Direito a Liberdade Pessoal  - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru
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Direito a Liberdade Pessoal - Presídio Miguel Castro Castro Vs. Peru


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comum apresentou um escrito mediante o qual se referiu ao 
escrito apresentado pelo grupo de representantes composto por Sabina Astete, Douglass Cassel, Peter Erlinder 
e Bertha Flores em 9 de novembro de 2006, em relação aos documentos que lhes foram solicitados seguindo 
instruções do Presidente do Tribunal (par. 124 supra).
127. Em 14 e 20 de novembro de 2006, a interveniente comum anexou a documentação relativa aos \u201crecibos [\u2026 de] 
despesas\u201d.
128. Em 20 e 22 de novembro de 2006, a Comissão enviou dois escritos e um anexo, mediante os quais apresentou 
sua resposta à solicitação de prova para melhor resolver encaminhada pelo Presidente da Corte mediante nota 
de 15 de novembro de 2006 (par. 125 supra).
V
Reconhecimento parcial de responsabilidade internacional
129. A seguir, a Corte passará a determinar o alcance do reconhecimento parcial de responsabilidade internacional 
declarado pelo Estado (par. 56 supra) e a extensão da controvérsia subsistente.
130. O artigo 53.2 do Regulamento dispõe que:
[s]e o demandado comunicar à Corte seu acatamento às pretensões da parte demandante e às dos 
representantes das supostas vítimas, seus familiares ou representantes, a Corte, ouvido o parecer das 
partes no caso, resolverá sobre a procedência do acatamento e seus efeitos jurídicos. Neste caso, a 
Corte determinará, se for o caso, as reparações e custas correspondentes.
131. A Corte Interamericana, no exercício de sua função contenciosa, aplica e interpreta a Convenção Americana. 
Quando um caso é submetido à sua jurisdição, a Corte possui a faculdade de declarar a responsabilidade 
internacional de um Estado Parte na Convenção por violação às disposições desta.3
132. A Corte, no exercício de seus poderes de tutela judicial internacional dos direitos humanos, poderá determinar 
se o reconhecimento de responsabilidade internacional declarado por um Estado demandado oferece base 
su\ufb01 ciente, nos termos da Convenção Americana, para concluir o processo, ou se é preciso levar adiante o 
conhecimento do mérito e determinar eventuais reparações e custas. Para esses efeitos, o Tribunal analisará a 
situação apresentada em cada caso concreto.4
133. No presente caso, o Estado reconheceu parcialmente os fatos em diversos atos perante a Corte. Na audiência 
pública perante o Tribunal (par. 93 supra), o Estado declarou um reconhecimento mais amplo e concreto em 
relação aos fatos do que o disposto em seu escrito de contestação da demanda e observações sobre o escrito 
de petições e argumentos (par. 56 supra). Em suas alegações \ufb01 nais escritas (par. 105 supra), o Peru reiterou 
esse reconhecimento nos termos constantes da referida audiência.
134. Em suas considerações fáticas e jurídicas, esta Corte se baseará nesse reconhecimento mais amplo realizado 
pelo Estado, ao qual fará referência nos parágrafos seguintes. Tendo em vista que nessa audiência pública e 
em suas alegações \ufb01 nais o Estado não se referiu de forma expressa à questão das vítimas nem aos direitos 
violados, o Tribunal fará referência, no que concerne a esses temas, ao mencionado anteriormente pelo Estado 
em seu escrito de contestação de demanda e observações sobre o escrito de petições e argumentos.
A) Alcance do reconhecimento parcial de responsabilidade internacional declarado pelo Estado
1) A respeito dos fatos
135. Na audiência pública realizada em El Salvador, em 26 e 27 de junho de 2006 (par. 93 supra), o Estado destacou 
que:
[ ]os fatos [\u2026] não se podem ocultar, não se pode ocultar a dor, [\u2026] não se podem ocultar os 
feridos, não se pode ocultar a dor dos familiares das vítimas. No escrito de contestação da demanda, 
nesse sentido, o Estado peruano já vem reconhecendo esses fatos por sua evidência e porque 
3. Cf. Caso Vargas Areco. Sentença de 26 de setembro de 2006. Série C No 155, par. 42; Caso Servellón García e outros. Sentença de 21 de 
setembro de 2006. Série C No 152, par. 52; e Caso Ximenes Lopes. Sentença de 4 de julho de 2006. Série C No 149, par. 61. 
4. Cf. Caso Vargas Areco, nota 3 supra, par. 43; Caso Servellón García e outros, nota 3 supra, par. 53; e Caso Ximenes Lopes, nota 3 supra, 
par. 62.
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DIREITO À LIBERDADE PESSOAL - CASO DO PRESÍDIO MIGUEL CASTRO CASTRO VS. PERU
desde o momento mesmo em que ocorreram [\u2026] foram objeto de ampla divulgação pelos meios de 
comunicação.
[\u2026] Acreditamos que para analisar os fatos é inevitável analisar o contexto. [\u2026] O Peru, durante 20 
anos, viveu uma situação de con\ufb02 ito interno sumamente grave. [\u2026] Os atos de 6 a 9 de maio [de 
1992 \u2026] foram praticados contra internos de determinada orientação. Os atos de violência foram 
dirigidos contra dois pavilhões, ou contra um pavilhão principalmente, o pavilhão 1A e o pavilhão 4B, 
ocupados no momento dos fatos por internos acusados de crimes de terrorismo vinculados ao Sendero 
Luminoso, partido comunista do Peru [. \u2026 O] ato teve um destino direto: atacar o Sendero Luminoso.
[\u2026] a partir da estratégia militar do governo da época houve um direcionamento das ações a esse 
partido, a esse grupo, houve uma lógica de guerra [ao] adversário.
136. Em resposta a uma pergunta formulada pelo Tribunal, o Estado esclareceu que reconhece somente os fatos de 
6 a 9 de maio 1992, e não os posteriores a essa data. Em seguida, o Estado informou que também \u201cdeclar[a] 
reconhecimento\u201d \u201cdas situações expressas no escrito de petições, argumentos e provas apresentado pela 
interveniente comum\u201d, entendendo-se que o faz em relação aos fatos de 6 a 9 de maio de 1992.
137. No escrito de alegações \ufb01 nais (par. 105 supra), o Estado \u201crea\ufb01 rm[ou] e rati\ufb01 c[ou] os argumentos e posições 
manifestados no âmbito da [referida] Audiência Pública [perante] a Corte\u201d, e reiterou que reconhece sua 
responsabilidade parcial neste caso. O Peru salientou que \u201creconhece sua responsabilidade nos fatos ocorridos 
entre 6 e 9 de maio de 1992\u201d, e acrescentou que:
[\u2026 e]mbora no âmbito da jurisdição interna se determinem as responsabilidades individuais, nos 
termos [d]o processo atualmente em tramitação perante o Poder Judiciário [\u2026,] não se pode deixar de 
reconhecer a dimensão dos fatos a que se refere o presente processo e a responsabilidade que sobre 
eles tem o Estado peruano.
Além disso, solicitou à Corte que leve em conta \u201co contexto histórico no qual esses fatos ocorreram, em 
contraste com a atual gestão do Estado\u201d, e salientou que \u201cos fatos matéria do presente processo \ufb01 zeram 
parte da estratégia do governo da época para enfrentar, violando direitos humanos, o con\ufb02 ito interno\u201d.
2) A respeito das supostas vítimas e direitos alegados como violados
138. Ao expressar o reconhecimento parcial de responsabilidade quanto aos fatos, nos termos expostos na audiência 
pública e nas alegações \ufb01 nais escritas (par. 93 e 105 supra), o Peru não fez referência expressa às vítimas nem 
aos direitos cuja violação alegaram a Comissão Interamericana e a interveniente comum dos representantes.
139. Anteriormente, no escrito de contestação da demanda e nas observações sobre o escrito de solicitações e 
argumentos, o Peru destacou, em relação às vítimas, que:
[\u2026] acerca dos cidadãos mortos e feridos durante os acontecimentos, [\u2026] o detalhamento e as 
circunstâncias da identi\ufb01 cação deverão basear-se principalmente nas ações judiciais atualmente em 
tramitação, e que serão delimitadas na sentença que o Poder Judiciário emita.
140. Além disso, no escrito de contestação da demanda, o Peru destacou que aceita que a Corte \u201cconclua e declare\u201d 
que \u201co Estado é parcialmente responsável\u201d:
i. [\u2026] pelas mortes ocasio nadas durante a execução da Operação Mudança I, nos termos que o 
processo atualmente em tramitação perante o Poder Judiciário pelos fatos imputados, oportuna e 
imparcialmente, declare e sancione; pois, da análise dos fatos, existem inúmeras situações a elucidar 
quanto às circunstâncias precisas das mortes.
ii. [\u2026] pelos feridos e vítimas de