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Prof. José Araújo (DIP) - Resumo Prova 2

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brasileira. 
 Por fim, a autora destaca a importância de se analisar anteriormente ao 
julgamento de um caso de sucessão internacional, qual sistema jurídico (brasileiro ou 
estrangeiro) traá mais benefícios para as partes nacionais, enquanto atualmente usa-se, 
sem questionar, o sistema jurídico brasileiro. 
 
16.1 – A sucessão e o DIPr 
O caso brasileiro: Quando há bens imóveis de um domiciliado no exterior no 
Brasil: determinação da jurisdição competente e determinação da lei aplicável; 
 Princípio da universalidade sucessória: não importa a natureza e a situação 
dos bens no Brasil, o que vale é o último domicílio do de cujus. Ele não 
poderá ser aplicado se a sucessão tiver bens em mais de um país, pois haverá 
uma pluralidade de foros; 
 Quando há fórmula plural: mesmo com o princípio da universalidade, uma 
lei estrangeira poderá ser aplicada em território nacional, podendo ser 
aplicada diversas leis. A sucessão de bens de um estrangeiro situado no 
Brasil vai responder ao critério legítimo em benefício do cônjuge e dos filhos 
brasileiros. A lei estrangeira pode ser impedida pela ordem pública, e assim a 
lei nacional prevalece; 
 A exceção do critério de domicílio no Brasil: a proteção dos filhos e 
cônjuges brasileiros. 
 Exemplo 1: pessoa domiciliada no estrangeiro com bens no Brasil 
morre; se o falecido não tiver filhos, o imóvel será regido no exterior, e 
se tiver filhos, a sucessão poderá ser no Brasil se a norma for mais 
benéfica. 
 Exemplo 2: se o falecido tiver bens no exterior, estes bens não farão 
parte do processo de sucessão brasileiro. - A utilização da norma mais 
benéfica: se uma norma estrangeira for mais benéfica aos filhos e 
cônjuges brasileiros, ela será aplicada. Há países que protegem mais o 
critério legal, como a França, a Itália e Portugal. 
 Exemplo – RJ: caso em que a lei estrangeira era mais benéfica aos filhos 
brasileiros do de cujus. 
 Haveria um conflito entre a regra que aplicará sobre o herdeiro com o caput 
ou com o parágrafo primeiro do artigo 10 da LICC se o herdeiro não fosse 
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determinado com a aplicação da lei de sucessão. - Exemplo: a sucessão de 
bens de um estrangeiro domiciliado no Brasil a uma filha adotada na 
Espanha, como o Brasil não faz distinção entre filhos adotivos e naturais, a 
filha adotiva foi considerada herdeira na sucessão dos bens situados no 
Brasil. Portanto, a lei do domicílio da herdeira só seria considerada para o 
recebimento da herança, sendo que isso não se confunde com a qualidade da 
filha de herdeira. 
 
16.2 – O testamento com efeitos em outro país 
Testamentos realizados em país estrangeiro podem ser vistos por 2 ângulos: 1) 
referente à forma do ato, seguindo as regras do local de elaboração "locus regit actum", 
e 2) referente a substância do ato, o qual leva em conta a sucessão e as questões sobre a 
capacidade de testar no momento do ato. 
Ex: Caso da cantora Gabriela B.Lage. Discutia-se a validade do testamento 
particular realizado na itália mas que afetaria os bens imóveis situados no Brasil. 
Cantora faleceu onde era domiciliada(Roma) ,mas as disposições do testamento sobre 
seus bens ,em particular imóveis, recairiam aqui no Brasil, onde estavam situados. O 
testamento foi considerado válido, pois não era contrário a ordem pública brasileira 
sobre testamentos particulares, sendo então aplicável as formalidades do ato a lei do 
lugar de origem. 
Princípio dominante - preservar a vontade do testador, desde respeitada a ordem 
pública, e não seja fraude à lei. 
 O testamento é regulado por lei na Itália. 
 Não havia proibição a testamento particular aqui no Brasil. 
 Lei aplicável a forma > as disposições do local do ato. 
Na Itália utiliza-se o critério da nacionalidade do indivíduo, respeita-se a lei do 
Estado no qual o testamento foi realizado. Assim, mesmo a lei americana sendo 
divergente da italiana sobre essa questão, num caso sobre um testamento realizado em 
Nova York, a jurisprudência italiana consideraria este válido segundo as formalidades 
locais. 
 
 
 
 
 
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Capítulo 17: Arbitragem Internacional 
 
Arbitragem internacional é um meio de solução de pendências pertinentes a uma 
ação, utilizado no comércio internacional que permite a utilização do direito de modo a 
adaptar-se melhor às necessidades dos atores envolvidos. 
 
17.1 – Histórico 
Antigamente, a arbitragem não possuía a necessária credibilidade como 
mecanismo alternativo de solução de controvérsias, sendo pouco utilizada frente à 
ausência de eficácia executiva da cláusula compromissória
1
 e as dificuldades na 
satisfação de todos os requisitos do compromisso arbitral
2
, previstos no CPC. No plano 
internacional, a dificuldade se encontrava na existência de chancela judicial que 
importava um duplo procedimento. Atualmente, a arbitragem só é admitida entre 
pessoas capazes de contratar e para questões relacionadas a direitos patrimoniais 
disponíveis. Tentou-se modernizar o instituto da arbitragem a partir da utilização de 
mecanismos eficazes de preservação e garantia do procedimento. Entre as inovações 
favoráveis ao seu uso estão a equiparação da cláusula compromissória ao compromisso 
(chamado Convenção de arbitragem); a atribuição de força obrigatória à sentença 
arbitral, ou seja, dotando-a dos mesmos efeitos da sentença proferida pelo poder 
Judiciário e qualificando-a como título executivo judicial; e o prestígio prestado a 
autonomia da vontade das partes, permitindo ampla liberdade de escolha das normas 
aplicáveis aos contratantes. 
 
17.2 – Validade, reconhecimento e força executiva perante o Judiciário local 
A obrigatoriedade da cláusula arbitral apresenta como efeito negativo a 
possibilidade do réu condenar a incompetência do Judiciário por meio da exceção de 
convenção de arbitragem. Já o efeito positivo é a possibilidade das partes recorrerem ao 
Judiciário pela via da ação sumária para compor o compromisso arbitral. 
 
17.3 – Arbitragem interna e internacional 
Admissibilidade: os contornos da arbitragem internacional não têm seus 
contornos definidos, assim como não é previsto um regime jurídico distinto para as 
arbitragens internacionais no Brasil. O que a arbitragem exige é que as partes sejam 
domiciliadas em países diferentes ou que a relação jurídica contenha algum elemento de 
estraneidade. A lacuna jurídica advinda dessa ausência de disciplina deve ser suprida 
por analogias, costumes e princípios gerais do direito. 
 
 Convenção de arbitragem: 
 
1
 É aquela promessa que consta do contrato, de que as partes resolverão seus litígios por esse meio. 
2
 É o contrato firmado pelas partes que permite a instauração da arbitragem, mediante a satisfação de 
determinados requisitos. 
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Regras básicas: A convenção deve ser celebrada por pessoas capazes e focar nos 
direitos patrimoniais disponíveis. A cláusula compromissória tem plena autonomia em 
relação ao seu contrato e o árbitro tem poder de resolver sobre a sua própria 
competência. Frente a validade do compromisso é necessário o nome, profissão, estado 
civil e domicílio das partes e dos árbitros, a matéria da arbitragem e o local em que a 
sentença será proferida. 
 
 Cláusulas multiparte: 
Quando a arbitragem envolve mais de uma parte em cada pólo da relação 
jurídica, de modo que a constituição do tribunal arbitral dependerá do acordo entre 
todos. Essa circunstância envolve aspectos do litisconsórcio
3
 facultativo ou necessário,

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