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Apostila salinização - Professor Nildo dias

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c.9) meq L-1 e mg L-1 
c.10) cmolc kg-1 e meq 100g-1; cmolc kg-1 e mmolc kg-1 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
40 
7 EFEITO DOS SAIS NO SOLO E NA PLANTA 
 
7.1 Efeito dos sais sobre as plantas 
 
Os efeitos da acumulação excessiva dos sais solúveis sobre as plantas podem ser 
causados pelas dificuldades de absorção de água, toxicidade de íons específicos e pela 
interferência dos sais nos processos fisiológicos (efeitos indiretos) reduzindo o crescimento 
e o desenvolvimento das plantas. 
 
7.1.1 Efeito osmótico 
 
As plantas retiram a água do solo quando as forças de embebição dos tecidos das 
raízes são superiores às forças com que a água é retida no solo. A presença de sais na 
solução do solo faz com que aumentem as forças de retenção por seu efeito osmótico e, 
portanto, a magnitude do problema de escassez de água na planta. O aumento da pressão 
osmótica (PO) causado pelo excesso de sais solúveis, poderá atingir um nível em que as 
plantas não terão forças de sucção suficiente para superar esse PO e, em conseqüência, a 
planta não conseguirá absorver água, mesmo de um solo aparentemente úmido. Este 
fenômeno é conhecido por seca fisiológica. 
Dependendo do grau de salinidade, a planta, em vez de absorver, poderá até perder 
a água que se encontra no seu interior. Esta ação é denominada plasmólise e ocorre quando 
uma solução altamente concentrada é posta em contato com a célula vegetal. O fenômeno é 
devido ao movimento da água, que passa das células para a solução mais concentrada. 
Deste modo, a energia necessária para absorver água de uma solução salina é adicional à 
energia requerida para absorver água de uma solução do solo não salino. 
A Figura 11 mostra a curva de retenção de água de um solo franco-argiloso para 
vários níveis de salinidade. Observa-se que a disponibilidade de água para a cultura é 
reduzida a medida em que a salinidade aumenta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O potencial osmótico de um solo pode ser estimado conhecendo-se a CE, a partir 
da equação: 
 CEo ×−≅ 36,0ψ (22) 
em que: 
oψ = Potencial osmótico, atm 
CE = Condutividade elétrica, dS m-1 
 
O potencial total com que a água é retida em um solo salino, pode ser expresso 
por: 
 
 
omT ψψψ += (23) 
em que: 
Figura 11 Curvas de retenção de água de um solo franco-argiloso para vários níveis de 
salinidade (Ayres & Westcot, 1991) 
Supõe-se: 
 
1. Não há aumento nem diminuição de sais na 
água do solo 
2. Os efeitos de esgotamento e da salinidade na 
 disponibilidade de água se somam (Potencial 
 osmótico = - 0,36 CE) 
3. A água disponível é a diferença entre a 
 capacidade de campo e o ponto de 
 murchamento 
4. A água é extraída do solo por efeito de 
 evapotranspiração da cultura (ETc) 
 1 4 8 12 16 
SALINIDADE DO SOLO (dS m-1) 
 
%
 
D
E 
R
ED
U
ÇÃ
O
 
N
A
 
A
B
SO
R
ÇÃ
O
 
D
E 
0,33 
CAPACIDADADE DE 
 
 
 
TE
N
SÃ
O
 
D
’ 
ÁG
U
A
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
42 
Tψ = Potencial total com que a água é retida no solo, atm 
mψ = Potencial matricial do solo, atm. 
Oψ = Potencial osmótico da solução do solo, atm. 
 
Devido à baixa concentração de sais solúveis, o potencial osmótico em solos não 
salinos é considerado desprezível ( Oψ = 0); logo, a água deste solo está disponível a uma 
faixa de potencial de - 0,33 e - 15 atm, em condições de capacidade de campo e ponto de 
murcha permanente, respectivamente, porém a presença de sais faz com que essa faixa de 
disponibilidade seja diminuída, em razão do aumento da tensão total pois, neste caso, 
considera-se o potencial osmótico ( Oψ < 0) 
 
Exemplo: 
 
 
 
 
Dados: 
- Salinidade do solo: CEes= 10 dS m-1 
- Considerando-se que um solo de textura média tem, normalmente, umidade à 
capacidade de campo e ponto de murcha, respectivamente, igual à metade e a um quarto da 
condição de saturação, ou seja: 
 PMCCS θθθ 42 == (24) 
em que: 
θ S= Umidade do solo nas condições de saturação, cm3 cm-3 ou % 
CCθ e PMθ = Umidade do solo à capacidade de campo e ponto de murcha 
permanente, respectivamente, cm3 cm-3 ou %. 
 
PROCEDIMENTOS 
 
a) Solo à capacidade de campo 
- A condutividade elétrica, em dS m-1, à capacidade de campo (CECC) é obtida 
considerando-se que a solução salina se concentra no solo duas vezes, mediante a Eq. 25; 
O procedimento seguinte explica a forma de se determinar a salinidade e a contribuição 
relativa dos sais no aumento do potencial total de um solo salino de textura média, em 
condições de umidade à capacidade de campo e ponto de murcha permanente 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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 escc CECE ×= 2 (25) 
102 ×=ccCE = 20 dS m
-1 
- O potencial osmótico deste solo à capacidade de campo é obtido segundo a Eq. 
22; 
2036,0 ×−=oψ = - 7,2 atm. 
- O potencial total com que a água é retida no solo a capacidade de campo, é 
obtido substituindo-se os valores do “ mψ ” e “ oψ ” na Eq. 23; 
 
2,733,0 −−=Tψ = - 7,53 atm. 
 
- A contribuição relativa do Oψ na diminuição do potencial total à capacidade de 
campo é obtida mediante a relação percentual entre o potencial osmótico e o potencial total 
100
53,7
2,7% ×





−
−
=oψ = 95 % do potencial total 
 
 
b) Solo no ponto de murcha 
 
- A condutividade elétrica, em dS m-1, no ponto de murcha (CEPM) é obtida, 
considerando-se que a solução salina se concentra no solo quatro vezes, conforme a Eq. 26; 
104×=PMCE = 40 dS m
-1 
- O potencial osmótico deste solo no ponto de murcha é obtido de acordo com a 
Eq. 22; 
4036,0 ×−=oψ = - 14,4 atm. 
- O potencial total com que a água é retida no solo em ponto de murcha é obtido, 
substituindo-se os valores do “
mψ ” e “ PO ” na Eq. 23; 
4,1415 −−=Tψ = - 29,4 atm. 
- A contribuição relativa do Oψ na diminuição do potencial total no ponto de 
murcha é obtida mediante a relação percentual entre o potencial osmótico e o potencial total 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
44 
100
4,29
4,14% ×





−
−
=oψ = 48,97 % do potencial total 
Os cálculos anteriores mostram que a tensão total com que a água é retida no solo 
à capacidade de campo e ponto de murcha é, respectivamente, 7,53 e 29,4 atm. É obvio que 
a contribuição relativa do Oψ é maior quando o solo se encontra à capacidade de campo e a 
mesma é aumentada a cada elevação da CEes. A medida em que o conteúdo de água no solo 
diminui, a disponibilidade de água para as plantas varia continuamente em cada camada da 
zona radicular, já que tanto o conteúdo de água como Oψ variam continuamente, entre dois 
eventos de irrigação, devido ao consumo

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