Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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determinará esses fatos com base na prova apresentada neste processo (par. 164 a 166 infra).
152. Apoiada nas considerações acima, a Corte conclui que subsiste a controvérsia quanto aos fatos que se alega 
terem ocorrido depois de 9 de maio de 1992. Por conseguinte, determinará os respectivos fatos provados, em 
conformidade com o alegado pelas partes e o acervo probatório do caso.
Quanto aos direitos cuja violação se alega
153. Em seu escrito de contestação da demanda e observações sobre o escrito de petições e argumentos, o Estado 
reconheceu a violação do artigo 1.1 da Convenção, e declarou que reconhece a \u201cresponsabilidade parcial\u201d 
quanto às violações dos artigos 4 e 5 do mesmo instrumento, \u201cenquanto o Poder Judiciário do Peru não se 
pronuncie sobre a verdade histórica e detalhada dos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992\u201d. Além disso, 
salientou expressamente que \u201crefuta o aspecto da demanda que solicita se declare o [E]stado responsável pela 
violação do direito à proteção judicial\u201d.
154. Posteriormente, na audiência pública e em suas alegações \ufb01 nais, ao reconhecer sua responsabilidade pelos 
fatos de 6 a 9 de maio de 1992, o Estado não informou expressamente que direitos alegados pela Comissão 
e pela interveniente admitem como violados. Entretanto, do declarado pelo Estado, pode-se deduzir que este 
mudou a posição que havia sustentado no escrito de contestação da demanda (par. 139 supra). A esse respeito, 
nesse escrito de contestação, o Peru submetia a determinação de fatos e de violações ao pronunciamento do 
Poder Judiciário, enquanto nas alegações \ufb01 nais, o Estado reconheceu expressamente os fatos de 6 a 9 de maio 
de 1992, sem fazê-los depender de decisão alguma de tribunais internos, e salientou que o pronunciamento 
que esses tribunais emitam guarda relação unicamente com a determinação de responsabilidades penais 
individuais.
155. Embora do reconhecimento da responsabilidade do Estado se pudesse deduzir que este admite a violação dos 
direitos à vida e à integridade dos internos entre o período de 6 a 9 de maio de 1992, a Corte considera adequado 
estabelecer, nos capítulos respectivos, as consequências jurídicas dos fatos reconhecidos pelo Estado, bem 
como dos ocorridos após 9 de maio de 1992, conforme o alegado pelas partes6 e o acervo probatório do caso.
5. Cf. Caso Vargas Areco, nota 3 supra, par. 65; Caso Goiburú e outros. Sentença de 22 de setembro de 2006. Série C No 153, par. 52; e Caso 
Servellón García e outros, nota 3 supra, par. 77.
6. A Comissão alegou como violados os artigos 4, 5, 8.1, 25 e 1.1 da Convenção Americana, nos termos que se resumem na parte expositiva 
da presente Sentença. A interveniente comum dos representantes alegou como violados os artigos 4, 5, 7, 8, 11, 12, 13, 24, 25 e 1.1 da 
Convenção Americana, bem como os artigos 1, 6, 7, 8 e 9 da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, e os artigos 4 e 7 da 
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher.
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JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Quanto às supostas vítimas
156. Ao reconhecer sua responsabilidade pelos fatos de 6 a 9 de maio de 1992, o Estado não informou expressamente 
que reconhece como vítimas as pessoas citadas em conformidade com esse conceito pela Comissão e pela 
interveniente comum.
157. Entretanto, considerando que o Estado declarou que \u201cos fatos [\u2026] não se podem ocultar, não se pode ocultar 
a dor, [\u2026] não se podem ocultar os feridos, não se pode ocultar a dor dos familiares das vítimas\u201d, a Corte 
considera que o Estado reconheceu que, em consequência dos fatos de 6 a 9 de maio de 1992, pessoas 
morreram, pessoas \ufb01 caram feridas e pessoas sofreram, inclusive os familiares dos internos.
158. Como já foi dito, o Tribunal estabelecerá quem são as vítimas dos fatos violatórios reconhecidos pelo Estado, 
em conformidade com o alegado pelas partes e o acervo probatório do caso, levando em conta, ademais, que o 
Estado não formulou oposição alguma à prova sobre supostas vítimas apresentada perante a Corte. O Tribunal 
também determinará as vítimas dos fatos ocorridos após 9 de maio de 1992, que constituam uma violação da 
Convenção, em conformidade com o alegado pelas partes e o acervo probatório do caso.
Quanto às reparações
159. Ao reconhecer sua responsabilidade sobre os fatos de 6 a 9 de maio de 1992, o Estado se referiu de forma 
expressa ao tema reparações, e solicitou à Corte que \ufb01 xe as medidas de reparação (par. 144 supra), manifestando 
sua \ufb01 rme intenção de cumprir as medidas que sejam cabíveis. A Corte determinará as respectivas medidas de 
reparação, razão pela qual também levará em conta o declarado pelo Estado a respeito das reparações que 
\u201caceita\u201d, e as objeções que apresentou sobre algumas medidas de reparação solicitadas.
VI
Considerações prévias
160. Neste capítulo a Corte formulará algumas considerações a respeito dos fatos objeto do presente caso, e a 
determinação de supostas vítimas.
A) A respeito dos fatos objeto do presente caso
161. É preciso considerar duas questões neste ponto. Por um lado, a Comissão e a interveniente não coincidem 
na descrição de alguns fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992; por outro, no que se refere aos fatos 
ocorridos posteriormente a 9 de maio de 1992, a Comissão incluiu na demanda menos fatos que os expostos 
pela interveniente comum.
162. Antes de se pronunciar sobre esses assuntos, a Corte rea\ufb01 rma sua jurisprudência em matéria de estabelecimento 
de fatos, no sentido de que, a princípio, \u201cnão é admissível alegar fatos novos diferentes dos suscitados na 
demanda, sem prejuízo de expor aqueles que permitam explicar, esclarecer ou desconsiderar os que foram 
mencionados na demanda, ou seja, responder às pretensões do demandante\u201d, com a exceção que implicam os 
fatos supervenientes.7 O Tribunal também reitera que:
tem a faculdade de fazer sua própria determinação dos fatos do caso e de decidir aspectos de direito 
não alegados pelas partes com base no princípio iura novit curia, ou seja, embora a demanda constitua 
o marco fático do processo, não representa uma limitação das faculdades da Corte de determinar os 
fatos do caso, com base na prova produzida, em fatos supervenientes e em informação complementar 
e contextual que conste dos autos bem como nos fatos notórios ou de conhecimento público que o 
Tribunal julgue pertinente incluir no conjunto desses fatos.8
163. Por outro lado, a Corte tomou nota de que, no parágrafo 79 da demanda, a Comissão salientou que:
deseja ressaltar que o objeto da presente demanda transcende o que se refere à promulgação e 
aplicação da legislação antiterrorista no Peru, em virtude da qual algumas das vítimas se encontravam 
privadas da liberdade, uma vez que não é matéria dos fatos denunciados e provados. Cumpre ressaltar 
também que durante o procedimento perante a Comissão não se analisou a eventual responsabilidade 
7. Cf. Caso dos Massacres de Ituango. Sentença de 1º de julho de 2006. Série C No 148, par. 89; Caso da Comunidade Indígena Sawhoyamaxa. 
Sentença de 29 de março de 2006. Série C No 146, par. 68; e Caso do Massacre de Pueblo Bello. Sentença de 31 de janeiro de 2006. Série C 
No 140, par. 57. 
8. Cf. Caso dos Massacres de Ituango, nota 7 supra, par. 191; Caso do Massacre de Pueblo Bello, nota 7 supra, par. 55; e Caso do \u201cMassacre 
de Mapiripán\u201d. Sentença de 15 de setembro de 2005. Série C No 134, par. 59.
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
internacional do Estado pela lamentável morte de um policial que ocorreu no decorrer dos mesmos fatos 
que motivam o presente caso bem como pelas lesões causadas a outros. O Estado deve investigar esses 
fatos e punir os responsáveis, embora, perante a Comissão, não se tenha denunciado responsabilidade 
do Estado nesse sentido.
1) Fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio