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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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não mais 
neutros em relação aos resultados (evidência é a fragilidade do consumidor). 
 
14.5 
 
No âmbito do MERCOSUL, os contratos internacionais são regidos de acordo 
com as normas de DIPr de cada país. Para a autora, a situação é bastante insatisfatória e 
burocrática, consistindo em barreiras jurídicas que impedem a uniformização do DIPr 
dos contratos dentro deste bloco. Apesar de ser item na pauta de harmonização da 
legislação nacional dos Estados-membros, não se definiram regras uniformes sobre a lei 
aplicável. 
 
Lei do lugar de execução: Argentina, Uruguai e Paraguai; Lei do lugar de 
celebração: Brasil -> impede que haja segurança jurídica no âmbito do MERCOSUL. 
 
A possibilidade de utilização da autonomia da vontade (cabe aos contratantes a 
livre escolha das normas que deverão reger o contrato firmado entre as partes) ocorreu 
poucas vezes, e foi decida pela interpretação literal do artigo 9º da LICC (lei de 
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introdução ao código civil, diz que "para qualificar e reger as obrigações aplicar-se-á a 
lei do país em que se constituírem"). 
 
Em 2002: o ministro Marco Aurélio concede a exequatur baseada na seguinte 
ideia: “Embora no Brasil as dívidas de jogo não possam ser cobradas, não ofendia a 
ordem pública aquelas contraídas validamente de acordo com a lei do local de 
celebração”. 
 
Tendo sido contraída a dívida de jogo em local no qual a atividade é legal, 
promovendo-se o pagamento através da emissão de cheque, há que se reconhecer a 
possibilidade de cobrança do valor como forma de se evitar o enriquecimento ilícito, 
posto que a obrigação fosse contraída de forma lícita pelo emitente do título. 
 
Tribunal de Alçada de São Paulo (antes de ser extinto com a Emenda 
Constitucional 45, examinou diversas situações pertinentes aos contratos 
internacionais): 
1. Competência internacional X Aplicação do direito estrangeiro: em casos 
de sentenças de 1º Grau (jurisdição brasileira incapaz de julgar a situação do 
contrato internacional), decidiu que não havia obstáculos a utilização da 
legislação estrangeira, contudo sem que a jurisdição brasileira fosse afastada. 
Decide que a lei estrangeira é pertinente na análise dos aspectos relativos aos 
juros, multas e condições contratuais. 
2. Aceita expressamente o princípio da autonomia da vontade, e dá provimento 
a um agravo para modificar a decisão que afastara a preliminar do agravante. 
3. Ausência de local de celebração determinado: quando isso ocorre é 
necessário definir qual parte propôs o contrato, para que a regra de sua 
residência seja aplicado (contrato entre ausentes é bastante comum). São 
sempre regidas pela lei local, utilizando-se a definição do direito brasileiro 
para determinar o proponente à contratos firmados via correspondência ou 
casos de seguradoras estrangeiras/brasileiras em resseguro. 
 
14.6.2 – Dépeçage ou fracionamento 
A técnica do dépeçage, que, por sua vez, é aplicável a lei estrangeira, apresenta 
dificuldades de aplicação pelos tribunais. Tal técnica se refere a um mecanismo pelo 
qual um contrato é dividido em partes diversas, onde cada uma delas será submetida à 
leis diferentes. 
Contudo, muitas vezes uma única lei aplicável pode resolver a maior parte dos 
problemas referentes aos contratos internacionais. 
 
 
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14.6.3 – A cláusula de eleição de foro 
Vários acórdãos definiram ser a cláusula de eleição de foro uma manifestação da 
autonomia da vontade. Contudo, temos uma imprecisão dos conceitos de liberdade de 
escolher a lei com liberdade contratual de escolher o foro. Dentre a análise de diversos 
casos o que temos é que se destaca o embate entre a liberdade de escolher o foro versus 
a imperatividade da norma referente à competência internacional. 
 
14.6.3.1 – Supremo Tribunal Federal 
Cuidava da questão relacionada ao direito internacional em dois momentos. No 
primeiro era a corte revisora de todas as questões contrárias a lei federal, antes da 
Constituição de 1988. No segundo tinha a qualidade de estância única para julgar a 
admissibilidade no ordenamento jurídico interno de todos os atos provenientes do 
exterior. 
 
Ações propostas na justiça brasileira 
STF julgou, em 1957, um recurso extraordinário, no qual a cláusula de eleição 
de foro não prevaleceu por não ter sido considerado válido o acordo entre as partes. 
 
Ações propostas no exterior – cartas rogatórias e homologação de sentenças 
estrangeiras 
O STF, em casos de cartas rogatórias e sentenças estrangeiras, se posicionaram 
sobre a questão da competência internacional e a cláusula de eleição de foro. A mais 
polêmica foi em um agravo regimental de carta rogatória, proveniente do Uruguai. 
STF, posteriormente, modifica-se para recusar a justiça estrangeira somente em 
casos de competência exclusiva da justiça brasileira. Celso de Mello esclarece que as 
hipóteses de competência concorrente são guiadas pela norma do artigo 88 do CPC 
(Código Processual Civil). 
 
14.6.3.2 – Superior Tribunal de Justiça 
Considerando um caso onde: 
a) Haja a necessidade de uma eleição de foro e de competência internacional 
para se julgar o caso; 
b) A escolha do foro não acarretou na escolha automática da competência; 
c) Prevaleceu o princípio da submissão; ou seja, a jurisdição considerada 
mais competente teve que foi submetida às demais. 
Especificamente neste caso, a competência que prevaleceu foi a brasileira: a 
jurisdição brasileira. No entanto, o foro indicado na sentença foi a Holanda. Como 
proceder? 
A autora da sentença abriu uma ação rescisória; ou seja, a possibilidade de uma 
ação que não cabia mais recurso ser julgada novamente, sobre a sentença, alegando que 
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o foro (Holanda) impediria a justiça brasileira de apreciar e analisar a questão. Porém, 
não foi assim que os acontecimentos decorreram. 
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) reagiu. O que foi feito? Ele acompanhou a 
decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) onde, mesmo com a eleição do foro 
estrangeiro na Holanda, a competência para julgar o caso era brasileira. 
Segundo o ministro Silvio Figueiredo, enquanto a ação ainda estivesse 
transitando em julgado (quando não se pode mais recorrer), não havia impedimentos 
para que a justiça brasileira se informasse sobre a ação. 
 
14.6.3.3 – Tribunais Estaduais 
Supomos um caso onde o foro estrangeiro é eleito e a justiça brasileira não. 
Neste caso, os tribunais têm decidido de forma diferente do STF. 
A partir dos incisos do art. 88, a justiça brasileira pode se autodeclarar 
competente para julgar determinado caso. Não há uma uniformidade da jurisprudência 
neste caso. Resultado: a parte pode recorrer tanto a justiça brasileira quanto a 
estrangeira para a resolução do caso. 
 
Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro 
Neste estado, houve dois casos onde o foro estrangeiro prevaleceu: prevaleceu a 
eleição das partes; ou seja, elas elegeram o foro estrangeiro e somente naquele local o 
litígio poderia ser iniciado. 
A ré alegava que o julgamento deveria ser no foro alemão, pois constava em 
contrato que este seria o foro de julgamento das controvérsias, enquanto a autora 
alegava que por ser o Brasil o local de cumprimento da ação, o foro também deveria ser. 
Baseado na Súmula 335 que diz que “é válida a cláusula da eleição do foro para 
os processos oriundos de contrato”, a decisão a favor da ré se manteve. 
“A renuncia Ao foro do domicilio foi considerada cabível, por força da eleição 
do foro estrangeiro através de clausula contratual” (ARAUJO, 2010. p. 411).

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