Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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maus-tratos durante a execução [..] da Operação Mudança I, nos 
termos que o processo atualmente em tramitação perante o Poder Judiciário pelos fatos imputados, 
oportuna e imparcialmente, declare e sancione; pois, da análise dos fatos, existem inúmeras situações 
a elucidar quanto às circunstâncias desses fatos.
iii. [\u2026] por não respeitar as garantias judiciais e a proteção judicial das vítimas e familiares, 
enquanto durou a situação de um Poder Judiciário acobertador das violações de direitos humanos 
ocasionadas pela gestão governamental de Alberto Fujimori. Entretanto, dada a atual existência de 
um processo judicial independente e imparcial em tramitação, a violação cessou, não se efetivando 
sua consumação, e foram restituídos direitos que vêm sendo plenamente exercidos pelas vítimas e 
familiares.
[\u2026]
141. Ademais, nesse escrito de contestação da demanda o Estado destacou que:
aceita o descumprimento da obrigação geral de respeito e garantia dos direitos humanos estabelecida no 
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JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
artigo 1.1 da Convenção Americana [\u2026]. No entanto, aceita a responsabilidade parcial pelas violações 
do direito à vida e à integridade física, enquanto o Poder Judiciário do Peru não se pronuncie sobre a 
verdade histórica e detalhada dos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992.
3) A respeito das solicitações sobre reparações e custas
142. No escrito de contestação da demanda, o Peru salientou que \u201c[e]m relação [à]s reparações que decorram 
desse reconhecimento parcial de responsabilidade, [\u2026] aceita a publicação da sentença que se pro\ufb01 ra num 
jornal de circulação nacional\u201d, e declarou \u201csua oposição à medida de caráter simbólico de colocar uma placa 
comemorativa no presídio \u2018Castro Castro\u2019, porquanto já existe um monumento em memória de todas as 
vítimas do con\ufb02 ito armado, e dado que o mencionado presídio é um centro atualmente em funcionamento 
com a presença de detentos organizados e militantes do Partido Comunista do Peru\u2013Sendero Luminoso -, uma 
medida desse tipo não favoreceria a segurança interna do presídio nem medidas destinadas à reconciliação dos 
peruanos\u201d. Salientou também que \u201c[q]uanto às reparações em dinheiro que decor[ra]m da determinação de 
responsabilidades, o Estado propõe determinar os montantes de acordo com as políticas que o Estado esteja 
implementando ou venha a implementar, por via legislativa ou administrativa, de acordo com a experiência 
veri\ufb01 cada em outros casos debatidos perante o Sistema Interamericano, e como efeito do reconhecimento pelo 
Estado de seus compromissos internacionais\u201d.
143. A esse respeito, na audiência pública (par. 93 supra), o Peru destacou que \u201cem coerência com essa política de 
reconhecimento de fatos e de busca da reconciliação\u201d foram iniciadas as consultas pertinentes para promover 
um acordo de solução amistosa. Também se referiu ao plano integral de reparações que a Comissão da Verdade 
e Reconciliação recomendou, bem como à Lei Nº 28.592 sobre reparações a vítimas do con\ufb02 ito armado interno.
144. Por último, em seu escrito de alegações \ufb01 nais o Estado solicitou à Corte \u201cque declare [sua] responsabilidade 
nos fatos matéria do presente processo e \ufb01 xe medidas reparatórias que se inscrevam no âmbito das medidas 
legais e regulamentares que o Estado vem implementando como parte de compromissos que decorrem da 
assinatura de tratados internacionais em matéria de direitos humanos\u201d. Solicitou, também, ao Tribunal que 
\u201creconheça [a] \ufb01 rme intenção [do Peru] de implementar políticas reparatórias\u201d e \u201crea\ufb01 rm[ou] sua \ufb01 rme 
intenção de implementar[\u2026 as reparações simbólicas] num contexto que signi\ufb01 que a real digni\ufb01 cação das 
vítimas e seus familiares [\u2026]\u201d.
4) Alegações da Comissão Interamericana e da interveniente comum a respeito do reconhecimento parcial de 
responsabilidade
145. A respeito desse reconhecimento, a Comissão Interamericana declarou que valora o reconhecimento dos fatos 
pelo Estado, e o considera um passo positivo em direção ao cumprimento de suas obrigações internacionais. 
Do mesmo modo, em seu escrito de alegações \ufb01 nais (par. 103 supra), a Comissão acrescentou que \u201c[o] Estado 
[\u2026] aceitou a totalidade os fatos do caso, inclusive a denegação de justiça, razão pela qual [\u2026] solicita à Corte 
que os tenha por estabelecidos e os inclua na sentença de mérito que venha a proferir, em razão da importância 
que o estabelecimento de uma verdade o\ufb01 cial do ocorrido reveste para as vítimas de violações dos direitos 
humanos, bem como para seus familiares e para a sociedade peruana\u201d.
146. Em suas alegações \ufb01 nais escritas, a Comissão observou que \u201co reconhecimento [do Estado] não se refere às 
implicações jurídicas em relação aos fatos, nem à pertinência das reparações solicitadas pelas partes\u201d, e que 
\u201co agente estatal [durante a audiência pública,] declarou que não tinha instruções para proceder à aceitação 
da responsabilidade internacional do Estado peruano pelas violações alegadas pelas partes\u201d. A Comissão 
solicitou \u201cà Corte que decid[is]se, em sentença, as questões que continuam pendentes, ou seja, a avaliação 
e as consequências jurídicas dos fatos reconhecidos pelo Estado e as reparações que sejam pertinentes, em 
atenção à gravidade dos fatos, ao número de vítimas e à natureza das violações dos direitos humanos objeto de 
acusação\u201d.
147. Por sua vez, a interveniente comum dos representantes solicitou ao Tribunal, inter alia, que \u201c[pro\ufb01 ra] uma 
sentença [\u2026] tanto em matéria substantiva, que determine os fatos[, e] o direito, com base n[\u2026]as alegações 
das partes, e que determine as reparações respectivas\u201d. Na audiência pública, a interveniente declarou que 
recusava a proposta do Estado de tentar conseguir uma solução amistosa nos termos propostos (par. 143 
supra). Também se referiu aos termos em que o Estado reconheceu parcialmente sua responsabilidade, e 
ressaltou que, na investigação penal que vem sendo realizada, os sobreviventes não são consideradas vítimas, 
e que os crimes investigados não são os que correspondem ao que verdadeiramente ocorreu.
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
148. A Corte considera que o reconhecimento de responsabilidade por parte do Estado constitui uma contribuição 
positiva para o andamento desse processo e para a vigência dos princípios que inspiram a Convenção 
Americana.5
B) Extensão da controvérsia subsistente
149. Após haver examinado o reconhecimento parcial de responsabilidade declarado pelo Estado, e levando em 
conta o exposto pela Comissão e pela interveniente comum, a Corte considera que persiste a controvérsia nos 
termos que se expõem nos parágrafos seguintes.
Quanto aos fatos
150. A Comissão interpretou que o reconhecimento dos fatos por parte do Estado inclui \u201c[a] totalidade [d]os fatos 
do caso\u201d (par. 145 supra). O Tribunal não concorda com essa apreciação, já que o Estado salientou claramente 
que \u201creconhece sua responsabilidade pelos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992\u201d, expostos na 
demanda da Comissão, e também esclareceu que \u201cdeclar[a] o reconhecimento\u201d \u201cdas situações expressas no 
escrito de petições, argumentos e provas apresentado pela interveniente comum\u201d. Desse modo, está claro 
que o Peru não reconheceu os fatos posteriores a 9 de maio de 1992. Cumpre salientar que, no processo 
perante a Corte, o Estado não se opôs expressamente à prova apresentada para comprovar os fatos alegados 
após 9 de maio de 1992.
151. No que diz respeito aos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992, a Comissão e a interveniente não coincidem 
na descrição e quali\ufb01 cação de alguns deles. Por esse motivo, o Tribunal deverá levar em conta o exame mais 
amplo que oferece a interveniente sobre alguns fatos que foram alegados pela Comissão (par. 167 a 169 
infra) e, com respeito aos fatos que foram quali\ufb01 cados diferentemente pela Comissão e pela interveniente,