Curso de Psicodiagnostico
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Curso de Psicodiagnostico


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medroso; gesticulação, observando se é ausente ou exagerada; a capacidade motora se é 
inquieto, imóvel, incapaz de manter-se em um determinado local; observa-se seu modo de 
caminhar, se é tenso, elástico, largado, amaneirado, encurvado. É importante também 
descrever, se houver, retardos motores ou redução generalizada nos movimentos corporais e 
relatar atividades sem propósito ou objetivo. A psicomotricidade pode ser observada no decorrer 
da entrevista. 
\uf0d8 Atitude para com o entrevistador: aqui se registra o nível de harmonia 
estabelecido entre examinador e examinando. Atitudes como amigável, cooperativo, submisso, 
interessado, arrogante, sedutor, franco, desconfiado, apático, perplexo, superior, desdenhoso, 
irritado, indiferente, evasivo, hostil, bem-humorado, normalmente responsivo às deixas do 
entrevistador, não espontâneo (tipo pergunta e resposta), fala muito, exaltado e muitos outros 
termos adjetivos poderão ser usados.Ex.: \u201cMostra-se tímido, mas tem uma atitude amigável com 
o examinador...\u201d. 
 
 
7.2.2 Humor e afeto 
 
 
 
 
 
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\uf0d8 Humor: o humor é definido como uma emoção ampla e prolongada que colore a 
percepção que se tem do mundo. Ele é mais superficial e variável do que a afetividade, 
podendo-se observar com mais facilidade numa entrevista; é uma emoção difusa. O humor em 
algumas pessoas pode ser instável, flutuante e alternar rapidamente entre extremos. Aqui se 
investiga como o paciente se sente: se deprimido, desesperado, angustiado, bravo, irritável, 
ansioso, apavorado, zangado, expansivo, perplexo, eufórico, culpado, atônito, fútil, 
autodepreciativo. Existem alguns tipos de humor: 
o Normotímico: normal; 
o Hipertímico: exaltado; 
o Hipotímico: baixa de humor; 
o Distímico: quebra súbita da tonalidade do humor durante a entrevista; 
o Esses que citamos acima são os mais comuns, mas existem outras classificações, 
que apenas as citaremos a título de informação: Humor disfórico, eutímico, expansivo, irritável, 
instável ou também conhecido como flutuações de humor, humor elevado, euforia, êxtase, 
depressão, anedonia, luto, alexitimia, júbilo, hipomania, mania, melancolia, La belle indifférence. 
Nesse exame, deve-se descrever o humor do paciente sem registrar termos técnico. 
Ex.: \u201cO paciente apresenta humor exaltado...\u201d. 
 
\uf0d8 Afeto: o afeto revela a sensibilidade intensa da pessoa frente à satisfação ou 
frustração das suas necessidades, podendo ainda ser definida como uma resposta emocional 
atual do paciente, inferida a partir de sua expressão facial, incluindo a quantidade e variedade de 
comportamentos expressivos. O fato pode ser ou não congruente com o humor, sendo descrito 
como estando dentro de um limite: 
o Normal: aqui há uma variação na expressão facial, no tom de voz, no uso das mãos 
e nos movimentos corporais; 
o Constrito: a variedade e intensidade das expressões são reduzidas; 
o Embotado: a expressão emocional é reduzida ainda mais; 
o Plano: não há nenhum sinal de expressão afetiva; 
o Outros tipos de afeto: afeto inadequado, afeto instável. Então, percebe-se que o 
afeto diz respeito à tonalidade afetiva com que alguém se relaciona às ligações afetivas que o 
paciente estabelece com a família e com o mundo. 
 
 
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7.2.3 Características do discurso 
 
 
\uf0d8 Discurso: quando se discute sobre o discurso, analisam-se as características 
físicas do discurso, que pode ser referido em termo de sua quantidade, taxa de produção e 
qualidade. Assim o paciente pode ser descrito como falante, tagarela, calado, fluente, pouco 
espontâneo ou que responde normalmente às pistas fornecidas pelo entrevistador. Já quando se 
trata da fala, podemos classificá-la como lenta, hesitante, apressada, monótona, ruidosa, 
confusa, emocional, dramática e etc. Aqui incluímos algumas limitações da fala como a gagueira, 
ou disprosódias. 
 
 
7.2.4 Percepção 
 
 
\uf0d8 Pensamento: este item da anamnese é destinado à investigação do curso, forma e 
conteúdo do pensamento, pois é por meio deste que o ser humano é capaz de manifestar suas 
possibilidades de adaptar-se ao meio, sendo por intermédio dele que se elaboram conceitos, 
articulam-se juízos, constrói-se, solucionam-se problemas, elaboram-se conhecimentos 
adquiridos e ideias. O pensamento pode ser dividido em: 
o Processo (forma): maneira como o indivíduo reúne ideias e associações, a forma 
como ele pensa, podendo ser lógicos e coerentes ou completamente ilógicos e 
incompreensíveis. A forma é a maneira como o conteúdo do pensamento é expresso. O 
pensamento abriga um encadeamento coerente de ideias ligadas a uma carga afetiva, que é 
transmitida pela comunicação. As desordens da forma podem ocorrer por perdas (orgânicas) ou 
deficiência (oligofrenia) qualitativas ou quantitativas de conceitos ou por perda da 
intencionalidade (fusão ou condensação, desagregação ou escape do pensamento, pensamento 
 
 
 
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imposto ou fabricado), onde pode se compreender as palavras que são ditas, mas o conjunto é 
incompreensível. 
o Conteúdo: se refere àquilo que o sujeito realmente pensa sobre delírios, crenças, 
preocupações, obsessões, compulsões, fobias, planos intenções, ideias recorrentes sobre 
suicídio ou homicídio, sintomas hipocondríacos e ânsia antissociais específicas. 
o Curso: alguns autores citam esse tipo de classificação para o pensamento: trata-se 
da velocidade com que o pensamento é expresso e pode ir do acelerado ao retardado, passando 
por variações. 
De acordo com Kaplan e Sadock (2007), nas perturbações da forma do pensamento 
acontecem uma superabundância ou pobreza de ideias, podendo haver Transtornos de 
Pensamento Formal: 
o Circunstancialidades: perda da capacidade de pensar de forma orientada para os 
próprios objetivos, inclusão exagerada de detalhes triviais ou irrelevantes que impedem de se 
chegar à questão; 
o Associação por assonância: pensamentos associados pelo som das palavras e 
não por seu significado, como rimas; 
o Descarrilhamento ou associações frouxas: ideias frouxas ou ideias que parecem 
não ser relacionadas ou conectadas, ou seja, quebra na conexão lógica entre as ideias e o 
sentido de objetividade geral; 
o Fuga de ideias: sucessão de associações múltiplas, de maneira que o pensamento 
parece trocar abruptamente de ideia para ideia; 
o Neologismo: invenção de novas palavras ou expressões ou uso de palavras 
convencionais de maneira idiossincráticas; 
o Perseverança: repetição de palavras, ideias e expressões fora do contexto; 
o Tangencialiodade: o paciente não reponde à questão a qual foi questionado, dá 
uma resposta que é apropriada para o tópico geral; 
o Bloqueios: interrupção do fluxo do pensamento antes de uma ideia ser concluída, 
quebra no fluxo de ideias; 
o Outros transtornos: incoerência, verbigeração, ecolalia, condensação e 
glossolalia. 
 
 
 
 
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As perturbações no conteúdo do pensamento estão associadas a determinadas 
alterações, como as obsessões, hipocondrias, fobias e especialmente os delírios. 
Os transtornos específicos no conteúdo do pensamento são: pobreza de conteúdo, 
ideia supervalorizada, delírio (engloba vários tipos, que citaremos adiante), pensamento 
tendencioso, egomania, monomania, hipocondria, obsessão, compulsão, coprolalia, fobia, noese, 
unio mystica. 
Prenderemo-nos aos delírios que podem ser classificados como: bizarro, 
sistematizado, congruente com o humor, incongruente com o humor, niilista, de pobreza, 
somático, paranoide, de autoacusação, de controle, de infidelidade, erotomania e delírio de 
pseudologia fantástica. 
Para se classificar uma ideia de delirante tem-se que levar em conta alguns aspectos: 
o Incorrigibilidade:
claudia
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