelecem entre os seus membros (relação matrimonial, relações de parentesco, 
relações de afinidade e relações de adoção). 
 “As questões processuais, como a citação do curso do processo do devedor 
domiciliado no exterior, e a homologação da sentença estrangeira, são tratados 
através dos instrumentos utilizados nos demais outros assuntos: as cartas 
rogatórias e a homologação de sentenças estrangeiras [...]”. 
 Para o cumprimento das obrigações alimentares, há fontes de origem interna, 
como as regras da LICC, e de origem internacional, como a Convenção de Nova 
York, com um caráter mais universal, e a Interamericana, com um caráter mais 
regional. 
 Essas duas convenções também regulam as situações existentes entre o Brasil e 
não signatários. 
 
18.2 – Iniciativas globais e regionais 
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 A discussão sobre o problema da cobrança de alimentos no Sistema 
Internacional teve apoio da UNIDROIT (International Institute for the 
Unification of Private Law) após a Segunda Guerra Mundial. 
 “O projeto foi depois encaminhado à ONU, que convocou uma conferência 
diplomática, em 1956 e realizou a Convenção de Nova York sobre execução e 
reconhecimento de obrigações alimentares”. 
 Quase na mesma época, a Conferencia de Haia normatizou a questão através de 
duas convenções, depois modificadas nos anos 70 
 O objetivo era formar um “centro mundial a serviço da cooperação internacional, 
judiciária e administrativa em matéria de DIPr, notadamente no âmbito da 
proteção da infância”. 
 Na América Latina, o código de Bustamante, que ainda está em vigor no Brasil, 
possui dois artigos específicos sobre o tema dos alimentos, porém, não cuida das 
questões relativas à cooperação jurisdicional de forma especializada. 
 
18.2.1 – A Convenção de Nova York 
 A Convenção de Nova York foi assinada em 1956 e entrou em vigor no Brasil 
em 1958, sendo o primeiro instrumento de cooperação no que diz respeito às 
obrigações alimentares. Apesar de ser visto na época como um sistema 
complementar à Conferência de Haia, nos anos 50, adquiriu maior aceitação e 
utilização ao longo do tempo. A Convenção cria autoridades centrais para 
agilizar a cobrança da obrigação, sem ser necessário passar por outra instância, 
além de conceder algumas vantagens ao credor, como assistência judiciária 
gratuita, dispensa de caução, serviços gratuitos, etc. 
 A parte pode reclamar

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