Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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Peña Olivos\u201d;
y) \u201cos exames ou inspeções vaginais das presas no contexto de revistas [\u2026] realizadas por policiais 
homens encapuzados, usando a força, e sem outro propósito que a intimidação e abuso, constituíram 
\ufb02 agrantes violações de seus direitos, constituindo violência contra a mulher\u201d. Também os exames 
vaginais praticadas na visita feminina dos sobreviventes \u201ccom total ausência de regulamentação, 
praticada por pessoal policial, e não de saúde, como uma primeira medida, e não como último 
recurso, com o objetivo de manter a segurança na prisão, constituiu violência contra a mulher\u201d; e
z) outras formas de violência sexual incluíram ameaças de atos sexuais, \u201cmanuseios\u201d, insultos com 
conotações sexuais, nudez forçada, pancadas nos seios, entre as pernas e glúteos, pancadas no ventre 
de mulheres grávidas e outros atos humilhantes e daninhos que foram uma forma de agressão sexual.
Alegações do Estado
261. O Estado alegou em resumo o seguinte:
a) em seu escrito de contestação da demanda e observações sobre o escrito de petições e argumentos 
salientou que \u201caceita o descumprimento da obrigação geral de respeito e garantia dos direitos 
humanos estabelecida no artigo 1.1 da Convenção Americana[, \u2026] aceita a responsabilidade 
parcial pelas violações do direito [\u2026] à integridade física, enquanto o Poder Judicial do Peru não se 
pronuncie sobre a verdade histórica e detalhada dos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992\u201d;
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
b) em suas alegações \ufb01 nais orais, destacou que \u201cos fatos [\u2026] não se podem ocultar, não se pode 
ocultar a dor, [\u2026] não se podem ocultar os feridos, não se pode ocultar a dor dos familiares das 
vítimas\u201d;
c) em suas alegações \ufb01 nais escritas, declarou que, \u201cembora no âmbito da jurisdição interna se 
determinem as responsabilidades individuais, nos termos [d]o processo atualmente em tramitação 
perante o Poder Judiciário [\u2026], não se pode deixar de reconhecer a dimensão dos fatos a que se 
refere o presente processo e a responsabilidade que sobre eles tem o Estado peruano\u201d; e
d) \u201creconhece sua responsabilidade nos fatos ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992\u201d.
Considerações da Corte
262. O artigo 1.1 da Convenção Americana dispõe que:
Os Estados-Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela 
reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, 
sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de 
qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra 
condição social.
263. O artigo 5 da Convenção Americana estabelece que:
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis, desumanos ou degradantes. 
Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser 
humano.
[\u2026]
6. As penas privativas da liberdade devem ter por \ufb01 nalidade essencial a reforma e a readaptação social 
dos condenados.
264. Os artigos 1, 6 e 8 da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura estabele cem que:
Os Estados Partes obrigam-se a prevenir e a punir a tortura, nos termos desta [\u2026] Convenção 
[Interamericana contra a Tortura].
[\u2026]
Em conformidade com o disposto no artigo 1, os Estados Partes tomarão medidas efetivas a \ufb01 m de 
prevenir e punir a tortura no âmbito de sua jurisdição.
[\u2026]
Os Estados Partes assegurarão a qualquer pessoa que denunciar haver sido submetida a tortura, no 
âmbito de sua jurisdição, o direito de que o caso seja examinado de maneira imparcial.
Quando houver denúncia ou razão fundada para supor que haja sido cometido ato de tortura no 
âmbito de sua jurisdição, os Estados Partes garantirão que suas autoridades procederão de ofício e 
imediatamente à realização de uma investigação sobre o caso e iniciarão, se for cabível, o respectivo 
processo penal.
265. Quanto à alegada violação da Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, esta Corte reitera sua 
jurisprudência sobre a possibilidade de que as supostas vítimas ou seus representantes invoquem direitos 
distintos dos compreendidos na demanda da Comissão,146 a qual é também aplicável em relação à alegação de 
outros instrumentos que atribuam competência à Corte para declarar violações a respeito dos mesmos fatos 
objeto da demanda.
266. Como o fez em outros casos,147 a Corte exercerá sua competência material para aplicar a Convenção 
Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura e determinar a responsabilidade do Estado conforme esse 
tratado, rati\ufb01 cado pelo Peru em 28 de março de 1991, que se encontrava em vigor quando ocorreram os fatos. 
Os artigos 1, 6 e 8 desse tratado obrigam os Estados Partes a adotar todas as medidas efetivas para prevenir e 
punir todos os atos de tortura no âmbito de sua jurisdição.
146. Cf. Caso Claude Reyes e outros, nota 19 supra, par. 111; Caso Acevedo Jaramillo e outros. Sentença de 7 de fevereiro de 2006. Série C 
Nº 144, par. 280; e Caso López Álvarez. Sentença de 1º de fevereiro de 2006. Série C Nº 141, par. 82. 
147. Cf. Caso Vargas Areco, nota 3 supra, par. 94; Caso Blanco Romero e outros. Sentença de 28 de novembro de 2005. Série C Nº 138, par. 
61; e Caso Gutiérrez Soler. Sentença de 12 de setembro de 2005. Série C Nº 132, par. 54.
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JURISPRUDÊNCIA DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
267. Tal como a Corte a\ufb01 rmou (par. 148 supra), o reconhecimento de responsabilidade do Estado quanto aos fatos 
ocorridos entre 6 e 9 de maio de 1992 no Presídio Miguel Castro Castro constitui uma contribuição positiva. 
Quanto a esses fatos, o Peru salientou, inter alia, que \u201cnão se podem ocultar, não se pode ocultar a dor, [\u2026] 
não se podem ocultar os feridos, não se pode ocultar a dor dos familiares das vítimas\u201d (par. 135 supra).
268. No entanto, devido às graves circunstâncias em que aconteceram os fatos, e devido ao Peru não ter reconhecido 
os fatos posteriores a 9 de maio de 1992 (par. 152 supra), o Tribunal considera pertinente analisar a violação do 
artigo 5 da Convenção.
269. Conforme a Corte salientou (par. 227 supra), na análise do presente capítulo serão levados em conta os 
elementos que determinam a gravidade dos fatos deste caso.
270. Também é relevante ressaltar que, num de seus relatórios, a Defensoria Pública do Peru concluiu que o 
envolvimento das mulheres no con\ufb02 ito armado mudou a percepção da mulher e impôs \u201cum tratamento mais 
cruel e violento sobre as mulheres consideradas \u2018suspeitas\u2019\u201d.148 Nesse caso, já \ufb01 cou provado que o ataque se 
iniciou especi\ufb01 camente no pavilhão do presídio ocupado pelas internas acusadas ou condenadas por crimes de 
terrorismo e de traição à pátria (par. 197.13 e 197.20 supra).
271. Este Tribunal salientou que a tortura e as penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes estão 
estritamente proibidos pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos. A proibição absoluta da tortura, tanto 
física como psicológica, pertence hoje ao domínio do jus cogens internacional. Essa proibição subsiste mesmo 
nas circunstâncias mais difíceis, tais como guerra, ameaça de guerra, combate ao terrorismo e quaisquer outros 
crimes, Estado de Sítio ou de emergência, comoção ou con\ufb02 ito interno, suspensão de garantias constitucionais, 
instabilidade política interna ou outras emergências ou calamidades públicas.149
272. O Tribunal também reconheceu que as ameaças e o perigo real de submeter uma pessoa a lesões físicas 
provocam, em determinadas circunstâncias, uma angústia moral de tal ordem, que pode ser considerada 
tortura psicológica.150
273. A Corte estabeleceu que o Estado é responsável, na condição de garante dos direitos consagrados na 
Convenção, pela