Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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da demanda, anexo 
281, folhas 3.409 a 3.465). 
76. Cf. sentença proferida pela Câmara Nacional de Terrorismo da Corte Suprema de Justiça do Peru em 3 de fevereiro de 2004 (expediente 
de anexos da demanda, anexo 274, folhas 3.229 e 3.230); boletim policial No. 121-04 emitido pela Polícia Nacional do Peru, Direção de 
Investigação Criminal, em 26 de maio de 2004 (expediente de anexos do escrito de contestação da demanda, folha 5095); e laudo de necropsia 
de José Hidrogo Olano (expediente de anexos da demanda, anexo 278, folha 3.292). 
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JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Acontecimentos posteriores a 9 de maio de 1992
197.41. Em 10 de maio de 1992, redigiu-se uma ata do material apreendido no presídio pelo pessoal especializado 
da Polícia Nacional, na qual constam dez armas (duas submetralhadoras, quatro revólveres, uma escopeta e 
três pistolas), 11 granadas e 24 artefatos explosivos caseiros, conhecidos como \u201cqueijo russo\u201d. Essa ata foi 
assinada pela Promotora Mirtha Campos.77
197.42. Uma vez fora dos pavilhões, os internos sobreviventes foram, em sua maioria, obrigados a permanecer nas 
áreas do presídio denominadas \u201cterra de ninguém\u201d e \u201cadmissão\u201d, deitados de bruços na terra, em decúbito 
ventral, sem agasalho, ao ar livre, com autorização para levantar apenas para urinar, e foram objeto de 
constantes socos e agressões. Os que estiveram nessas condições durante vários dias receberam como 
único alimento pão e água, de maneira irregular pela manhã, e, uma sopa aguada, e foram vigiados por 
agentes de segurança armados e com cães, e se alguém se mexia ou se queixava, os agentes subiam 
no corpo do sobrevivente e o xingavam. Nesse grupo de pessoas, se encontravam feridos78 e mulheres 
grávidas, que também foram forçadas a deitar de bruços, como os demais detentos. Muitos permaneceram 
nessas condições até 22 de maio de 1992 (par. 197.46 infra).79
197.43. Em 10 de maio de 1992, o Presidente Alberto Fujimori Fujimori esteve no presídio e caminhou entre os 
prisioneiros deitados de bruços no chão dos pátios.80
197.44. Algumas internas mulheres foram transferidas para o presídio \u201cSanta Mónica de Chorrillos\u201d, e outras para 
o presídio \u201cCristo Rey de Cachiche\u201d. Os internos homens foram mantidos no pátio do presídio até 22 de 
maio de 1992, data em que alguns foram realojados no próprio Presídio Miguel Castro Castro, e outros 
foram transferidos para outros presídios como \u201cLurigancho\u201d e \u201cYanamaio\u201d. Alguns dos internos feridos, 
tanto homens como mulheres, foram levados ao Hospital de la Sanidad, da Polícia, para em seguida serem 
realojados nos presídios mencionados.81
197.45. O senhor Víctor Olivos Peña foi transferido com vida para o necrotério de um hospital, onde foi encontrado 
e resgatado pela mãe e um médico do estabelecimento.82
197.46. Em 22 de maio de 1992, agentes do Estado transferiram os prisioneiros que se encontravam na \u201cterra de 
ninguém\u201d e na \u201cadmissão\u201d para o pátio do pavilhão 1A. Durante essa transferência, os agentes se colocaram 
em \ufb01 las paralelas, formando um corredor, pelo qual deviam passar os internos, que haviam sido obrigados a 
despir-se, e foram agredidos com objetos contundentes, na cabeça, nos rins e em outras partes do corpo.83
197.47. Muitos dos feridos foram mantidos sem atendimento médico por vários dias, e os que foram transferidos 
77. Cf. ata de apreensão de armas de 10 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 12, folha 136). 
78. Cf. comunicações enviadas à Comissão por alguns prisioneiros em 20 e 27 de maio de 1992 (expediente de tramitação perante a Comissão 
Interamericana, tomo II, folhas 4.705 e 4.709); diversas declarações testemunhais de internos sobreviventes (expediente de anexos da 
demanda, anexos entre 82 e 246, folhas entre 1.229 e 2.734); declarações testemunhais escritas de Raúl Basilio Gil Orihuela, Jesús Ángel 
Julcarima Antonio e Eva Sofía Challco Hurtado (expediente sobre mérito e eventuais reparações e custas, tomos VII e VIII, folhas 2.106, 2.268 
e 2.206); artigo jornalístico intitulado \u201cDinamitan escombros en busca de más cadáveres\u201d publicado no jornal \u201cEl Nacional\u201d em 13 de maio 
de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 28, folha 385); artigo intitulado \u201cCanto Grande Por Dentro\u201d publicado na revista \u201cCaretas\u201d 
em 18 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda , anexo 26, folhas 370 a 377); artigo jornalístico intitulado \u201cCifra de fallecidos 
llega\u201d publicado no jornal diario \u201cExpreso\u201d em 12 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 27, folhas 380 a 382); e Boletim 
Informativo da Anistia Internacional, correspondente ao mês de agosto de 1992, vol. XV, No 8 (expediente de anexos da demanda, anexo 11, 
folha 105). 
79. Cf. declaração testemunhal escrita de Sabina Quispe Rojas (expediente de anexos da demanda, anexo 82, folha 1.229); declarações 
testemunhais escritas prestadas pela senhora Eva Challco (expediente de anexos da demanda, anexo 212, folha 2.419; e expediente sobre 
mérito e eventuais reparações e custas, tomo VIII, folha 2.268); e declaração testemunhal prestada por Gaby Balcázar Medina na audiência 
pública perante a Corte Interamericana, realizada em 26 e 27 de junho de 2006. 
80. Cf. Artigo jornalístico intitulado \u201cPor sucesos en penales Fujimori demanda comprensión internacional\u201d publicado no jornal \u201cEl Nacional\u201d 
em 11 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, anexo 59, folhas 1.105 e 1.107); artigo jornalístico intitulado \u201cDudas sobre el 
número total de muertos en el asalto al penal limeño de Canto Grande\u201d publicado no jornal \u201cEl País\u201d em 12 de maio de 1992 (expediente 
de anexos da demanda, anexo 66, folha 1.149); declarações testemunhais escritas de Rafael Fernandez Vázquez, Manuel Cotrina Mendoza, 
Pascual Utia Lozano, Vladimir Enver Esquivel Carhuaz e Alberto Atunca Acevedo (expediente de anexos da demanda, anexos 131, 180, 130, 
139 e 129, folhas 2.154, 1.745, 1.728, 1.819 e 1.720); e livro \u201cOlho por Olho\u201d de Humberto Jara (expediente de anexos da demanda, anexo 
10, folhas 100 e 101).
81. Cf. Diversas declarações testemunhais de internos sobreviventes (expediente de anexos da demanda, anexos entre 82 e 246, folhas entre 
1.230 a 2.734); declaração testemunhal prestada por Gaby Balcázar Medina na audiência pública perante a Corte Interamericana, realizada 
em 26 e 27 de junho de 2006; e artigo jornalístico publicado no jornal \u201cExpreso\u201d em 12 de maio de 1992 (expediente de anexos da demanda, 
anexo 27, folhas 380 e 381). 
82. Cf. declaração testemunhal escrita de Víctor Javier Olivos Peña (expediente de anexos da demanda, anexo 123, folha 1.652); e declaração 
testemunhal prestada por Julia Peña Castillo na audiência pública perante a Corte Interamericana, realizada em 26 e 27 de junho de 2006.
83. Cf. Diversas declarações testemunhais de internos sobreviventes (expediente de anexos da demanda, anexos entre 116 e 209 e entre 218 
e 237, folhas entre 1.547 e 2.401 e entre 2.467 e 2.606); e laudo pericial escrito apresentado por José Quiroga (expediente sobre mérito e 
eventuais reparações e custas, tomo VII, folha 2.149). 
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
para o hospital não receberam os remédios nem o atendimento médico de que necessitavam. Essas 
omissões trouxeram complicações à saúde de alguns internos, e provocou a morte de outros.84
197.48. As transferências tanto para o hospital como para os centros penais foram realizadas em caminhões, 
nos quais os internos, inclusive os feridos, iam amontoados um em cima do outro. Durante essas 
transferências, receberam socos e xingamentos.85
197.49. Algumas internas e internos feridos foram transferidos para o Hospital de la Sanidad, da Polícia. Ali 
foram despidos e obrigados a permanecer sem roupa durante quase todo o tempo em que estiveram 
no hospital, que em alguns casos se prolongou por vários dias, e, em outros, por semanas. Em