Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
136 pág.

Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


DisciplinaDireito Internacional5.674 materiais45.428 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de 1992: diferenças na descrição e quali\ufb01 cação desses fatos pela 
Comissão e pela interveniente comum
164. Ficou claramente estabelecido que o Peru reconheceu os fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992, expostos 
na demanda da Comissão, e que também a\ufb01 rmou que \u201cdeclar[a] reconhecimento\u201d \u201cdas situações expressas no 
escrito de petições, argumentos e provas apresentado pela interveniente comum\u201d (par. 150 supra). Entretanto, a 
Comissão e a interveniente não coincidem na descrição e quali\ufb01 cação de alguns fatos ocorridos nesse período.
165. Em alguns casos, a diferença deve-se ao fato de que a interveniente esclarece mais amplamente o fato alegado 
pela Comissão. Nesse ponto não existe problema, já que, segundo a jurisprudência deste Tribunal, a interveniente 
pode explicar ou esclarecer os fatos expostos na demanda (par. 162 supra). O Peru também reconheceu esses 
fatos (par. 150 supra).
166. Entretanto, há outros fatos em que surge contradição entre a proposição da Comissão e a posição da 
interveniente, e seria incongruente adotar ambas as versões do fato. Trata-se, basicamente, dos fatos relativos 
à existência de um motim ou de resistência dos internos antes da \u201cOperação Mudança 1\u201d, na madrugada de 6 
de maio de 1992, bem como à posse e ao emprego de armas por parte dos internos. A quali\ufb01 cação diferente 
que as partes fazem desses fatos deve-se, principalmente, à análise e avaliação feita da prova. O Tribunal 
determinará os fatos com base na prova anexada a este processo, aplicando os princípios da crítica sã.
2) Fatos ocorridos posteriormente a 9 de maio de 1992: fatos não incluídos no escrito de demanda, que são 
objeto deste caso
167. No escrito de demanda, a Comissão expôs diversos fatos supostamente ocorridos posteriormente a 9 de maio 
de 1992, data em que se encerrou a denominada \u201cOperação Mudança 1\u201d. Entretanto, a Corte constatou que, 
no escrito de petições e argumentos, a interveniente comum expôs outros fatos não incluídos na demanda da 
Comissão, com respeito ao que se alega ter ocorrido depois dessa data. Do mesmo modo, nas alegações \ufb01 nais, 
a Comissão incluiu como fatos deste caso algumas situações fáticas expostas pela interveniente comum.
168. Considerando que no presente caso a falta de inclusão desses fatos foi observada pela interveniente comum, 
e que dos anexos da demanda se depreendem fatos nela não incluídos expressamente, o Tribunal passará a 
resolver esse assunto fático.
169. Ante esta situação, e em cumprimento à responsabilidade que a ele compete de proteger os direitos humanos, 
o Tribunal fará uso da faculdade de fazer sua própria determinação dos fatos do caso9 supostamente ocorridos 
posteriormente a 9 de maio de 1992 (par. 162 supra), e \ufb01 xará, no capítulo Fatos Provados, os que são objeto 
deste caso. Para isso, a Corte levará em conta os fatos descritos pela Comissão na demanda e os que se inferem 
da prova apresentada como anexo. Além disso, o Tribunal se certi\ufb01 cou de que esses fatos também foram objeto 
da tramitação do presente caso perante a Comissão e guardam relação com os fatos do caso anteriores a 9 de 
maio de 1992. Cumpre salientar que, perante a Corte, o Peru não fez objeção à prova sobre os fatos posteriores 
a 9 de maio de 1992 nem apresentou argumentos que contradissessem esses fatos, apesar de ter contado com 
múltiplas oportunidades processuais para fazê-lo.
B) A respeito da determinação de supostas vítimas
170. No presente caso, de acordo com o disposto no artigo 33.1 do Regulamento, a Comissão fez constar no texto 
da demanda o nome das supostas vítimas, informando quais foram os internos mortos (\u201ccujo óbito [pôde] 
estabelecer de maneira \ufb01 dedigna por meio do acervo probatório\u201d), os internos feridos e os internos que saíram 
ilesos. Com respeito aos familiares das supostas vítimas, apesar de a Comissão ter solicitado à Corte que declare 
que foram vítimas de violações dos artigos 5,10 8 e 25 da Convenção, a Comissão somente informou o nome 
de alguns familiares dos internos mortos (Anexo A da demanda). Também, fez notar que a relação de supostas 
vítimas apresentada pelos peticionários no procedimento perante a Comissão não foi questionada pelo Estado.
9. Cf. Caso dos Massacres de Ituango, nota 7 supra, par. 192; Caso do Massacre de Pueblo Bello, nota 7 supra, par. 55; e Caso do \u201cMassacre 
de Mapiripán\u201d, nota 8 supra, par. 59. 
10. A violação do artigo 5 da Convenção a respeito dos familiares foi mencionada no escrito de alegações \ufb01 nais. 
118
JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
171. No escrito de petições e argumentos, a interveniente salientou que haveria 11 pessoas citadas na demanda 
como internos \u201cilesos\u201d, mas que, de acordo com a prova por ela recolhida, essas pessoas foram feridas nos 
fatos deste caso. Posteriormente, ao responder a um pedido de esclarecimentos para melhor resolver (par. 
104 supra), a interveniente alegou que haveria outras duas pessoas na mesma situação. A esse respeito, 
a interveniente esclareceu que, depois de 2001, as supostas vítimas prestaram informações de que não 
se dispunha até então, e que outras prestaram informações mais detalhadas, e esclareceu, também, que 
algumas lesões no sistema auditivo, lesões por fragmentos e lesões leves por bala não foram originalmente 
consideradas como lesão por alguns internos, e por isso se acreditava que tivessem saído ilesos. Por sua 
vez, a Comissão, ao apresentar as observações que lhe foram solicitadas sobre esse ponto (par. 102 e 103 
supra) salientou, inter alia, que \u201cse a interveniente comum apresenta prova que leva o Tribunal à conclusão 
de que [essas] pessoas sofreram lesões durante os fatos, a Comissão julga pertinente sua inclusão como 
vítimas\u201d.
172. A Corte levará em conta a prova anexada aos autos para determinar se as supostas vítimas sobreviventes, 
cujos nomes constam da demanda, saíram ilesas ou foram feridas, inclusive essas 13 supostas vítimas 
às quais se refere a interveniente como supostamente feridas (par. 171 supra). O Tribunal observa que foi 
garantido ao Estado o direito de defesa, e não houve qualquer oposição ou observação a esse respeito.
173. O Tribunal também levará em consideração a prova solicitada pelo Presidente para melhor resolver quanto a 
supostas vítimas (par. 122 e 124 supra), segundo a qual haveria mais uma pessoa a ser incluída como suposta 
vítima sobrevivente,11 cujo nome não se encontrava na demanda, mas foi citado no escrito de outro grupo de 
representantes de supostas vítimas que a interveniente comum anexou a seu escrito de petições e argumentos 
(par. 53 supra). Esse grupo de representantes também solicitou a inclusão como suposta vítima de outra 
pessoa12 que não esteve no Presídio Miguel Castro Castro nos dias em que foi realizada a \u201cOperação Mudança 
1\u201d, mas que alega que posteriormente foi transferida para o Presídio de Santa Mónica de Chorrillos e submetida 
a condições de detenção supostamente violatórias de seus direitos. A Corte não pode incluir essa pessoa como 
suposta vítima, uma vez que vem considerando somente as supostas violações ocorridas posteriormente à 
\u201cOperação Mudança 1\u201d em relação aos internos que viveram os fatos da referida \u201cOperação\u201d.
174. Com relação às supostas vítimas, em seu escrito de petições e argumentos, a interveniente também salientou 
que havia 31 pessoas incluídas na lista de supostas vítimas da demanda da Comissão que ela não considera 
supostas vítimas \u201cou porque talvez não estivessem nos pavilhões 1A e 4B no momento dos fatos, ou porque 
\ufb01 zeram acordos próprios com o Estado peruano\u201d. A interveniente reiterou essa posição ao responder a um 
pedido de esclarecimentos para melhor resolver (par. 104 supra). Por sua vez, ao apresentar as observações 
que lhe foram solicitadas sobre esse ponto (par. 102 supra), a Comissão salientou que \u201c[d]urante a tramitação 
em seu âmbito, e com base na prova apresentada pelas partes, a Comissão \ufb01