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Apostila salinização - Professor Nildo dias

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Figura 3 Relação entre a velocidade de fluxo capilar e a profundidade do nível freático para 
solos de diferentes texturas (van Hoorn, 1979) 
 
m m dia-1 
*
 CEes = condutividade 
elétrica do extrato de 
saturação 
CEes * 
(dS.m-1) 
CEes (dS m-1) 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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2.2.3 Inundações pelas águas do mar 
Os mares e oceanos se constituem em depósitos naturais de sais, que são carreados 
pelas águas escoadas da superfície terrestre até os pontos mais baixos do relevo, 
acumulando-se progressivamente. A Tabela 4 apresenta a composição química média da 
água do mar. Por ser excessivamente salina (aproximadamente 30 g L-1 ou 3 %) é provável 
que ela tenha sido a fonte principal de sais em solos provenientes de depósitos marinhos 
que se assentaram em períodos antigos. As inundações periódicas pelas águas do mar, 
devido ao fenômeno de marés altas, constituem a principal fonte de sais em áreas de cota 
baixa; outra fonte de salinização pelas águas do mar são as pororocas, quando as águas do 
mar invadem os leitos dos rios, às vezes até 20 - 30 km de distância, transbordando suas 
margens. Quando as marés retrocedem, a água transbordada não acompanha a volta, 
ficando depositada em depressões, aumentando a concentração salina em áreas localizadas 
nas margens desses rios. 
 
Tabela 4 Composição química média da água do mar 
Concentração 
Íon meq L-1* mg L-1 
 Ca 20,9 418 
 Mg 109,4 1312,8 
 Na 479,8 11035 
K 10,8 421,2 
 Cl 559,6 19865,8 
 SO4 7,6 364,8 
 HCO3 2,5 152,5 
 Br 0,9 72 
Condutividade Elétrica (CE) 48 dS m-1 (a 25 o C) 36000 mg L-1 
* Concentração em mg L-1 = meq L-1 x peso equivalente 
 
 
2.2.4 Transporte de sais pelo vento 
Em determinadas situações, a salinização do solo ocorre devido ao transporte de 
partículas de sais pelos ventos que sopram das marés para os continentes. Quando as ondas 
do mar se chocam com as barreiras ou rochas, parte da água pulveriza-se no ar, podendo ser 
evaporada totalmente e, conseqüentemente as partículas de sais resultantes são 
transportadas aos lugares mais distantes, dependendo da velocidade e direção do vento. 
Este fato pode ser verificado quando se determina a quantidade de sais na água da chuva 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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em diferentes distâncias do mar. Desde que na região não existam muitas indústrias, o teor 
de sais nas águas de chuva da região costeira é sempre maior que na região interiorana. 
Na região de Mossoró, Rio Grande do Norte, ventos nordeste, em épocas de estiagens 
prolongadas, podem contribuir para acumulação de sais na poeira que se precipita sobre 
grande parte da área durante os meses de outubro e novembro, com maior intensidade. Esta 
poeira pode conter quantidades apreciáveis de sais e causar problemas às plantas cultivadas 
(Oliveira, 1997). Uma outra possibilidade de transporte de sais pelo vento reside nas áreas 
que ficam perto das zonas de exploração de minérios. 
 
 
3 EXTENSÃO DO PROBLEMA DE SALINIDADE 
 
Solos afetados por sais ocupam extensas áreas em várias partes do mundo (Figura 
4). Observa-se que a maior extensão dessas áreas está localizada em regiões áridas e semi-
áridas, tais como: Oeste dos Estados Unidos; Altiplanos do México; Sul do Peru e Chile; 
Nordeste do Brasil; Norte da África; Sudoeste da África; Ásia e Oriente Médio; no entanto, 
nas regiões úmidas há pequenas extensões, principalmente na Hungria, Romênia, Canadá e 
nos países mediterrâneos. 
 
Figura 4 Distribuição geográfica das áreas afetadas por sais no mundo (Szabolcs, 1985) 
 
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A Tabela 5, por sua vez, apresenta a situação do avanço da salinidade no mundo, 
no final da década de setenta. Verifica-se que 954 milhões de hectares de terras no mundo 
são afetados por sais e que aproximadamente 4,5 milhões dessas terras estão localizados no 
Brasil, sendo que as regiões da Austrália, Ásia Central e América do Sul lideram em termos 
de área, com solos afetados por sais. Considerando-se a área do globo terrestre como sendo 
de 14,63 bilhões de hectares (Shantz, 1956) estima-se que o problema de salinidade afeta 
aproximadamente 6,5 % da superfície. Estima-se, ainda, que cerca de 1000 000 de ha de 
terras são perdidos anualmente, em conseqüência da salinização secundária devido, 
sobretudo, às atividades antrópicas relacionadas à agricultura irrigada. 
As áreas salinizadas vêm aumentando anualmente, em função tanto da influência 
climática quanto do manejo inadequado da irrigação. 
No Brasil, estas áreas estão localizadas sobretudo no semi-árido nordestino, cujos 
solos apresentam reação alcalinas. A Tabela 6 mostra a extensão das áreas, com solos 
afetados por sais em vários estados do Nordeste. A diferença em extensão de salinidade, 
nesse estudo e no anterior (Kovda, 1977) talvez seja devido à escala de elaboração dos 
mapas, bem como à época de realização do estudo. 
Um estudo de levantamento de solos afetados por sais, realizado pelo 
Departamento de Engenharia Agrícola da UFPB, utilizando as imagens do “Landsat” 
mostrou que na parte Noroeste do estado da Paraíba, abrangendo o Perímetro Irrigado de 
São Gonçalo, aproximadamente 18 % da área têm problemas de salinidade (Santos, 1986). 
Embora não se tenha levantamentos detalhados nos diversos perímetros irrigados do 
Nordeste, cerca de 25 a 30 % das áreas irrigadas apresentam problemas de salinidade 
(Goes, 1978). Uma avaliação no Perímetro Irrigado de São Gonçalo, PB, revela que 40 % 
da área são afetados por sais (Figura 5) (Cordeiro et al., 1988).com severas restrições ao 
desenvolvimento das plantas, já no Perímetro Irrigado de Sumé, PB, a avaliação indica que 
26 % das áreas irrigadas são afetados por sais (Figura 6) (Gheyi, 1983). 
 
 
 
 
 
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Tabela 5 Extensão das áreas afetadas por sais no mundo no final da década de 70 (Kovda, 
1977) 
Regiões Países Área Afetada (x 103 ha) 
 15.755 
Canadá 7.238 América do Norte 
Estados Unidos 8.517 
 1.965 
Cuba 316 México e América Central 
México 1.649 
 129.163 
Argentina 85.612 
Bolívia 5.949 
Brasil 4.503 
Chile 8.642 
Colômbia 907 
Equador 387 
Paraguai 21.902 
Peru 21 
América do Sul 
Venezuela 1.240 
 80.538 
Etiópia 11.033 
Chade 8.267 
Egito 7.360 
Nigéria 6.502 
Botswana 5.769 
Somália 5.602 
Kênia 4.858 
Sudão 4.874 
Tanzânia 3.537 
África 
Argélia 3.150 
 84.838 
Iran 27.085 
Índia 23.769 
Paquistão 10.456 
Iraque 6.726 
Arábia Saudita 6.002 
Afeganistão 3.101 
Ásia do Sul 
Bangladesh 3.017 
 211.686 
União Soviética 170.720 
China 36.658 Ásia Central e Norte 
Mongólia 4.007 
Ásia Sudeste 19.938 
Austrália 357.340 
Europa 50.804 
Total 954.832 
 
 
 
 
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Tabela 6 Extensão das áreas, em km2, de solos afetados por sais em vários estados da região 
Nordeste (Pereira, 1983) 
 
Estados 
Solo CE RN PB PE AL SE BA Total 
Planossolo Sódico 12.708 3.690 944 5.165 3.370 2.098 30.516 58.491 
Solonetez Solodizado 8.436 4.064 2.769 2.654 393 1.013 5.161 24.490 
Solonchack 450 837 - - - - - 1.287 
Solonético Holomófico 18 - - - - - - 18 
Outros 1.645 - - - - - - 1.645 
Total 23.257 8.951 3.713 7.819 3.763 3.111 35.677 85.931 
Porcentagem (%) 27 10 4,3 9,1 4,4 3,6

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