Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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escritas (par. 103, 105, 106, 120 e 121 supra) e os enviados pelo outro grupo de representantes de supostas 
vítimas por meio da interveniente e da Comissão (pars. 53 e 103 supra), levando em conta as observações 
formuladas pela interveniente (par. 110 supra) e pela Comissão (par. 113 supra).
192. Do mesmo modo, em aplicação do disposto no artigo 44.3 do Regulamento, a Corte incorpora ao acervo 
probatório os documentos apresentados pelo Estado (par. 108 e 112 supra), levando em conta as observações 
apresentadas pela interveniente e pela Comissão (pars. 110, 113, 115 e 116 supra), bem como parte da 
documentação apresentada pela interveniente comum (pars. 111 e 127 supra), e os avalia no conjunto do 
acervo probatório, aplicando os princípios da crítica sã.
193. Também em aplicação do disposto no artigo 45.1 do Regulamento, a Corte incorpora ao acervo probatório do 
presente caso o Decreto Supremo No 065-2001-PCM, de 4 de julho de 2001, o Decreto-Lei Nº 25.418, de 6 de 
abril de 1992, e a Resolução Suprema No 438-2001-PCM, de 6 de setembro de 2001, já que são úteis para o 
presente caso.
194. A Corte deixa registrado que as declarações testemunhais prestadas perante notário público (af\ufb01 davit) dos 
senhores Gustavo Adolfo Chávez Hun, Mercedes Villaverde e Rosario Falconí Alvarado, as quais foram propostas 
pela interveniente e solicitadas mediante resolução de 24 de maio de 2006 (par. 65 supra), não foram enviadas 
à Corte, sem que fosse apresentada nenhuma justi\ufb01 cativa a esse respeito.
195. O Tribunal não avaliará a documentação apresentada pela Comissão em 20 de outubro de 2006 (par. 117 supra), 
nem parte da documentação apresentada pela interveniente comum em 4 de outubro, 14 e 20 de novembro 
de 2006 (pars. 111 e 127 supra), já que seu envio extemporâneo não obedece a nenhum dos pressupostos 
contemplados no artigo 44 do Regulamento.
Avaliação da prova testemunhal e pericial
196. O Tribunal admite as declarações testemunhais de Gaby Balcázar Medina, Julia Peña Castillo, Luis Angel Pérez 
Zapata, Lastenia Eugenia Caballero Mejía e Omar Antonio Pimentel Calle, e a elas atribui valor probatório, bem 
como os laudos periciais dos senhores Nizam Peerwani e Thomas Wenzel, os quais não foram objetados nem 
questionados. Este Tribunal considera que as declarações testemunhais de Gaby Balcázar Medina, Julia Peña 
Castillo, Luis Angel Pérez Zapata e Lastenia Eugenia Caballero Mejía, que são úteis neste caso, não podem ser 
avaliados isoladamente, por tratar-se de supostas vítimas e por ter interesse direto neste caso, mas devem sê-lo 
no conjunto de provas do processo.20
19. Cf. Caso Servellón García e outros, nota 3 supra, par. 46; Caso Claude Reyes e outros. Sentença de 19 de setembro de 2006. Série C No 
151, par. 51; e Caso Ximenes Lopes, nota 3 supra, par. 52.
20. Cf. Caso Almonacid Arellano e outros, nota 15 supra, par. 78; Caso Goiburú e outros, nota 5 supra, par. 59; e Caso Claude Reyes e outros, 
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
VIII
Fatos provados
197. Em conformidade com o reconhecimento parcial de responsabilidade internacional formulado pelo Estado 
(pars. 129 a 159 supra), segundo o exposto nos parágrafos 164 a 169 da presente Sentença, e de acordo com 
o acervo probatório deste caso, a Corte considera provados os seguintes fatos.
Antecedentes e contexto jurídico
197.1. No período que se estende do início da década de 80 até o \ufb01 nal do ano 2000, o Peru viveu um con\ufb02 ito entre 
grupos armados e agentes das forças policial e militar, que se intensi\ufb01 cou em meio a uma prática sistemática 
de violações dos direitos humanos, entre elas execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados de 
pessoas suspeitas de pertencer a grupos armados à margem da lei, como o Sendero Luminoso (doravante 
denominado SL) e o Movimento Revolucionário Tupac Amarú (doravante denominado MRTA), práticas 
executadas por agentes estatais seguindo ordens de chefes militares e policiais.21
197.2. Em 28 de julho de 1990, o senhor Alberto Fujimori Fujimori assumiu a Presidência do Peru, em conformidade 
com a Constituição Política do Peru, de 1979, pelo prazo de cinco anos. O artigo 205 dessa Constituição 
não permitia a reeleição presidencial imediata. Em 6 de abril de 1992, o Presidente Alberto Fujimori 
Fujimori promulgou o Decreto-Lei N° 25.418, com o qual instituiu transitoriamente o chamado \u201cGoverno 
de Emergência e Reconstrução Nacional\u201d. Esse governo dissolveu o Congresso e o Tribunal de Garantias 
Constitucionais, interveio no Poder Judiciário e no Ministério Público,22 e destituiu vários juízes da Corte 
Suprema de Justiça.23
A Comissão da Verdade e Reconciliação
197.3. Com relação aos acontecimentos registrados nas duas décadas de violência, o Estado, mediante o Decreto 
Supremo N° 065-2001-PCM, de 4 de julho de 2001, modi\ufb01 cado pelo Decreto Supremo N° 101-2001-PCM, ambos 
emitidos pelo Presidente da República, criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação (doravante denominada 
CVR), com a \ufb01 nalidade de esclarecer o processo, os fatos e responsabilidades da violência terrorista e da violação 
dos direitos humanos veri\ufb01 cadas de maio de 1980 a novembro de 2000, imputáveis tanto às organizações 
terroristas como aos agentes do Estado, bem como propor iniciativas destinadas a estabelecer a paz e a concórdia 
entre os peruanos.24 Essa Comissão emitiu seu Relatório Final em 27 de agosto de 2003.25
197.4. A Comissão da Verdade e Reconciliação foi constituída por 12 pessoas de nacionalidade peruana, \u201cde 
reconhecida trajetória ética, prestígio e legitimidade na sociedade e identi\ufb01 cadas com a defesa da democracia 
e da institucionalidade constitucional\u201d, um observador e um secretário adjunto, designados pelo Presidente 
da República, com o voto favorável do Conselho de Ministros, mediante a Resolução Suprema 438-2001-
PCM de 6 de setembro de 2001, referendada pelo Presidente do Conselho de Ministros.26
197.5. A CVR recebeu milhares de denúncias sobre atos de tortura e tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou 
degradantes ocorridos no período compreendido entre 1980 e 2000. Em seu relatório \ufb01 nal, a\ufb01 rma que, de 
6.443 atos de tortura e tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes registrados pelo órgão, 
74,9% corresponderam a ações atribuídas a funcionários do Estado ou pessoas que atuaram mediante sua 
nota 19 supra, par. 56. 
21. Cf. Caso Baldeón García. Sentença de 6 de abril de 2006, Série C No. 146, par. 72.2; Caso Irmãos Gómez Paquiyauri. Sentença de 8 de 
julho de 2004, Série C No 110, par. 67(a); Caso Cantoral Benavides. Sentença de 18 de agosto de 2000. Série C No 69, par. 63; Caso Castillo 
Páez. Sentença de 3 de novembro de 1997. Série C No 34, par. 42; e Caso Loayza Tamaio. Sentença de 17 de setembro de 1997. Série C No 
33, par. 46. Cf. também Relatório Final da Comissão da Verdade e Reconciliação, CVR, assinado em 27 de agosto de 2003 na cidade de Lima, 
Peru. Padrões na prática dos crimes e violações dos direitos humanos, p. 93, 115, 139 e 167 (expediente de anexos da demanda, anexo 6, 
correspondente a um disco compacto); Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Relatório sobre a situação dos direitos humanos no 
Peru, de 1993, Documento OEA/Ser.L/V/II.83.Doc.31, 12 de março de 1993; Relatório sobre a situação da tortura no Peru e outros tratamentos 
ou penas cruéis, desumanos ou degradantes da Coordenadora Nacional de Direitos Humanos do Peru, de janeiro de 1993 a setembro de 1994; 
e Relatório Anual de 1993 da Coordenadora Nacional de Direitos Humanos do Peru. 
22. Cf. Caso Huilca Tecse. Sentença de 3 de março de 2005. Série C N° 121, par. 60.6 e 60.8; e Decreto-Lei N° 25.418, de 6 de abril de 1992 
(prova para melhor resolver incorporada pela Corte Interamericana, em conformidade com o artigo 45.1 de seu Regulamento). 
23. Cf. Caso do Tribunal Constitucional. Sentença de 31 de janeiro de 2001. Série C N° 71,