Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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de sessões o pedido apresentado pela Comissão 
Interamericana\u201d.
13. Em 27 de janeiro de 1993, o Tribunal emitiu uma resolução a respeito do pedido de medidas provisórias 
por parte da Comissão (par. 11 supra), mediante a qual resolveu \u201c[n]ão editar, neste momento, as medidas 
provisórias [\u2026] solicitadas\u201d. A Corte também considerou necessário \u201c[s]olicitar [à Comissão] que, no 
exercício das atribuições que lhe conferem a Convenção, o Estatuto e o Regulamento, solicit[asse] as 
provas ou realiz[asse] as investigações necessárias para certi\ufb01 car-se da veracidade dos fatos\u201d citados no 
pedido de medidas.
14. Em 5 de junho de 1997, o senhor Curtis Doebbler, representando a senhora Mónica Feria Tinta, apresentou 
uma denúncia perante a Comissão, identi\ufb01 cada com o número 11.769. Essa denúncia se referia, inter alia, 
aos acontecimentos no Presídio Miguel Castro Castro a partir de 6 de maio de 1992, bem como à \u201ctortura\u201d e 
tratamentos cruéis, desumanos e degradantes a que supostamente teriam sido submetidas as supostas vítimas 
deste caso durante e após o \u201cataque\u201d ao referido presídio.
15. Em 29 de junho de 2000, o caso 11.769 (par. 14 supra) foi desmembrado em dois expedientes: 11.769-A e 
11.769-B, em aplicação do disposto no artigo 40.1 do Regulamento da Comissão vigente na época. O expediente 
11.769-B se referia \u201caos fatos denunciados [\u2026] que concernem aos acontecimentos registrados no Presídio 
Castro Castro, de Lima, em maio de 199[2]\u201d, e o 11.769-A, à \u201cdetenção, julgamento e demais fatos [\u2026] 
concernentes direta e pessoalmente à [senhora] Mónica Feria Tinta\u201d.
16. Em 29 de junho de 2000, o caso 11.769-B (par. 15 supra) foi anexado ao caso identi\ufb01 cado como 11.015 (par. 6 
supra), para tramitação conjunta.
17. Em 5 de março de 2001, a Comissão aprovou o Relatório Nº 43/01, mediante o qual declarou admissível o caso. 
Em 21 de março de 2001, a Comissão colocou-se à disposição das partes com o objetivo de chegar a uma 
solução amistosa.
18. Em 16 de março de 2001, o Estado apresentou um relatório, mediante o qual citou o nome das supostas vítimas 
\u201cmortas nos acontecimentos [\u2026] de 6 a 10 de maio de 1992\u201d.
19. Em 2 de abril de 2001, a senhora Mónica Feria Tinta apresentou observações sobre o relatório de admissibilidade 
do caso (par. 17 supra). Nessas observações declarou, inter alia, que acreditava que era importante ressaltar que 
\u201cfoi um ataque originalmente dirigido às prisioneiras [, \u2026] entre as quais havia mulheres grávidas\u201d, e que \u201cna 
denúncia apresentada [\u2026] se especi\ufb01 c[ou] que à frente dos responsáveis diretos pelos fatos \ufb01 gura [\u2026] Alberto 
Fujimori Fujimori[,] que ordenou o ataque e as execuções extrajudiciais de prisioneiros de 6 [a] 9 de maio[,] bem 
como o tratamento dispensado aos sobreviventes posteriormente ao massacre\u201d.
20. Em 18 de abril de 2001, a senhora Mónica Feria Tinta informou à Comissão de que não tinha interesse em que 
se levasse a cabo o processo de solução amistosa (par. 17 supra). Em 23 de abril de 2001, o Estado apresentou 
um relatório, mediante o qual comunicou que \u201cnão deseja[va] submeter-se [\u2026] ao procedimento de solução 
amistosa\u201d (par. 17 supra).
21. Em 24 de abril de 2001, a Comissão solicitou às peticionárias e ao Estado que apresentassem \u201cseus argumentos 
e provas a respeito do mérito do caso\u201d devido à \u201ccontrovérsia entre as partes a respeito dos fatos denunciados\u201d. 
Também solicitou ao Estado que apresentasse: \u201c[o] nome das pessoas e o esclarecimento das circunstâncias 
especí\ufb01 cas em que morre[ram\u2026] em maio de 1992 no Presídio Castro Castro, inclusive as perícias forenses 
[\u2026 e] os respectivos atestados de óbito\u201d; \u201c[o] nome [e] tipo de lesão, [\u2026] as circunstâncias [\u2026] em que 
essas lesões foram causadas, [\u2026] e as perícias forenses realizadas [a esse respeito]; e \u201c[i]nformação sobre as 
investigações administrativas e judiciais conduzidas a respeito dos fatos ocorridos em maio de 1992 no Presídio 
Castro Castro\u201d. Essa informação também foi solicitada às peticionárias, sem necessidade de que apresentassem 
os documentos o\ufb01 ciais.
22. Em 1º de novembro de 2001, o Estado apresentou suas alegações e provas a respeito do mérito do assunto 
(par. 21 supra), após duas prorrogações que lhe foram concedidas. Também declarou que concluiria sua 
argumentação a respeito do mérito do assunto durante a audiência convocada para 14 de novembro de 2001 
(par. 23 infra).
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JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
23. Em 14 de novembro de 2001, realizou-se uma audiência sobre o mérito do caso perante a Comissão.
24. Em 20 de outubro de 2003, a senhora Mónica Feria Tinta apresentou suas alegações a respeito do caso (par. 
21 supra), depois de diversas prorrogações que lhe foram concedidas.
25. Em 23 de outubro de 2003, a Comissão, em conformidade com o artigo 50 da Convenção, aprovou o Relatório 
Nº 94/03, no qual concluiu que o Estado \u201cé responsável pela violação dos direitos à vida, à integridade pessoal, 
às garantias judiciais e à proteção judicial, consagrados nos artigos 4, 5, 8 e 25 da Convenção Americana, 
em relação à obrigação geral de respeito e garantia dos direitos humanos estabelecida no artigo 1.1 do 
mesmo instrumento, em detrimento das vítimas individualizadas no parágrafo 43 de[sse] relatório\u201d. Além 
disso, a Comissão salientou que \u201co objetivo des[se] relatório transc[endia] o que dizia respeito à promulgação 
e aplicação da legislação antiterrorista do Peru, em virtude da qual algumas das vítimas se encontravam 
privadas da liberdade, uma vez que não e[ram] matéria dos fatos denunciados e provados\u201d. A Comissão 
também recomendou ao Estado: \u201c[l]evar adiante uma investigação completa, efetiva e imparcial na jurisdição 
interna, com o propósito de estabelecer a verdade histórica dos fatos; processar e punir os responsáveis 
pelo massacre cometido contra os internos do Presídio \u2018Miguel Castro Castro\u2019 da cidade de Lima, entre 6 e 
9 de maio de 1992\u201d; \u201c[a]dotar as medidas necessárias para identi\ufb01 car os cadáveres ainda não reconhecidos 
e entregar os restos mortais aos familiares\u201d; \u201c[a]dotar as medidas necessárias para que os prejudicados 
recebam uma reparação adequada pelas violações de direitos humanos sofridas em virtude das ações do 
Estado\u201d; e \u201c[a]dotar as medidas necessárias para evitar que atos semelhantes voltem a ser praticados, em 
cumprimento dos deveres de prevenção e garantia dos direitos fundamentais reconhecidos pela Convenção 
Americana\u201d.
26. Em 9 de janeiro de 2004, a Comissão noti\ufb01 cou o Estado do referido relatório e concedeu-lhe um prazo de dois 
meses, contado a partir da data do envio, para que informasse sobre as medidas adotadas com a \ufb01 nalidade de 
cumprir as recomendações formuladas.
27. Em 9 de janeiro de 2004, a Comissão comunicou às peticionárias a aprovação do relatório (par. 25 supra), 
em conformidade com o artigo 50 da Convenção, e solicitou que apresentassem, no prazo de um mês, sua 
posição sobre a apresentação do caso à Corte. Solicitou também que apresentassem os dados das vítimas; as 
procurações que as credenciassem como representantes; a prova documental, testemunhal e pericial adicional 
à apresentada durante a tramitação do caso perante a Comissão; e suas pretensões em matéria de reparações 
e custas.
28. Em 4 de março, 7 de abril e 9 de julho de 2004, o Estado solicitou prorrogações para informar a Comissão 
sobre o cumprimento das recomendações constantes do Relatório Nº 94/03 (par. 25 e 26 supra). A Comissão 
concedeu as prorrogações solicitadas, a última delas até 9 de agosto de 2004.
29. Em 6 de fevereiro e 7 de março de 2004, as peticionárias apresentaram duas comunicações à Comissão, nas 
quais declararam seu interesse em que a Comissão enviasse o caso à Corte (par. 27 supra).
30. Em 7 de março de 2004, a senhora Mónica Feria Tinta apresentou um escrito e os respectivos anexos, 
mediante os quais enviou a informação solicitada pela Comissão na comunicação de 9 de janeiro