A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
553 pág.
o código de salomão   richardd weber

Pré-visualização | Página 41 de 50

fazer o bem que os maus usam 
para o mal. 
Adam Weishaupt, fundador dos Illuminati 
Capítulo 39 
 
Roma 
 
O capitão Enzo Moretti estava fora depois do toque de 
recolher. Ele não deveria ter tomado a última taça de vinho e, 
certamente, não deveria ter saído com aquela vadia. Mas ele 
era piloto de elite da força aérea italiana do 36 Stormo groupo 
que vivia no limite todos os dias. 
Além disso, ela estava lá, do lado de fora do bar, com aquelas 
longas pernas, sedutora, apoiada no prédio, semi-escondida 
 
nas sombras, com um pedaço da coxa aparecendo por baixo de 
sua saia curta. Seus lábios úmidos, carnudos, seios e quadris 
fartos. Na verdade, tudo nela parecia atraente e úmido. 
Em seus braços ela exalou um agradável perfume almiscarado. 
Seus lábios e sua testa molhados pelo suor. 
Ele deveria ter percebido a falta de dureza em seus claros 
olhos azuis, o jeito como o beijou forte. E quando estavam 
deitados, enrolados em lençóis cinzas encharcados de suor 
naquele pequeno quartinho, ele deveria ter percebido a mão 
dela deslizando para baixo do travesseiro quando ele 
violentamente chegava ao orgasmo dentro dela. Ele deveria 
ter visto a pistola antes de estar nas mãos dela, antes de ser 
pressionada contra a pele do seu pescoço, antes de Laylah 
puxar o gatilho. Laylah, ao completar sua tarefa na Suíça 
obtendo os documentos do árabe no clube, tinha novamente 
ido cuidar dos seus negócios. Funcionando como uma perfeita 
máquina de matar. Sem preocupação em trancar a porta, sem 
hesitação — Laylah matou porque estava na hora de matar. 
 
Capítulo 40 
 
Itália — Região do Lazio, norte de Roma 
 
A Mercedes do Dr. Ahriman fez uma curva fechada na 
principal rodovia de Cássia, cantou os pneus e entrou em uma 
rua privada que rodeava montanhas cobertas por uma cinza 
de carvalho branca. Na ladeira curva, seus faróis faziam uma 
pequena trilha pela escuridão. Olhando para a esquerda, as 
árvores que contornavam a estrada se tornavam mais densas a 
cada curva e pareciam vir ao encontro dele. Ele pisou no 
acelerador; o velocímetro passou para 75... 80 e foi subindo. 
As copas das árvores se curvavam para dentro, formando uma 
arcada gótica que vinham cada vez mais embaixo. 
Acordes dissonantes do Prelúdio de Rachmaninoff vinham do 
aparelho de CD. 
Um pedacinho de lua crescente brilhava de forma incomum 
no céu da noite como uma armada de nuvens escuras 
passeando como espíritos desgarrados. 
Então, logo acima ele viu. Um enorme portão de ferro na 
rodovia. 
Reduziu a velocidade até frear. Olhou para cima e viu as 
gigantes letras gregas formando um arco no topo do portão: 
INSTITUTO de ESCATOLOGIA 
O portão foi se abrindo lentamente, rangendo. 
Ao longe, mais acima, uma monstruosa formação rochosa 
iluminada por holofotes e, adiante, uma fantástica casa de 
vidro. 
Era uma expressão da natureza excêntrica de Volante, seu 
gosto pela extravagância, seu palácio de verão na Itália. Suas 
janelas formavam ângulos de 45 graus, paredes transparentes 
de pedra e vidro, cuja forma geral era parecida com a de uma 
pirâmide invertida com seu vórtice enterrado na terra. As 
camadas do telhado pareciam um bolo, cresciam à medida 
que ficavam mais altas. 
Ahriman seguiu o caminho e estacionou no topo. Por um 
curto período, ficou olhando o íngreme morro, o contorno da 
costa de pedra ali abaixo, onde batiam as espumantes ondas 
do Lago di Bolsena, o maior lago vulcânico da Europa. Ele 
sabia que as paredes de pedras dos dois lados e a densa 
floresta tornavam o forte de vidro quase impenetrável. 
Ele caminhou até a porta do elevador na parede de pedra e 
olhou no leitor de íris, a porta se abriu. 
Um guarda protegido atrás de um vidro duplo, fumê, o 
cumprimentou e pressionou o botão para que a porta se 
fechasse. 
Ahriman entrou e passou os olhos pela sala. Nessa grande 
altitude o vento zunia e tremia os painéis de vidro. Uma 
almofada vermelha de veludo percorria toda a extensão da 
janela; pedaços de pedras formavam as paredes interiores que 
iam do chão ao teto. Aqui e ali nichos na parede. A sala tinha 
luzes escondidas sob as janelas e na base das paredes de pedra. 
Elas emitiam uma luz fraca e sutil que não dava reflexo na 
janela. 
Dr. Ahriman foi até o canto da sala, onde estava Drago 
Volante, ocultado pelas sombras. De repente, um trovão. As 
paredes de vidro e o telhado vibraram como um prato de 
bateria. A luz da lua passava por uma colmeia octogonal, 
chanfrada nos painéis da janela atrás da cadeira de Volante, 
refratando-se e formando uma clara coroa dourada. 
Sua esposa, Honora Celine, estava deitada, glamorosa, no 
assento almofadado sob a janela vestindo uma leve camisola 
transparente. As mãos delicadas da suave luz da lua 
acariciavam seu delicado e macio corpo. 
Um pequeno pedaço de sua língua aparecia por entre seus 
dentes brilhantes. 
Provocando. 
Tentando. 
A cabeça de Honora curvou-se para trás, ficando com os 
ombros a contornando. Longas ondas de madeixas platinadas 
caiam como ouro derretido sobre suas costas enquanto suas 
mãos amassavam suas tentadoras coxas. 
Ahriman se sentou, cruzou suas pernas pequenas e grossas, 
balançou efeminadamente o tornozelo e suspirou. Pegou um 
lenço branco do bolso e secou o suor das sobrancelhas. 
Volante procurou pelo console em seu apoio de braço e ativou 
um controle. Uma enorme e fina tela de LCD desceu do teto. 
As imagens mostraram o objetivo. Seus olhos fechados em 
profunda concentração. Então, repentinamente, abriram-se. 
— Boa viagem, eu espero — disse Volante gentilmente, 
porém o tom sutil em sua voz deixava claro o fato de não 
gostarem um do outro. 
Ahriman deu de ombros. Volante prosseguiu, deixando 
óbvios seus sentimentos no tom de sua voz: 
— Qual a condição de nosso paciente? 
Enquanto falava, o indicador da Ouija-board2 passou a se 
mover em círculos rápidos que mudavam de tamanho. Dr. 
Ahriman limpou a garganta: 
— Nosso ás voador, capitão Moretti, é Delta nível 4. O 
tranqüilizante não tem efeitos de longa duração. Ele tem uma 
saúde excelente. Tem alguns flashbacks e delírios devido aos 
componentes alcalóides que usamos, mas o resultado geral e o 
prognóstico são excelentes. As memórias falsas de abuso nas 
 
2Marca registrada de uma base que suporta uma tela com palavras, letras, símbolos etc . 
que, quando comandada por médiuns supostamente responde perguntas, também 
conhecida como "mesa ouija". 
 
mãos do padre foram profundamente implantadas e sua 
paranóia está em níveis altíssimos. 
As luzes fizeram sombras assustadoras pelas geladas e curvas 
paredes de pedras. Enquanto os lábios tentadores de Honora 
sussurravam questões, o indicador movia-se na tela de LCD. 
- Prossiga — disse Volante. 
- Eu preparei um vídeo para nossos associados estrangeiros e 
para a edificação do Instituto da Escatologia. Posso? — 
perguntou Ahriman com um palmtop na mão. 
Volante fez que sim. 
Ahriman pressionou o botão para iniciar em outro console ao 
seu lado e uma segunda e maior tela começou a descer. O 
símbolo do Instituto da Escatologia — o olho aberto de Horus 
dentro da pirâmide colocada sobre a letra E enlaçada a dois 
triângulos — apareceu no fino monitor. 
Honora Celine deu um gole em seu champanhe lentamente, 
eroticamente, enquanto olhava para a tela. O indicador 
moveu-se para um "D‖... depois um "A". 
Uma imagem do Dr. Ahriman vestindo um avental branco e 
com os olhos contornados apareceu. As palavras Danos — O 
Projeto e a advertência: CLASSIFICAÇÃO A-2. 
NECESSÁRIO RECONHECIMENTO DE CÓDIGO DE VOZ. 
— Volante,