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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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Brasil e Áustria, uma decisão pode ser 
evidenciada. Embora seja necessário reconhecer a comunhão dos aquestos proveniente 
de um esforço comum do casal, a separação deve levar em conta outras variantes que 
estão em questão, como interesses econômicos. Assim, a comunhão de aquestos deve 
ser válida somente na medida em que pode ser comprovado o esforço comum na 
formação de um patrimônio, evitando que ocorra um enriquecimento sem causa. Diante 
dessa ótica, fica evidente na concepção do Ministro Salomão a necessidade de se fazer 
“uma ponderação entre o esforço comum e o enriquecimento sem causa que pode 
decorrer de sua aplicação indiscriminada a todos os bens adquiridos pelos cônjuges na 
constância do casamento” (p. 485). 
Um dos debates contemporâneos do DIPr diz respeito à autonomia da vontade e 
a área das obrigações para o direito de família. Isso se evidencia nas opções pelo regime 
legal ou convencional, tendo em vista que o regime convencional permite a execução da 
autonomia da vontade, sendo esta formada de modo absolutamente consciente pelo 
partícipe, ao passo que no regime legal isso é inexistente. Nesse contexto, evidencia-se 
Erik Jayme, que considera que a liberdade do indivíduo significa que “seu direito à 
plena expressão de sua personalidade também compreende a esfera econômica” (p. 486). 
Assim, de modo sintético pode-se considerar como ideias-chave do item: 1) 
“esforço comum em detrimento da regra rígida da separação de bens” (no Brasil); 2) 
ponderação de valores; 3) “proibição do enriquecimento sem causa”; 4) saída de uma 
lógica estritamente racional; e, por fim, 5) análise individual dos casos. (p. 486) 
 
 Restrição à aquisição de bens imóveis por estrangeiro: 
A Constituição Federal (art. 190) remete à legislação infraconstitucional a 
regulamentação sobre a aquisição ou arrendamento de propriedade rural por pessoa 
física ou jurídica estrangeira. Havia dúvida sobre a aplicação dessa matéria, pois, além 
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de necessitar de autorização para a aquisição de imóveis rurais, limitava tal aquisição 
por municípios. 
O STJ decidiu que a exigência imposta ao estrangeiro se estenderia também ao 
cônjuge brasileiro quando fosse relacionado a uma propriedade que integrasse o 
patrimônio comum dos cônjuges. O artigo 190 define que “o estrangeiro casado com 
brasileiro, ou vice-versa, em regime de comunhão universal de bens, só pode adquirir 
imóvel rural, com área especificada na lei, com autorização do Incra”, a autorização 
prévia do Incra se aplica a todos os casos em que, de acordo com o regime de bens, o 
imóvel adquirido for propriedade comum de um casal em que um dos cônjuges é 
estrangeiro. 
 
 A qualidade de herdeiro do cônjuge sobrevivente: 
A tradição brasileira não considerava o cônjuge como herdeiro necessário, 
apenas quando não houvesse descendentes ou ascendentes. No regime de comunhão 
universal de bens, o cônjuge recebia metade do patrimônio conjugal; contudo, com a 
mudança, em 1977, para o regime da comunhão parcial de bens, a comunhão dos 
aquestos já era expressiva. Com o Novo Código Civil, o cônjuge supérstite concorre 
com os descendentes na sucessão legítima. 
Embora a lei brasileira não qualificasse o cônjuge sobrevivente como herdeiro, 
para o DIPr havia casos em que isso poderia ocorrer por força da regra de conexão que 
determinava a aplicação da norma estrangeira à sucessão (art. 10º da LICC). 
 
15.2 – A dissolução do casamento 
A dissolução do casamento pode ocorrer por três motivos: a) anulação, b) 
separação e posterior divórcio e c) morte de um dos cônjuges. 
Em relação à anulação proposta no Brasil, o Art. 7º da LICC indica que deve 
aplicar-se a lei do domicílio dos nubentes ou, sendo diverso este domicílio, a lei do 
primeiro domicílio conjugal. O ministro Luis Gallotti declarou que esse dispositivo 
resultou em um equívoco na transição do princípio da nacionalidade para o domiciliar 
no que tange o direito de família. Haroldo Valladão classificou o artigo como absurdo, 
pois a validade do ato do casamento não podia se submeter a uma lei diferente daquela 
que o presidiu. 
Quando o casamento é dissolvido pelo divórcio, há duas hipóteses: casamentos 
celebrados no exterior com divórcios realizados no Brasil, e divórcios no exterior (seja 
de casamentos celebrados no Brasil, seja no exterior). 
Se o casamento foi realizado no exterior, mas o casal está domiciliado no Brasil 
e quer aqui divorciar-se, segue-se a lei processual brasileira e torna-se competente a 
justiça brasileira para processar o feito. O juiz deve verificar a validade do ato 
estrangeiro e a regra aplicável relativa ao regime de bens por força da regra lócus regit 
actum. 
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Se o divórcio ocorreu no exterior, a produção de efeitos no Brasil depende da 
homologação do STJ. O parágrafo único do artigo 15º da LICC dispensava a 
homologação das sentenças que qualificava como “meramente declaratórias do estado 
das pessoas”, ou seja, as sentenças que não dispusessem sobre partilha de bens e 
alimentos não precisavam ser homologadas. Contudo, o STF modificou tal orientação e 
o ministro Celso de Mello revogou o artigo, dessa forma todas as sentenças estrangeiras 
passaram a necessitar de homologação. 
O parágrafo 6º do artigo 7º da LICC estabelecia a necessidade de observância do 
prazo previsto na lei brasileira para a conversão da separação judicial em divórcio se um 
ou ambos os cônjuges fossem brasileiros, inclusive nos casos de divórcios realizados no 
exterior. Porém, como o prazo estipulado pela lei era curto, essa questão tornou-se 
irrelevante. 
Houve controvérsia em relação à partilha de bens situados no Brasil quando o 
divórcio fosse realizado no exterior, havendo inclusive o indeferimento do STF ao 
pedido de homologação de um caso envolvendo o Paraguai. A partir de 1982, a questão 
foi modificada e passou-se a aceitar as partilhas feitas no exterior em casos de divórcios, 
pois era compatível com a lei brasileira que cuida de partilha de mortis causae (art. 89, 
II), não havendo, portanto, ofensa ao direito brasileiro. 
 
Glossário: 
Lex loci celebrationis: princípio jurídico que prega que o contrato deverá ser regido 
pelo Direito do local onde ele foi assinado. 
 
Lex rei sitae: toda e qualquer ação que versar sobre o imóvel situado no Brasil, terá que 
ser proposta perante juiz brasileiro. É um princípio quase que universalmente aceito que, 
em se tratando de ações relativas a esse imóvel, o foro competente é o da situação, 
independentemente do domicílio do réu. 
 
Outorga Uxória: para determinados atos, a Lei exige que a pessoa casada tenha o 
consentimento de seu cônjuge. Essa autorização recebe o nome de outorga uxória e um 
exemplo onde sua ocorrência é comum são as situações de cunho patrimonial. 
 
Aquesto: diz-se de ou cada um dos bens adquiridos durante o casamento. 
Locus regit actum: o lugar regula o ato. Princípio segundo o qual a forma extrínseca ou 
relativa à prova dos atos jurídicos deve ser regida pelas leis do lugar onde eles se 
celebram, qualquer que seja a nacionalidade dos estipulantes. 
 
Meação: ato ou efeito de mear. Divisão ao meio. Metade. 
 
Supérstite: que sobrevive. 
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Capítulo 16: Sucessão Internacional 
 
Os temas e repercussões de casos familiares transnacionais (que envolvem 
estrangeiros) serão, necessariamente, temas que englobam a chamada sucessão 
internacional. Em 1942, o critério adotado para resolução será o domiciliar. A exceção à 
regra será somente quando houver bens em nome ou do cônjuge, ou dos filhos com 
nacionalidade

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