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Apostila salinização - Professor Nildo dias

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Figura 5 Áreas salinizadas do Perímetro Irrigado de São Gonçalo, PB 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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Figura 6 Áreas salinizadas do Perímetro Irrigado de Sumé, PB 
 
Tem-se, na Tabela 7, a situação de áreas afetadas por sais em diversos perímetros 
irrigados administrados pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca no 
Nordeste). 
Nos Perímetros Irrigados do Vale do São Francisco, embora não se disponha de 
dados de levantamentos de todo o vale, estudos realizados por Almeida (1994) revelam que 
30 % das áreas da Ilha de Assunção, PE, estão afetados por sais; convém lembrar que, 
devido ao fato da salinização ser um processo dinâmico, os estudos de levantamento das 
áreas devem ser realizados freqüentemente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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Tabela 7 Extensão das áreas afetadas por sais em Perímetros Irrigados do Nordeste 
(DNOCS, 1991) 
 
Superfície Salinizada Diretoria Regional (DR) 
(Unidade/Federação/Perímetro) 
Superfície Agrícola 
Útil (ha) 
Superfície 
Desativada (ha) Extensão (ha) Percentual 
Total 26377 3268 2054 7,8 
1a DR/PI 3064 260 92 3,0 
Caldeirão 388 30 7,7 
Fidalgo 308 121 20 6,5 
Lagoas do Piauí 469 82 42 9,0 
Gurgéia 1899 57 - - 
2a DR/CE 10938 1773 564 5,2 
Morada Nova 3611 625 274 7,6 
Quixabinha 113 - 3 2,7 
Iço/Lima Campos 2712 397 122 4,5 
Curu-Paraipaba 2033 25 
Curu (Recup.) 1068 134 66 6,2 
Vázea do Boi 326 20 30 9,2 
Forquilha 218 58 20 9,2 
Ayres de Souza 615 469 32 5,2 
Jaguarema 200 45 15 7,5 
Ema 42 - 2 5,0 
REG. 3a DIR. 8723 675 1059 12,0 
3a DR/PB 2934 158 627 21,4 
Sumé 272 62 82 30,1 
Eng. Arco-Verde 281 79 22 7,8 
São Gonçalo 2381 17 523 22,0 
3a DR/RN 1215 403 61 5,0 
Cruzeta 138 - 9 6,5 
Itans-Sabuji 490 96 25 5,1 
Pau dos Ferros 587 307 27 4,6 
3a DR/PE 4574 114 371 8,1 
Boa Vista 86 - 2 2,3 
Custódia 263 48 22 8,4 
Moxotó 3939 47 328 8,3 
Cachoeira II 239 19 19 7,9 
4a DR/BA 3652 560 339 9,3 
Vaza Barris 1052 542 309 29,4 
Jucurici 130 18 30 23,1 
Brumado 2470 - - - 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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EXERCÍCIO 1 
 
 
 
“ORIGEM E EXTENSÃO DO PROBLEMA DOS SOLOS AFETADOS POR SAIS” 
 
 
 
 
a) Qual a origem dos sais da água e do solo? 
b) Definir: 
b.1) Salinidade 
b.2) Sodicidade 
b.3) Salinização primária e secundária 
c) Cite os principais sais presentes nos solos e nas águas de irrigação 
d) Quais os problemas que a salinidade pode trazer para a agricultura e o futuro da 
humanidade? 
e) Quais as conseqüências do processo de salinização do ponto de vista ecológico e social? 
f) Por que os solos das regiões áridas e semi-áridas são mais propensos ao processo de 
salinização? 
g) Uma área é irrigada com água contendo 100 g de sais/m3. Se forem aplicados 
anualmente 10.000 m3 ha-1 desta água, qual a quantidade de sais adicionada ao solo? 
Explique por quê nem todos os sais incorporados pela água permanecem no solo. 
h) Com base na solubilidade dos diferentes sais, estime a composição de uma água que 
contém: 5 g L-1 de NaCl, 10 g L-1 de MgSO4, 0,005 g L-1 de CaCO3, após concentrar-se, 
devido à evaporação, em 2, 5 e 10 vezes. 
 
 
 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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4 IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS AFETADOS POR SAIS 
 
A identificação dos solos salinos e sódicos baseia-se em uma série de observações 
e estudos da área, incluindo características visuais de campo e diversas análises químicas 
feitas em laboratório. 
 
4.1 Identificação visual 
 
4.1.1 Solos salinos 
 
Esses solos correspondem ao tipo descrito por Hilgard (1907) como solos “alcali 
branco” e “solonchaks”, pelos autores russos. 
Solos salinos podem ser identificados pela presença de crosta branca de sal 
precipitado em sua superfície, devido ao movimento ascendente da solução salina e à 
intensa evaporação do solo. O excesso de sais nesses solos torna-os floculados, não 
apresentando qualquer problema de permeabilidade verificando-se, no entanto, manchas 
desnudas. 
As manchas desnudas e as crostas de sais visíveis obviamente indicam acumulação 
de sais na superfície do solo, porém não evidenciam a salinidade na zona radicular, pois 
esta acumulação de sais afeta apenas a germinação e o desenvolvimento das plântulas e as 
manchas desnudas mostram nas áreas de produção, apenas que o excesso de sais ocorre na 
superfície do solo, não indicando excesso de sais na zona radicular, porém o vigor das 
plantas (altura, crescimento e desenvolvimento) próximo às manchas desnudas é um bom 
indicador do excesso de sais na zona radicular. 
As plantas em solos salinos apresentam crescimento desuniforme e folhas de 
coloração verde-azulado, relativamente grossas, cerosas e, dependendo da concentração de 
sais existente no solo, apresentam queimaduras marginais. 
As observações visuais das áreas não têm caráter conclusivo para identificar 
problemas de solos salinos. Por exemplo, solos com excesso de sais solúveis podem reduzir 
a produção em até 25% sem apresentar sintomas visuais. Por outro lado, as características 
visuais observadas nas plantas podem induzir a uma falsa identificação, uma vez que elas 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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não são exclusivas de solos salinos, pois problemas de fertilidade e de caráter morfológico, 
desequilíbrio nutricional e déficit hídrico, também provocam sintomas semelhantes; já no 
solo, minerais de cálcio como, por exemplo, o gesso, contendo elementos essenciais (cálcio 
e enxofre) para o desenvolvimento das plantas, podem formar uma crosta que também é 
confundida com os sintomas visuais dos sais solúveis potencialmente nocivos. 
 
4.1.2 Solos sódicos 
 
Esses solos correspondem ao tipo descrito por Hilgard (1906) como solos “alcali 
negro” e “solonetz”, pelos autores russos. 
A condição estrutural e as alterações da superfície do solo podem ser usadas para 
identificar problemas causados pela sodicidade. Solos sódicos são fracamente agregados; 
adensados e compactos quando secos, e pegajosos e plásticos quando úmidos. Devido a 
esses fatos, os mesmos apresentam baixa permeabilidade, são pegajosos e difícil de serem 
trabalhados. A camada superficial apresenta textura grossa e quebradiça, com rachaduras de 
1 a 2 cm de espessura e profundidade variável, dando uma falsa impressão de que o solo 
não apresenta problema de permeabilidade. Uma outra característica visual desses solos é a 
presença de manchas escuras na superfície, decorrentes da solubilidade da matéria orgânica 
em meio alcalino, que se deposita em conseqüência da evaporação; além disso, sua baixa 
permeabilidade impede a germinação das sementes e o crescimento das plantas, por falta de 
aeração, com um sistema radicular muito restrito e pouco desenvolvido. 
Embora as características visuais do solo e da planta permitam a identificação das 
áreas afetadas por sais, na falta de quantificação as mesmas não são suficientes para o 
técnico indicar um programa de manejo ou recuperação da área. Portanto, é indispensável 
que o solo seja caracterizado por meio de análises de laboratório. Além disso, quando se 
deseja recuperar os solos afetados por sais é imprescindível que se conheçam as principais 
causas de ocorrência da salinização, visando à recomendação

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