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Projetos Industriais - 2016

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Projeto de Unidades Produtivas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. Projeto do Layout Industrial 
 
 
 
1.1. Introdução 
 
Problemas envolvendo layout são complexos e difíceis de serem formulados através de meios 
analíticos, pois envolvem um grande conjunto de combinações viáveis e possuem características 
subjetivas que dificultam um tratamento puramente matemático. 
 
Os objetivos envolvidos nos problemas de layout são muitos. Por exemplo: minimizar o custo 
de manipulação de materiais, maximizar a proximidade dos departamentos, flexibilizar o arranjo 
e operação, racionalizar o espaço disponível, cuidar da segurança do trabalho e tratar as 
questões ergonômicas do sistema produtivo. Neste contexto, o desenvolvimento e avaliação de 
layout têm sido estabelecidos, tradicionalmente, de forma subjetiva por projetistas que utilizam 
técnicas gráficas e manipulação de templates. 
 
Tal complexidade tem levado a algumas tentativas de “automatizar” o processo de construção 
do layout. No final da década de 60 e início da década de 70 uma série de tentativas foi 
desenvolvida: CRAFT, Buffa et al., 1966; CORELAP, Lee & Moore, 1967; ALDEP, Seehof 
& Evans, 1967; MAT, Edwards et al., 1970; PLANET, Apple & Deisenroth, 1972; COFAD, 
Moore, 1974, dentre outras, atuam fundamentalmente nos dois primeiros objetivos acima 
citados. As saídas fornecidas por estes softwares, via de regra, representam num diagrama de 
blocos, as posições relativas dos diversos departamentos. 
 
Sule (1992) enfatiza que dois aspectos críticos destes softwares são: (1) os diagramas de 
blocos gerados representam soluções aproximadas que exigem redesenho e modificações, 
provocando um distanciamento da solução “ótima” encontrada; (2) a atuação dessas ferramentas 
ocorre somente nos primeiros passos do processo do projeto de layout industrial, não 
contribuindo nas etapas de detalhamento e implantação. O mesmo autor conclui que, para 
atender os demais objetivos, são necessárias pesquisas que tratem questões do tipo: 
desenvolvimento de layout detalhado, utilização de capacidades computacionais gráficas e 
interativas, desenvolvimento de procedimentos capazes de tratar layout multi-níveis, utilizar 
mecanismos de análise de layout, tratar layout flexíveis, e incorporar novas técnicas de 
produção, como tecnologia de grupo e célula de manufatura. 
 
Além dos aspectos apontados por SULE, podemos ainda considerar que o problema de layout 
possui tantas especificidades que devem ser tratados de forma singular, pois cada projeto é um 
novo projeto e cada indústria possui as suas características próprias e que as tentativas de 
automação acabam por se demonstrar ineficientes quando transladadas para aplicações distintas 
daquelas para as quais foram geradas. 
 
Numa linha mais atual, foram desenvolvidas ferramentas flexíveis como o software FACTORY 
(Cimtechnologies Corp., 1989), fundamentado no método SLP (System Layout Planning, 
Muther, 1978). Este software, que pode ser processado em conjunto com o AUTOCAD 
(AutoDesk Inc.), representa um avanço em relação às ferramentas anteriormente desenvolvidas, 
principalmente por explorar os recursos da computação gráfica e a capacidade de interagir com 
o projetista. No entanto, ao reproduzir uma metodologia desenvolvida, em princípio, para o 
projeto não informatizado, também não consegue atingir os objetivos anteriormente assinalados. 
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A simulação assumiu a partir dos anos 80, uma posição de destaque na área de pesquisa 
operacional, ressurgindo como uma poderosa ferramenta de apoio à tomada de decisão em 
sistemas complexos de produção. Isso se deve muito ao avanço proporcionado pelos 
chamados “ambientes de simulação”. Ao contrário das tradicionais linguagens de simulação, 
que exigiam muita experiência e dedicação do usuário, esses novos ambientes são extremamente 
amigáveis, consistentes em termos estatísticos e possuem interfaces gráficas que permitem 
visualizações das simulações. Os softwares mais conhecidos nessa área são: ARENA (Systems 
Modelling, Pegden et al., 1995), AUTOMOD (Autosimulations, 1993) e PROMODEL 
(Promodel Corp., 1990). 
 
Na área de projetos gráficos, desenvolveram-se excelentes softwares, cada vez mais 
customizados para aplicações específicas, envolvendo tanto o CAD (Computer Aided Design) 
como os softwares de animação gráfica. São exemplo o Autocad, Catia, Minicad e o 
3dStúdio. 
 
A combinação das características dos softwares de simulação de sistemas com os de computação 
gráfica, articulados por uma metodologia apropriada para a abordagem dos problemas de layout, 
surge como uma alternativa viável, ao permitir a exploração, em diferentes graus de 
detalhamento, de todos os diferentes aspectos envolvidos no projeto. A abordagem que será 
apresentada na sequência, busca explorar o potencial destas ferramentas computacionais, 
integrando-as nas diferentes etapas envolvidas na concepção de uma unidade industrial. 
 
Neste capítulo trataremos do processo produtivo para o produto em projeto. Antes de 
introduzirmos métodos e técnicas propriamente ditos, iremos fundamentar a abordagem, 
partindo dos conceitos de trabalho, tecnologia e estratégia. Na sequência será apresentada a 
metodologia adotada. 
 
É importante salientar que as questões específicas da técnica de produção já devem ter sido 
tratadas ao longo do processo de desenvolvimento do produto. Nesta etapa iremos quantificar 
os recursos necessários e estabelecer a sua distribuição espacial a partir das inter-relações que 
se estabelecem entre os homens o dispositivo técnico e o processo de gestão. 
 
 
 
1.2. Pressupostos metodológicos e Conceituais 
 
O layout industrial é a representação espacial dos fatores que concorrem para a 
produção envolvendo pessoal, materiais, equipamentos e as interações entre estes fatores 
de produção. Assim, ao conceber uma unidade industrial ou mais genericamente falando, um 
sistema de produção, estamos em última instância explicitando o que de uma forma ou outra 
constituirá o trabalho nos seus diversos níveis hierárquicos e funcionais. 
 
O contexto em que se coloca o projeto de uma unidade industrial não pode ser resumido à 
categoria trabalho. Sem dúvida os negócios estão inseridos em ambientes sociais e 
econômicos que impõem sobre uma organização determinantes que irão condicionar as 
possibilidades de implementação das soluções no campo do trabalho, da técnica e da sua 
coordenação. Desta forma, os pressupostos sobre trabalho e estratégias de produção irão nortear 
a concepção do sistema produtivo. 
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1.2.1. O Trabalho 
 
A representação do trabalho no campo da engenharia de produção pode ser agrupada segundo 
duas abordagens distintas (Dejours,1995), sumarizadas no quadro 1. 
 
Quadro 1 – Abordagens sobre os fatores humanos no trabalho (Dejours, 1995). 
 
 
 
 
As limitações destas abordagens são criticadas por Dejours, “as relações intersubjetivas entre 
o ego e o outro, que incontestavelmente desempenham um papel organizador das condutas 
humanas, não são redutíveis a uma entidade ou um sistema ego-outro. Os conflitos, as 
relações de poder ou o reconhecimento criam sempre um desafio ao real. O conflito visa 
àquilo que na postura do sujeito relaciona-se a um fazer, a um ato, a uma conduta ou a uma ação 
sobre o real”. (pag. 12) Aslimitações destas abordagens são representadas abaixo no quadro 2. 
 
Quadro 2 – Limitações das abordagens sobre o fator humano – Dejours. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tais questões nos remetem para a discussão dos conceitos de