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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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a convenção interamericana e 
entende-se que em caso de países que são signatários das duas convenções a convenção 
interamericana deve prevalecer, dessa forma ficou estabelecido que os Estados partes 
tem a prerrogativa de decidir de forma bilateral a aplicação prioritária da convenção de 
Haia. 
Assim como na convenção de Haia autoridades judiciárias e administrativas do 
estado requerido não estão obrigadas a ordenar a restituição do menor. Essa denegação 
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ocorre quando os titulares da solicitação não estão exercendo plenamente seus direito no 
momento do transporte ilegal ou da retenção, ou seja, quando existe a possibilidade de 
expor o menor a perico físico ou psíquico, ou quando o menor possui maturidade e se 
opõe ao retorno. 
A questão sobre a guarda da criança, assim como na convenção de Haia, só é 
julgada quando se mostrar a ausência dos requisitos da convenção 
A diferença da convenção interamericana e da convenção de Haia é que a 
convenção interamericana dispõe sobre exceção da ordem publica, ou seja, o estado 
pode negar a volta do menor para o outro estado caso sua ordem publica seja ferida. 
 
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Caso Sean Goldman (continuação do Capítulo 19) 
 
Para poder estudar o caso Sean, pelo direito internacional privado, devemos 
saber sobre a história e como tudo aconteceu. Tudo começou em 1999, quando David 
Goldman e Bruna Bianchi se conheceram na Itália. Os dois depois de um tempo se 
mudaram para os Estados Unidos e lá se casaram e tiveram um filho Sean. Após 4 anos 
tendo uma vida normal, Bruna decide levar o filho para visitar o Brasil, foi nessa 
viagem que tudo mudou. Logo que chegaram no país brasileiro, a mãe de Sean pede o 
divórcio junto com a custódia provisória, que só depois de uma disputa judiciária, a mãe 
consegue. 
Mesmo sabendo que havia perdido David continuou tentando reverter a situação, 
mas a mãe pediu uma guarda exclusiva. A justiça brasileira deu preferência para os 
argumentos apresentados pela mãe. Mas na Convenção de Haia é defendido que o 
julgamento não pode ocorrer em outro país a não aquele de onde a criança veio. Mas 
existem duas exceções o artigo 12, alegando que a criança deve retornar imediatamente 
para seu país de origem, salvo quando for provada que ela ja se encontra adaptada no 
país, mas isso só ocorre quando o pai não entra na justiça dentro de um ano, o que o pai 
o fez. Os juízes não entenderam assim e levaram em conta o artigo 13, com argumento 
que a criança deve ficar no país para não ter problemas psicológicos, já que poderia 
estar adaptado no Brasil. O resultado foi a custódia dada à mãe. 
 Mas a história muda de curso quando ele soube que sua ex-mulher havia 
falecido após dar luz a filha que estava esperando, fruto de seu segundo casamento, que 
aliás era com seu advogado. David veio ao Brasil assim que soube da notícia, com 
esperanças de levar consigo seu filho, mas soube que o padrasto de Sean tinha 
conseguido a custódia provisória e estava tentando ganhar a permanente, já que o 
mesmo acreditava ter a paternidade sócio afetiva. 
A partir dessa breve história é possível perceber que o direito internacional 
privado está completamente envolvido nesse problema. Dois artigos da convenção de 
Haia foram usados para defender o ponto de vista da família brasileira, o artigo 12, que 
defende que a criança deve voltar imediatamente para a casa do parente, mas só não 
pode ser feita tal ação se a criança já estiver adequada no país, o que foi alegado pela 
família - a criança só se adequa ao cotidiano depois de um ano. Tem também o artigo 13, 
que defende o melhor da criança pensando que a possibilidade da criança voltar poderia 
causar problemas físicos e psicológicos. Mas a partir de revisões feitas por advogados o 
uso da convenção estava impróprio. Já que o pai deveria ter entrado com um pedido de 
retorno para o seu filho, dentro de um ano após o "incidente", e este o fez dentro de 5 
meses, quando soube que sua mulher queria o divórcio e não iria mais voltar para os 
Estados Unidos. 
De acordo com os seminários já apresentados, o caso Sean, pode ser relacionado 
com o capítulo 15, que se refere às famílias modernas, onde duas pessoas de 
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nacionalidades distintas se casam e se divorciam, fora a família "atual" que agora Sean 
possui com o padrasto a madrasta, meia-irmã e filhos de sua madrasta. Mas é com o 
capítulo 19, que esse caso se identifica mais e que apresenta o tópico sobre sequestro de 
menores por parentes. 
Para que tal Convenção seja usada, ela deve ter 4 requisitos que está apresentado 
no Art.4 da Convenção. 
1. Os Estados envolvidos no pedido de retorno devem ser signatários da 
Convenção; isso quer dizer que tanto o país americano como o brasileiro 
devem estar signatários a Convenção, mas existem exceções onde países 
que não são signatários aceitam termos da Convenção. 
2. A criança cuja restituição se pede deve ter tido residência habitual no 
Estado requerente; ou seja, Sean deveria ter morado nos Estados Unidos 
antes do “sequestro”. 
3. Essa residência habitual deve ter ocorrido imediatamente antes da 
violação do direito de guarda ou de visita; esse requisito é um 
complemento ao requisito 2. 
4. A criança em questão não pode ter idade superior a 16 anos completos; 
pois a partir dessa idade ela já sabe ou que está acontecendo e tem como 
mudar a situação, e Sean quando foi “sequestrado” pela sua própria mãe 
tinha somente 4 anos. 
Tais sequestros são explicados como uma ação do pai/mãe visando exercer uma 
exclusividade sobre o direito de guarda e tentando suprimir a influência do outro, 
transferindo os filhos para outro país, onde, se podem distorcer os fatos, desfrutando de 
decisões judiciais que conferiam uma aparência legal às situações que eram criadas de 
forma ilícita, já que dessa forma acredita que obterá uma situação que atenda melhor os 
seus próprios interesses, sepultando permanentemente os direitos do genitor enganado.

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